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IDF: Intel nos deu um recado…

A cada IDF a Intel nos impressiona com seus lançamentos e sua visão sobre o futuro, e dessa vez não foi diferente. Novos processadores, novas tecnologias e uma série de outras novidades que vou procurar elucidar a vocês em um artigo mais completo, dentro de alguns dias. Porém, dessa vez a Intel nos deu um […]

Publicado: 19/05/2026 às 03:33
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IDF: Intel nos deu um recado…
Construção civil — Foto: Reprodução

A cada IDF a Intel nos impressiona com seus lançamentos e sua visão sobre o futuro, e dessa vez não foi diferente. Novos processadores, novas tecnologias e uma série de outras novidades que vou procurar elucidar a vocês em um artigo mais completo, dentro de alguns dias.

Porém, dessa vez a Intel nos deu um recado claro e direto: o jogo vai mudar, e muito rapidamente.

Há muito se fala que os computadores se tornarão mais simples, menores, mais baratos, mas o que víamos vendo de fato eram construções cada vez mais complexas (compare uma placa mãe atual com uma de 4 anos atrás), maiores (os gabinetes espaçosos e bem ventilados se tornaram uma necessidade em função da má distribuição do calor) e mais caros.

Eu estava aguardando ansiosamente que uma das empresas que dominam esse mercado sinalizasse uma guinada nesse jogo, achei que a AMD com seu Athlon64 seria a tal (menor consumo, controladora de memória integrada simplificando a placa mãe), mas não foi isso que aconteceu. As placas para essa plataforma são até maiores e mais complexas do que as utilizadas pelo AthlonXP. A corrida pelos gigahertz estimulada pela Intel também não fazia sentido, seus produtos aquecem demais, consomem muita energia e não contribuem para a redução do tamanho dos PCs, e consequentemente do seu custo. Eu estava ansioso para ver o futuro que muitos alardeavam chegar, mas ele não vinha…

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Dessa vez, a impressão foi outra. Não se fala mais em gigahertz (já não se falava no ano passado, mas ainda sentíamos que isso era importante conforme as apresentações se seguiam) e surpreendentemente já não se fala em performance. Finalmente o discurso mudou! O negócio agora é simplificar, baratear e diminuir de tamanho. “Performance per Watt” é o conceito que norteia toda essa série de inovações apresentadas no IDF.

A maioria de nós não usa um PC moderno no limite, e evidentemente há sobras no poder de processamento total que temos em mãos. Até mesmo pra gamers já ficou claro que se um jogo está lento, o problema provavelmente não está na CPU e sim na placa de vídeo. Por outro lado fazemos cada vez mais coisas com o PC, e esse por sua vez precisa executar em tempo real uma série de tarefas de retaguarda para manter as coisas sob controle, como antivírus, antispyware e firewall, para citar apenas alguns mais populares. No IDF passado já havia ficado claro que a solução com multiprocessadores era a chave para o futuro, e tanto a Intel quanto a AMD lançaram seus modelos Dual Core nos meses seguintes.

A “Próxima Geração”-assim mesmo, em maiúsculas e entre aspas porque a Intel ainda não a batizou, mas a chama informalmente de next generation-de processadores da Intel abandona de vez o NetBrust, arquitetura que norteou o desenvolvimento do Pentium 4 e passa a adotar a arquitetura do Pentium M (utilizado em notebooks) para toda sua linha. Para quem não sabe, o Pentium M é mais rápido e consome menos que um Athlon64 de mesma freqüência, e em overclock atinge um desempenho superior aos poderosos FX da AMD, mostrando que tem tudo para ser o processador mais rápido do mercado. O novo Yonah e seus derivados partem desse mesmo núcleo, mas sofrem significativas modificações dependendo do seu uso.

Por exemplo, fala-se em notebooks consumindo apenas 5W, desktops na faixa de 65W e servidores a 80W, ou seja, indicadores de consumo muito menores do que os atuais. Surpreendente mesmo são as versões destinadas a portáteis de mão, com estimados 0.5W (isso mesmo, meio watt de consumo). E não se fala muito mais em Dual Core, e sim Multi Core, ou seja, o processador terá mais de um núcleo e agora ficou claro que eles serão assimétricos, ou diferentes, pois teremos em breve modelos com vários núcleos integrados e cada um deles especializado em uma tarefa. Um rápido exemplo que nos foi mostrado tinha, em uma mesma pastilha, um Dual Core Pentium M, um chipset 855 e um regulador de voltagem baseado em CMOS!

