Steve Ballmer, Meg Whitman e outros executivos abordam Web 2.0 em conferência nos Estados Unidos
O diretor-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, foi o convidado perfeito para uma conferência sobre a Web 2.0 nos Estados Unidos. Ele apresentou novos produtos, falou sobre percepções e jogou só um pouco de “conversa fora”. Eis aqui parte do conteúdo dos diálogos realizados na semana passada entre os figurões do setor de tecnologia e os apresentadores, no evento que aconteceu em San Francisco.
Ballmer, primeiramente, apresentou Popfly, um aplicativo do tipo “arrastar e soltar”, que permite que usuários sem conhecimento de tecnologia criem mashups. Durante um debate sobre as iniciativas da Microsoft em relação à Web, Ballmer humildemente comparou seu Live Search com um “bebê ainda engatinhando”, competindo com um menino de 12 anos. E ele reiterou como a Microsoft irá oferecer aplicativos de produtividade, tais como o Office e o Outlook, de várias formas – local, on-line, em clientes complexos etc. – a fim de atender às necessidades das pessoas e das companhias.
Mas ele descartou a idéia de que todos os aplicativos migrarão para a Web, afirmando que o Google Docs “não é muito bom” para as tarefas do Office: “Se algumas pessoas quiserem colaborar em um projeto bastante simples, existem alguns benefícios em fazer isso por meio da Web. Se você realmente quiser fazer o que as pessoas conseguem realizar no Word e no Excel, então o Word e o Excel são as melhores opções”.
Meg Whitman questionou: As pessoas poderão utilizar suas informações pessoais em um PayPal, como um tipo de cartão de ID (identificação) na Web confirmando sua identidade em sites comerciais e de redes sociais, com a garantia de que essas informações permanecerão confidenciais? O presidente e diretor executivo da eBay, que detém a propriedade do PayPal, confirmou que isso será possível, teoricamente. Posteriormente, ela disse que as informações sobre identidade nos bancos de dados do eBay têm “possibilidades de longo prazo”, mas as preocupações com a privacidade irão garantir que o PayPal faça uma transição lenta em qualquer expansão de sua função na Web.
Ted Leonsis, da Revolution Money, quis almoçar e pagar o almoço por meio do PayPal, e adorou a seguinte idéia: “marketing auto-realizável”. Leonsis argumentou que os pagamentos estão sendo negligenciados pela Web, deixando essa função para os cartões de crédito e o PayPal, que cobram taxas altas demais. “A avaliação desse mercado está próxima dos US$60 bilhões”, ele afirmou. “A companhia tem continuado a aumentar seus preços – o que parece certo para um mercado em revolução”.
A Revolution Money oferecerá uma opção de pagamento que cobrará dos comerciantes uma taxa de 0,5%, ele comentou, que é bem menor do que o 1,9% que outros cartões cobram. Leonsis acredita que isso vai incentivar os próprios proprietários de Websites a convencerem os clientes a utilizar esse cartão – por isso, chama de marketing auto-realizável. A Revolution Money começará essa iniciativa em novembro.
O co-fundador da Twitter, Evan Williams, tem uma idéia para você: acrescentar restrições pode ajudar seu produto. “Como desenvolvedores, queremos adicionar recursos”, ele observou. “Precisamos perguntar o que podemos retirar, a fim de criar algo novo”.
O Twitter é um aplicativo para utilização de blogs que não emprega identificação por etiquetas, formatação ou modelos, e as mensagens que ele envia são limitadas a 140 caracteres cada uma, por isso, ele pode ser utilizado em dispositivos móveis. Essa também é uma vantagem – a interface é um campo e um botão. Ele observou outros sucessos obtidos com as restrições, incluindo no YouTube, onde o limite de 10 minutos de duração dos vídeos, necessário para a utilização na Web, proporcionou nova energia aos vídeos curtos. E o Facebook: “E se você criou um concorrente para o MySpace, mas não permite que ninguém participe? E se eles precisarem participar, por exemplo, na faculdade?”
Mary Meeker, analista técnica líder, na Morgan Stanley, relatou que a participação global total dos Estados Unidos no setor de tecnologia está em 19%, ou seja, menos do que os 22%, em 1999. Na área de tecnologia, a Alemanha lidera o mercado de e-commerce; a China, nos jogos on-line; a Coréia do Sul, em banda larga; o Japão, em pagamentos por meio de dispositivos móveis; o Reino Unido, em propaganda on-line; Brasil e Coréia do Sul em redes sociais, e as Filipinas, em micro-transações via SMS (short message services). “A boa notícia para a economia global é que somos menos relevantes”, acrescentou Meeker. “E a má notícia para nós é que somos menos relevantes”, ela concluiu.