Lançados com pompa, os portais de voz caem na realidade do mercado nacional. Telemar e Telefônica admitem que, depois de não alcançarem seus objetivos iniciais, reestruturam o produto. CTBC e Mediz apostam na tecnologia e inovam na oferta de serviços.
Se Telefônica e Telemar não querem falar sobre suas iniciativas, CTBC e o consórcio Mediz afirmam que a tecnologia evoluiu e traz resultados financeiros
Ana Paula Lobo
Em janeiro de 2001, a Telemar apostou suas fichas na criação do Vocall, portal de voz que teria a missão de alcançar em 12 meses a marca de 1 milhão de usuários. À época, o serviço serviria para alavancar o tráfego nas regiões fora da área de concessão da operadora do Rio de Janeiro ao Amazonas. Recursos financeiros não faltaram para levar o produto ao consumidor. Os investimentos ficaram acima de R$ 10 milhões. Para consolidar a marca, utilizaram a voz de um sapo para atrair o cliente. Só que o serviço não respondeu às expectativas geradas.
O consumidor brasileiro mostrou-se reticente a utilizar o portal para ouvir seus e-mails. Hoje, a Telemar, por meio de sua assessoria de imprensa, informa apenas que o produto está em processo de reformulação. Posição semelhante é adotada pela Telefônica. Em dezembro de 2000, a operadora lançou o ViaCorp, portal de voz que teria a missão de atender a aproximadamente 70 mil pequenas e médias empresas do Estado de São Paulo. Os investimentos, à época, ficaram em R$ 7 milhões. Atualmente, a concessionária também prefere não falar sobre o produto. Explica, por meio de sua assessoria de imprensa, que o ViaCorp passa por uma reestruturação. Seriam estes exemplos a prova de que os portais de voz fracassaram?
Longo prazo
Não é assim que a CTBC, que em 2001 também criou o seu portal, batizado de Vox, e o consórcio Mediz, que reúne operadoras celulares do grupo Telecom Americas e a Gradiente, pensam. As duas empresas assumem que o negócio não respondeu às expectativas iniciais, mas que ele é absolutamente rentável e traz, sim, resultados operacionais aos investidores.
É claro que houve um erro de diagnóstico quando os portais foram lançados. Tudo era gigante. Mas, para nós, o negócio frutificou. Em março, alcançamos a marca de 2 milhões de minuto por mês. É um resultado expressivo, principalmente num País onde não há a cultura do uso do reconhecimento de voz , explica o coordenador de marketing do Mediz, Roberto Muller.
Tanto os resultados têm sido satisfatórios que o Mediz negocia novos associados e aposta na criação de serviços voltados para o segmento empresarial, principalmente os direcionados à automação de força de vendas. Só que agora vamos fazer tudo de forma factível. E dentro da realidade possível para a geração de tráfego, complementa Muller.
Evolução
A tecnologia de reconhecimento de voz evoluiu e, hoje, é praticamente perfeita, explica o consultor de telecomunicações da CBTC, Rogério Rufino. Exatamente por isso, a operadora aposta na continuidade e no sucesso do produto. Mas a CTBC decidiu reestruturar a sua operação relativa ao portal.
A simplificação, explica Rufino, será a arma para atrair clientes. A primeira ação será abrir totalmente o acesso ao site do Vox. Não vamos mais criar senhas e logins. O cliente não quer saber de dificuldade, afirma o executivo da CTBC. Outra decisão: fechar parceria com empresas que gerem conteúdo. Vamos fomentar o interesse do cliente de ir ao portal para ter serviço. Não apenas na leitura de e-mails por telefone, mas para a apresentação de conteúdo, como por exemplo, serviços de usuário final, entre eles, horóscopo e mensagens de pessoas famosas. São eles que geram tráfego para os portais, enfatiza Rufino. Hoje, o tráfego do portal de voz da CBTC fica em torno de 150 mil minutos/mês. O executivo reconhece que é uma média abaixo da expectativa, mas diz que ainda assim ela proporciona retorno ao investimento realizado pela operadora.
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|Computerworld – Edição 388 – 25/06/2003|