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Comdex: dias melhores virão

Superação é o melhor tom para definir a Comdex 2002, realizada de 20 a 23 de agosto, na capital paulista. Apesar da instabilidade econômica, o evento reuniu um público estimado em 100 mil profissionais. Os organizadores programam uma edição latino-americana para 2003

Publicado: 15/03/2026 às 21:34
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Comdex: dias melhores virão
Construção civil — Foto: Reprodução

Uma prova de resistência à crise econômica mundial e brasileira. Assim os participantes e organizadores da 11ª edição da Comdex definem o evento realizado de 20 a 23 de agosto, na capital paulista. Apesar da instabilidade econômica e da alta do dólar, 360 empresas nacionais e 90 internacionais marcaram presença na feira. Mais do que isso: a Comdex de São Paulo foi a única a ser preservada na América Latina, já que as edições da Argentina e do México foram canceladas em função da crise financeira mundial.

O esforço de manter o evento – que acabou tendo o retorno de empresas como Intel e Computer Associates, que trocou o estande formal por uma business suite – foi premiado. A 12ª edição da Comdex, em 2003, está assegurada para os dias 19 a 22 de agosto. “Provamos que somos capazes de superar os momentos difíceis. No ano que vem, teremos a rubrica South America. Isso poderá nos render a presença de mais empresas internacionais”, informa Marcos Faria, diretor comercial da Comdex.

Uma das tarefas já atribuídas aos organizadores é a de reconquistar os grandes fabricantes à feira. São alvo dessa política empresas como IBM, Microsoft, HP, Dell, Sun Microsystems e outras que decidiram investir em eventos verticais. “A proposta da business suite adotada pela Computer Associates poderá alavancar novos negócios. É um modelo menor, mas que garante a aproximação com o público-alvo”, afirma Faria.

CA aposta em expansão da operação mexicana

O vice-presidente sênior da Computer Associates para AL, Vincenzo Dragone, está intensificando sua rota de viagens pela América Latina. Depois que deixou de acumular a direção da organização no Brasil, assumida por Marco Leone Fernandes, o executivo está voltado agora para a implantação do novo modelo de organização adotado na América Latina.

As informações foram dadas durante a Comdex, onde a Computer Associates participou com uma business suite. Na ocasião, Dragone explicou que a região está dividida em três áreas, com México e Caribe juntos, o Brasil independente e o restante dos países da região de língua espanhola reunidos em um terceiro grupo.

Da mesma forma que foi definido um country manager para o Brasil, cada uma dessas regiões latinas têm um novo responsável. O executivo da CA explicou que a medida faz parte da implantação de um novo conceito de atendimento ao usuário, o que implica um suporte mais direto e com maior qualidade. “Esse treinamento e a nova postura estão envolvendo todos os cerca de 18 mil funcionários da CA”.

Em função do quadro de instabilidade que acomete vários países da região neste momento, Vincenzo Dragone acredita que o México e Caribe seja realmente o núcleo que pode apresentar crescimento efetivo de negócios nos próximos dois anos. “O México tem um PIB parecido com o do Brasil mas nosso volume de negócios está longe de ser o apresentando aqui”, reforçou ele. (Graça Sermoud)

Tradição garantida

Segundo os organizadores, pelo menos 100 mil pessoas transitaram pelos corredores da Comdex 2002. Na pesquisa do perfil de público, mais uma vez foi constatado a maciça presença de especialistas de primeiro time de TI. Segundo Faria, os gerentes de informática representaram 21% do público. Diretores de tecnologia, marketing e negócios ficaram em 19% e presidentes e CEOs responderam por 12% dos presentes. “Isso significa que 52% dos participantes eram profissionais com poder de decisão para alavancar negócios. Em 2001, esse índice ficou em 45%”, comemora.

Já com presença assegurada na edição de 2003, a Itautec, fabricante responsável pelo maior estande do evento, diz que estar presente na Comdex é mostrar aos parceiros e clientes que os negócios estão indo bem. “Se nós não comparecermos, todos vão perguntar o quê está acontecendo. Já a ausência dos fabricantes internacionais nem sempre é questionada”, afirma Gabriel Marão, vice-presidente da fabricante.

A opinião do executivo reforça a velha tese de que participar de uma feira como a Comdex ainda representa uma força institucional para a marca da companhia. Versão compartilhada pela Metron, que busca garantir a sua presença entre os líderes do segmento. A fabricante, que durante o evento também marcou o início das suas atividades na área de automação comercial e bancária e de handhelds, também aposta na Comdex como um reforço à sua presença no segmento corporativo.

