No estudo GSM in Brazil: Regional Perspectives and Analysis, o instituto desenhou dois cenários (CDMA e GSM). A tecnologia TDMA, utilizada pela maior parte das operadoras do País, não fez parte do estudo.
A IDC Brasil (International Data Corp.) estima que apenas quatro grandes grupos atuem em telefonia celular no Brasil, depois de um momento de consolidação. Em meio a este movimento surge também a questão da escolha do padrão tecnológico.
No estudo GSM in Brazil: Regional Perspectives and Analysis, o instituto desenhou dois cenários. A IDC baseou-se nas possíveis decisões dos grupos dominantes no Brasil: Grupo Ibérico, TIM (Telecom Italia Mobile) e Telecom Americas.
Vanessa Cabral, gerente de pesquisas das áreas de Telecom e Internet, afirma que estas empresas serão os balizadores da evolução tecnológica das redes celulares no Brasil, nos próximos anos.
No cenário 1, a opção foi o CDMA. A IDC considerou a possibilidade do Grupo Ibérico manter o caminho de evolução do padrão. Neste caso, os assinantes CDMA/1XRTT no Brasil passariam de 11,5 milhões em 2002 para cerca de 20 milhões em 2006.
Alguns pontos favoráveis identificados seriam: o CDMA seria uma opção para operadoras TDMA que não possuem espectro em 1800/1900 MHz; equipamentos CDMA 1xRTT em 800 MHZ já estão disponíveis; a evolução neste padrão não exigirá grandes subsídios para os aparelhos; a rede CDMA 1xRTT é otimizada para voz e dados.
Já os pontos negativos seriam, por exemplo: apesar dos custos de operação serem inferiores aos de uma rede GSM/GPRS, o custo inicial de implantação da rede CDMA 1xRTT pode ser até 20% mais caro do que a instalação do GPRS; grande parte dos usuários na América Latina vai consumir serviços de voz, podendo não justificar os investimentos necessários neste upgrade e a penetração no mercado mundial é menor que o GSM, entre outros.
No cenário 2, há o domínio do GSM. O Grupo Ibérico opta por uma rede híbrida com CDMA e GSM. Neste cenário, os assinantes de serviços GSM/GPRS no País ultrapassam as demais tecnologias em 2006, quando vão totalizar cerca de 21 milhões de usuários contra 18 milhões de TDMA e quase 15 milhões de CDMA/CDMA1xRTT.
Os pontos favoráveis apontados pela IDC são: a opção permite que as operadoras sejam beneficiadas pelo fator escala, já que o padrão GSM compreende mais de 70% do mercado mundial; a escala faz com que um maior número de aplicações e serviços esteja disponível ou em desenvolvimento.
Outros fator levantado é o fato de a solução GAIT estar desenvolvida e permitir a interoperabilidade entre redes TDMA/GSM nos Estados Unidos, podendo ser reaproveitada na América Latina (com aparelhos para 800 MHz).
Entre os pontos negativos destacam-se: os equipamentos e aparelhos GSM estão disponíveis somente em 900/1800/1900 MHz, e não em 800 MHz, freqüência na qual opera a maioria das operadoras latino-americanas; o GAIT não está otimizado para serviços de dados, ficando a princípio com os serviços de voz.
Para a IDC, está claro que, se o grupo Ibérico formado pela Telesp Celular/Telefônica Celular e Global Telecom e cujo padrão tecnológico atual é o CDMA decidir migrar para GSM/GPRS, os dias da tecnologia CDMA no Brasil estarão contados.
Operadoras e investidores devem avaliar quanto o mercado brasileiro comportaria em termos de usuários. De acordo com a IDC, haveria espaço para uma penetração média de 32% deste serviço, ou um mercado potencial de usuários celulares em torno dos 54 milhões de assinantes.