Vou explicar melhor: A Intel desenvolveu um “core” (um chip de silício, com tecnologia CMOS) que elimina praticamente todos os circuitos de regulagem de tensão para o processador. No exemplo que nos foi mostrado, o apresentador ia retirando da placa mãe todos os pedaços que não eram mais necessários (e tirou muita coisa). Outro “core” é o chipset da placa mãe, que muda de lugar e passa a integrar o processador. A AMD deu um passo nesse sentido ao integrar a controladora de memória ao núcleo, mas a Intel fez isso com o chipset inteiro, portanto não só a controladora de memória foi integrada mas também o controlador do PCI Express, dos discos rígidos, das portas USB, etc. Com isso a placa mãe se torna muito mais simples de se construir, e os custos caem na mesma proporção.

Já se fala em incluir o processamento gráfico (o popular vídeo onbord) na mesma pastilha do processador, e como o Yonah é tecnicamente capaz de trabalhar com vários núcleos interligados compartilhando o mesmo cache, pode-se agrupar núcleos com diversas especialidades e em qualquer número. Jantei com um dos pesquisadores da Intel e ele me disse que em poucos anos teremos um processador com 20 ou 30 núcleos interligados, no PC de casa!

Acima um modelo de placa mãe que veremos em nossas mesas no futuro, tudo integrado em um dispositivo barato e de baixo consumo

Quer outro exemplo? O controlador do WiFi ou da rede local, o controlador para HDTV, o suporte por hardware ao VoIP com “voice enhancement”, o acelerador de pacotes de rede TCP/IP com seu respectivo filtro firewall, e muitos outros chips serão incorporados ao processador. Com as tecnologias de 65 nanômetros e 45 nanômetros, ambas em condições de entrar em produção comercal muito rapidamente, cada um desses núcleos serão aproximadamente do tamanho de um grão de arroz, ou menor.

O computador inteiro será tão pequeno, e consumirá tão pouca energia, que será montado na parte de trás de um monitor de LCD, como já é em alguns modelos da Apple, e provavelmente usará um disco rígido de notebook, uma vez que com a tecnologia de gravação perpendicular os problemas relacionados à baixa capacidade desses pequenos dispositivos tende a desaparecer.

É sabido que o processador Athlon64 (que não é muito diferente de um AthlonXP revisado e com uma controladora de memória integrada) é o processador mais eficiente nesse momento, seja para os micros de mesa (desktops) seja para os servidores. Como eu tenho dito ultimamente, o processador é apenas uma peça do sistema, e sozinho ele não é capaz de promover uma migração em massa para um novo padrão. A Intel tem um processador melhor do que o Athlon64/Opteron que estava sendo destinado somente ao crescente mercado de notebooks, mas agora, com o Yonah, ele se torna a base de toda uma estratégia de integração. Eu não diria que a Intel com esses lançamentos está virando o jogo, na verdade o jogo mudou de lugar, levando-o para um local onde ela conhece muito bem, pois domina a tecnologia em todos os segmentos necessários para integrar um PC.

O fato da AMD depender de terceiros para todos os demais componentes a deixou em um situação muito delicada nesse novo cenário de integração total. A figura de um usuário ao lado de seu PC de 30 KG, dentro de um gabinete de grandes proporções com duas placas de vídeo montadas em SLI ou Crossfire está muito distante do usuário tecnologicamente eficiente que termos nos próximos anos. Já faz tempo que venho debatendo essa idéia, e agora estou ainda mais confortável.

Prometo que volto a esse assunto de forma mais detalhada em um artigo completo, mas quero deixar aqui um comentário sobre a recente batalha de publicidade que tivemos no IDF, quando a AMD desafiou a Intel para um duelo enquanto que no dia seguinte denúncias sobre práticas ecologicamente incorretas da AMD apareceram em todos os lugares: isso parece debate político de candidatos no Brasil, daqueles cheios de baixaria. Ninguém ganha com isso e a imagem negativa do episódio é a única que ficou.

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