“Os diretores de tecnologia comparecem à feira. Nossa marca está exposta em todo o segmento de varejo e também aqui, num evento destinado às corporações. Esse é o maior objetivo. Conhecer pessoas e gerar novos relacionamentos”, relata o diretor de marketing e vendas, Cássio Augusto Fernandes.

Minirreforma
assusta


  
Um dos temas políticos que mais movimentou o setor durante a Comdex 2002 foi a minirreforma tributária que o Congresso Nacional planeja aprovar ainda no mandato de Fernando Henrique Cardoso. O projeto prevê a desoneração imediata do PIS (Programa de Integração Social)
e, em 14 meses, da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). No entanto, a iniciativa pode não ter bons reflexos no setor de TI e de Telecom, alertaram representantes das áreas.

  
O principal problema é que nos setores não há a cobrança em cascata destes tributos. E como o governo, para compensar as perdas de arrecadação com a desoneração do PIS e da Cofins, planeja aumentar o tributo ligado ao serviço, haveria um aumento na carga tributária imposta às empresas, já que está previsto um aumento da alíquota de serviços de 0,6% para 1,65%.

  
“Na área de Telecom é um impacto significativo. Já há estudos preliminares prevendo um aumento de até R$ 400 milhões nas despesas”, advertiu Carlos Paiva Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee).

  
O deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP) confirmou que já houve manifestação contrária ao projeto dos representantes das empresas de informática, que também reclamam do aumento da carga tributária. Segundo ele, um documento expressando as reivindicações da área será encaminhado para o presidente do Congresso Nacional, deputado Aécio Neves (PSDB/MG), um dos principais responsáveis pelo esforço de votação, em regime de urgência, da minirreforma tributária.

  
Com reportagem de Daniela Braun

Software demarca território

Desenvolvedores nacionais de aplicativos aproveitaram a Comdex 2002 para consolidar presença no segmento corporativo

Uma das principais características da Comdex 2002 foi a participação de empresas ligadas ao desenvolvimento de aplicações e soluções. Chamou a atenção a presença maciça das companhias que compõem o Porto Digital, pólo de tecnologia do Estado de Pernambuco, e que reúne, hoje, 38 empresas. Durante o evento, o anúncio principal foi a incorporação da Mobile, empresa da Datasul que adquiriu toda a parte de desenvolvimento de tecnologia de busca do Radix.

Tendo à frente o ex-CEO da própria Datasul, Carlos Sá, a Mobile planeja traçar estratégia para alcançar presença nacional. Uma das prioridades será negociar alianças com fornecedores de pacotes de gestão empresarial para alavancar as vendas da tecnologia de busca.

“Temos um produto que é compatível com qualquer um dos ERPs do mercado, e capaz de fazer buscas significativas. Há muitas frentes a serem exploradas, e estar no Porto Digital – um reduto de desenvolvimento de TI – será importante”, afirma Sá.
Quem também ambiciona galgar novos postos no segmento de software é o CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife). Com dois grandes clientes já em sua carteira – Motorola e a rede de supermercados Bompreço, a entidade quer mais presença no setor privado.

Sem fronteiras

“A crise econômica atingiu a todos os setores. O CESAR não ficou de fora, mas estamos desenvolvendo soluções que são adequadas à realidade brasileira. Por isso vamos avançar cada vez mais junto ao segmento empresarial. No Bompreço, por exemplo, toda a solução de gestão de aplicativos é nossa. Ela interage com o R/3, da SAP”, informa o gerente executivo Carlos Frederico G. de Arruda.

O Porto Digital recebeu, há dois anos, R$ 33 milhões para transformar o centro velho do Recife – área até então abandonada e desvalorizada – em um pólo de tecnologia de ponta. A iniciativa reuniu o governo do Estado de Pernambuco e o Softex. Os planos são audaciosos. De acordo com o presidente do Porto Digital, Fábio Silva, em 10 anos – até 2012 – o projeto terá que responder por 10% do Produto Interno Bruto do Estado. Atualmente, a área de TI representa apenas 1% do faturamento do Estado – R$ 250 milhões.

Embora os planos sejam o de alavancar a economia de Pernambuco, o Porto Digital não quer ficar marcado com a imagem de uma ilha de excelência regional. Tanto é assim que houve a decisão de abrir um escritório de representação em São Paulo. “Software não tem fronteira. O importante é disseminar o uso de soluções criadas aqui e gerar receita”, preconiza Silva.

Intercâmbio

Os representantes do estado da Virgínia (EUA) também marcaram presença nesta edição da Comdex. A iniciativa acontece pela quarta vez no País e o objetivo foi fazer uma aproximação com as empresas brasileiras interessadas em trabalhar com outras norte-americanas.

