A convivência entre engenheiros e agentes de inteligência artificial (IA) já é realidade dentro da Blue Origin, companhia aeroespacial norte-americana, em sua ambição de alcançar a Lua. Durante uma apresentação no AWS Re:Invent, nesta quarta-feira (03), William Brennan, vice-presidente de Transformação Tecnológica da organização, detalhou como a adoção acelerada de ferramentas de IA pela empresa […]
A convivência entre engenheiros e agentes de inteligência artificial (IA) já é realidade dentro da Blue Origin, companhia aeroespacial norte-americana, em sua ambição de alcançar a Lua.
Durante uma apresentação no AWS Re:Invent, nesta quarta-feira (03), William Brennan, vice-presidente de Transformação Tecnológica da organização, detalhou como a adoção acelerada de ferramentas de IA pela empresa está remodelando processos internos, reduzindo custos e encurtando prazos no desenvolvimento de tecnologias espaciais.
“Nós sempre sonhamos com um mundo no qual a IA e a exploração espacial andavam lado a lado. Na Blue Origin, já não estamos imaginando esse futuro, mas construindo-o”, afirmou Brennan.
A jornada de automação da companhia não é recente. Desde o lançamento do New Shepard, primeiro foguete a decolar e pousar verticalmente de forma autônoma, projetado em 2006, até o New Glenn, novo foguete orbital da empresa, ferramentas de automatização de processos fizeram parte da produção e evolução desses projetos.
A adoção de agentes cresceu de forma acelerada internamente. O BlueGPT, plataforma própria de IA generativa baseada em tecnologias da AWS, tornou-se a porta de entrada para engenheiros, designers e equipes de supply chain criarem seus próprios agentes especializados. São mais de 2.700 agentes ativos, responsáveis por 3,5 milhões de interações por mês e utilizados por 70% dos funcionários. Brennan descreve o fenômeno como uma democratização da IA. “Todos na Blue são incentivados a construir e colaborar com agentes de IA para realizar seu trabalho melhor e mais rápido”, destacou.
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Entre os exemplos mais emblemáticos do impacto desses agentes está o projeto “Tearex”. A iniciativa é uma das apostas da organização para enfrentar dois desafios de levar equipamentos à Lua: os períodos de sombra e o frio extremo. O dispositivo utiliza o próprio solo lunar como meio para armazenar e liberar calor, permitindo que máquinas continuem operando no ambiente hostil.
A engenharia complexa do equipamento também foi concebida com apoio de IA. “Um agente do BlueGPT nos auxiliou com os requisitos detalhados. Outro criou a arquitetura do sistema”, explicou Brennan. O resultado, segundo ele, foi um produto entregue 75% mais rápido que métodos tradicionais, com redução de 40% na massa final.
Para o VP, o projeto antecipa o modelo de trabalho entre equipes do futuro, com pequenos times de especialistas atuando lado a lado com grupos de agentes de IA capazes de lidar com conhecimento técnico profundo e ferramentas especializadas.
“Acreditamos em um mundo em que poderemos projetar um foguete inteiro com agentes. Queremos lançar cem foguetes com uma pessoa, em vez de um foguete com cem pessoas”, concluiu.
*O jornalista viajou a Las Vegas a convite da AWS.
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