O NCE/UFRJ desenvolveu um programa, batizado de Motrix, que permite que deficientes físicos possam ter acesso a microcomputadores. Tecnologia adotada é do reconhecimento de voz. Solução está sendo testada também para facilitar o controle de equipamentos domésticos.
De acordo com o censo 2000 do IBGE, o Brasil possui 24,5 milhões de portadores de algum tipo de deficiência física. A maior parte sem qualquer tipo de recurso para acessar tecnologias como o uso do microcomputador e a navegação via Internet.
Há nove anos dedicado ao desenvolvimento de soluções que permitam maior interação dos portadores de deficiências com a informática, o NCE/UFRJ – centro de computação do Rio de Janeiro – apresentou o programa, batizado de Motrix, que através da tecnologia de reconhecimento de voz, permite um acesso à escrita, leitura e comunicação via PC.
O Professor Antônio Borges, também criador do DOSVOX, programa desenvolvido para que cegos possam usar o PC, foi o responsável pela criação do Motrix.
"Uma das recomendações que tínhamos era que o produto tinha que ser simples, de fácil acesso e criado para rodar em plataforma de acesso a um usuário final comum. Fizemos isso, adotando tecnologia da Microsoft de reconhecimento de voz. O Motrix não exige recursos extremos de uma máquina. Um Pentium 233MHz, com 32MB, já é o suficiente", afirma.
Ao comando da voz, o Motrix é capaz de acionar o funcionamento do mouse, do teclado, de programas do Windows, de scripts adaptativos e de seleção de menus do comando. Para isso, os desenvolvedores decidiram implementar o alfabeto fonético de aviação, considerado um dos mais efetivos em ambientes de barulho.
Borges reconhece que o Motrix não é um software que possa ser considerado de "mercado", já que não tem uma tradição comercial. "O futuro dele existe porque o software foi criado dentro do NCE/UFRJ, que dentro dos seus recursos parcos, prefere investir na sua manutenção a tentar formular maneiras de vendê-lo.Ele será gratuito e poderá ser baixado da nossa página(http://caec.nce.ufrj.br)", determina.
Para disseminar o uso do Motrix no mercado brasileiro – marcado pelo alto índice de exclusão digital onde apenas 14 milhões dos 170 milhões de brasileiros estão na Internet – o NCE/UFRJ tem desenvolvido alianças com entidades governamentais e ONGs.
"Estamos juntos de iniciativas que nos ajudem a alavancar o software. Queremos que, por exempo, o Ministério da Educação faça aportes na capacitação de professores e de instrutores com o programa. De preferência, pessoas que sofram de deficiência. Elas vão ajudar a romper a barreira da exclusão digital e social nas escolas, instituições e departamentos", acredita Borges.
Ele antecipa ainda que já foram iniciados os testes para que o Motrix possa ser utilizado também para facilitar o controle doméstico de equipamentos, como por exemplo, acender uma TV ou mesmo trocar de canal.