“A comunicação e a troca de experiências são muito importantes. Além disso, as empresas daqui podem usar o canal externo como revendedor e vice-versa. É bom para ambas as partes”, explica Matthias Duys, gerente comercial internacional do Virginia Economic Development Partnership.

O executivo vê as desenvolvedoras brasileiras com muito bons olhos. Apesar da situação mundial instável, Duys acredita que há espaço para a troca de tecnologias.

“É importante que, neste processo, haja serviços para os usuários das ferramentas. Por isso a troca de representações entre os países pode ser uma boa alternativa”, complementa o executivo, em cujo estado natal, considerado pólo de tecnologia nos Estados Unidos, há mais de sete mil empresas de software.

Dezoito fabricantes de software já confirmaram presença na missão comercial de companhias brasileiras de software que segue, no final de setembro, para os Estados Unidos. O objetivo do projeto é promover a indústria de tecnologia no exterior, criar uma imagem positiva para os formadores de opinião norte-americanos e abrir um canal de negócios internacional.

“Queremos que essas empresas se unam ainda mais e tenham mais estrutura para enfrentar o mercado externo.”, explica Descartes Teixeira, diretor executivo do Instituto de Tecnologia de Software (ITS), um dos promotores da missão, que conta ainda com o apoio do Softex, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Business Software Alliance, entre outras. (APL e RC)

Esquenta a disputa em HDs

A briga pelo mercado de discos rígidos (HDs) parece esquentar no Brasil. Em setembro, a Samsung amplia a quantidade de componentes locais nos discos rígidos que produz localmente desde março deste ano. A empresa também se prepara para iniciar, a partir de janeiro, a exportação dos discos brasileiros ao mercado latino-americano.

A unidade fabril localizada em Manaus (AM) é a primeira operação de manufatura da fabricante fora da Coréia. “Produzimos 400 mil unidades/mês do total de 1,2 milhão projetado e mantemos a estimativa de chegar a 800 mil/mês até o final do ano, sendo que toda a produção é dedicada ao mercado brasileiro”, detalha o diretor comercial da Samsung do Brasil, Wladimir Benegas. Hoje, os distribuidores Samsung comercializam 30% dos discos para o mercado legal e 70% é adquirido pelo chamado mercado cinza, segundo o executivo.

Em função da produção local da Samsung, o Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior ampliou a alíquota de importação dos HDs de 4% para 9,5%.

Variação

Para fornecedores como a norte-americana Seagate Technology, que oferece HDs fabricados em Cingapura ao mercado brasileiro, o aumento na alíquota de importação e a alta do dólar impulsionam a avaliação da manufatura local.

“Nesta situação, avaliamos o que temos e o que ganhamos. No entanto, a situação do mercado global em baixa, a alta do dólar e o período de eleições são fatores que superam nossa decisão”, avalia Ricardo Miranda, diretor de vendas da Seagate para o Mercosul.

A empresa que atua há 12 anos no País, com um escritório em São Paulo, tem 40% de suas vendas escoadas pelos distribuidores Bell Micro e Intcomex (sediados nos Estados Unidos) e 60% comercializadas por acordos de OEM (Original Equipment Manufacturer) com empresas como Dell, HP, IBM e Itautec.

Citando dados fornecidos pela IDC (International Data Corporation), a Seagate informa deter 35% do mercado mundial de discos rígidos, seguida pelas norte-americanas Maxtor (31%) e WDC (Western Digital Company) – com 19% do mercado global, sendo que a Samsung conta com 6% de participação no segmento.

Embora não considere a empresa coreana um concorrente perigoso, a Seagate reforça sua atuação local, trazendo ao Brasil o Programa de Parcerias Seagate. Segundo Miranda, a corporação que comercializou 55 milhões de discos, em 2001, também prepara seu ingresso no mercado de notebooks, em janeiro de 2003.

Apesar da instabilidade econômica, o executivo garante que não houve mudanças em contratos de fornecimento, ou impactos nas vendas locais, até o momento. Mesmo em situação mais confortável, a Samsung adapta-se à variação cambial. “De maio até agora, fizemos um reajuste de 20%. Ainda assim, os meses de julho e agosto não foram de vendas fracas. Estamos crescendo e ganhando market share”, afirma Roberto Wieselberg, diretor de marketing da Samsung Brasil.

Em 2001, a Samsung faturou US$ 320 milhões no Brasil, e estima fechar 2002 com um resultado de US$ 503 milhões – 50% com as vendas de celulares, 35% com monitores e 15% com HDs. (DB)

|Computerworld – Edição 371 – 04/09/2002|

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