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Terceirização de call center continua em expansão

Os serviços de outsourcing de call center apresentam bom desempenho e registraram crescimento de 24,2% do faturamento em dólares no Brasil em 2002. Atualização de estruturas obsoletas, transformação de custo fixo em variável e a tendência de transferir essa complexa estrutura tecnológica para um parceiros especializado são fatores que puxam o mercado.

Publicado: 17/03/2026 às 11:45
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7 minutos
Terceirização de call center continua em expansão
Construção civil — Foto: Reprodução


Ricardo Cesar


Atualmente, um setor que apresenta taxa de crescimento de dois dígitos chama a atenção. É o que acontece com os serviços terceirizados de call center e contact center, uma atividade que movimentou US$ 706,9 milhões no Brasil ao longo do ano passado, o que, segundo a International Data Corporation (IDC), significa um crescimento de 24,2% do faturamento em dólares, a despeito da forte desvalorização cambial. Para fins de comparação, o mercado norte-americano cresceu 17,5% no mesmo período.


Na avaliação da empresa de pesquisas, o segmento de contact center reforçou sua infra-estrutura, melhorou a qualidade do monitoramento das ligações, migrou algumas plataformas para Web call centers e aumentou sua base instalada de pontos de atendimento (PAs). Foi um bom desempenho – e há mais pela frente: a IDC acredita que o setor possui significativo potencial de expansão e deve continuar apresentando bons resultados.


Essa visão é referendada pelos executivos da área. “Em 2002 havia 181 mil posições de atendimento em todo o mercado brasileiro, das quais 40.500 eram terceirizadas. Isso significa que ainda há muito espaço para iniciativas de outsourcing no setor”, diz Paulo César Salles Vasques, diretor comercial da Contax, empresa de contact center da Telemar. O executivo garante que a companhia ampliou sua operação em 45% em 2002 e espera repetir a dose este ano.


Foco no negócio


Que fatores estão puxando este mercado? Na opinião de Vasques, a atividade de contact center requer pesados investimentos em tecnologia e recursos humanos. Gerir toda essa estrutura demanda tempo e dinheiro em excesso para quem não tem no atendimento o foco central de sua operação. Deixar essa complexa tarefa com quem é especializado no assunto para se focar apenas no negócio principal é uma alternativa cada vez mais atraente para companhias de grande e médio porte.


Outros fatores também pesam. “As empresas precisam modernizar as estruturas sem gastar tanto e optam pela terceirização”, diz Eraldo Savastano, superintendente da área de marketing e produtos do grupo TMS. “O grande argumento para convencer os clientes é transformar o custo fixo em custo variável. Os clientes aceitam aumento de despesas só quando paralelamente há uma ampliação da receita”, afirma Marco Cesar Contesini, diretor da Gennari&Peartree (G&P).


Para o vice-presidente de operações da Atento, empresa de call center do grupo Telefônica, Marcelo Alves, fatores como flexibilidade e racionalização de custos impulsionam a terceirização de call center. “Para uma empresa de cartão de crédito que vai fazer uma campanha específica de marketing não se justifica investir em cadeiras, PCs e contratações para algo que vai ter início, meio e fim. São situações sazonais em que é necessária uma estrutura de contact center e telemarketing.”


O diretor superintendente da ACS, Divino Sebastião de Souza, lembra que as privatizações impulsionaram muito o setor de call center. “Quando havia monopólios públicos e o cliente era cativo, o call center não era tão estratégico. Com a concorrência, isso mudou”, diz. “Mas ainda há muito potencial de crescimento para a área no Brasil. O mercado demanda que cada empresa trate o seu cliente como se fosse único e essa competição acirrada torna o contato com o consumidor cada vez mais importante.”













Tecnologia para atendimento
O mercado brasileiro está bem servido de tecnologias para estruturar contact centers. Exemplo disso são as soluções da Remedy, hoje uma unidade da BMC Software representada no Brasil pela CSC. A base de soluções Remedy é calcada na tecnologia Action Request System (ARS), uma plataforma cliente-servidor com recursos de apoio ao agente (front end) com flexibilidade de desenhar e definir regras de atendimento. Tudo é feito por meio de formulários prontos, sem programação. O software funciona via browser ou instalado no desktop do agente.
O gerente-geral da unidade de negócios Remedy da CSC Brasil, Mário Gajanigo Filho, conta que a empresa tem cerca de cem clientes no País,
como a TAM, que utiliza a plataforma para o call center dos clientes de fidelidade (milhagem) e para o programa “fale com o presidente”. ”É uma solução montada sobre o ARS e o atendimento é feiro por telefone, fax,
e-mail, Web ou carta”, conta.



Setor em transformação


Diversos sinais sugerem que o mercado de call center está em transformação. Em boa medida, as mudanças são fruto de uma tendência que os executivos do setor gostam de alardear: a atividade começa a deixar de ser centro de custos para se tornar centro de receitas. “A função passou a ser vista como fonte de recursos”, diz Savastano, do grupo TMS. “Nos últimos anos, o número de aplicações que surgiram aproveitando a estrutura de call center aumentou muito e hoje incluem consultoria financeira, SAC, suporte, telemarketing etc.”


A G&P, por exemplo, oferece uma linha de negócios que vai desde gerenciar a estrutura de call center que a empresa já possui internamente até prestar o serviço externamente para clientes que não têm uma estrutura própria, passando por operações de risco, como serviços de cobrança ou vendas, em que a remuneração é atrelada ao resultado obtido.


Também a Atento procura dar ênfase à geração de receitas. “Não oferecemos só um atendimento ou uma tecnologia. Tentamos entrar no negócio do cliente para que o contact center de fato faça parte da estratégia de geração de caixa”, diz Alves. “Não é uma terceirização passiva, queremos participar ativamente da conquista de mercado e ações de marketing dos nossos clientes. O contact center é um celeiro de oportunidades, como fazer vendas cruzadas ou afinar a estratégia de marketing.”













Experiência aprovada

Um processo de terceirização de call center bem conduzido traz benefícios claros. É o que mostra a experiência da GEAP – Fundação de Seguridade Social, uma entidade fechada de previdência complementar que presta assistência médica e odontológica ao funcionalismo público federal. Com atuação em 2.116 municípios e atendendo a 1 milhão de pessoas, a companhia enfrentava problemas para atender seus afiliados. “A falta de um call center era gritante”, conta José Eduardo Passos, diretor de tecnologia da GEAP.
Essa situação levou a entidade a abrir concorrência para escolher uma prestadora de serviços de call center. Após um longo processo que envolveu 11 candidatas, a ACS, do grupo Algar, foi escolhida em dezembro do ano passado.
Hoje toda a estrutura fica na ACS. Há uma central médica que autoriza os eventos para os hospitais e estabelecimentos de saúde – 24 mil por todo o Brasil, somando 6 mil ligações diárias – e uma central de atendimento ao cliente, que recebe 5 mil ligações por dia. O sistema permite que o médico dispare o pedido via rádio quando o cliente está entrando no hospital. Com isso, a GEAP consegue controlar o que está sendo executado. “Reduzimos as fraudes e desvios que faziam com que a empresa gastasse mais do que arrecadava”, conta Passos.
Outro exemplo de terceirização de call center é o Universo Online (UOL). O processo começou em 2000 com a área de televendas e foi para o serviço de atendimento e suporte técnico. Hoje o provedor de acesso à Internet possui uma equipe de atendimento mista – 60% de terceirizada, 40% própria.
O UOL selecionou duas empresas para o seu processo de terceirização de call center, fechando um contrato para a terceirização de mão-de-obra com a G&P e de infra-estrutura e mão-de-obra com a TMS. O diretor de atendimento do UOL, Fábio Moraes, conta que a redução de custos foi da ordem de 20%.

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