Objetivo maior é conquistar clientes para acesso à Internet em banda larga entre pequenas e médias empresas. De acordo com pesquisa do Yankee, o uso da tecnologia no mercado corporativo ainda fica aquém das expectativas.
Objetivo maior é conquistar clientes para acesso à Internet em banda larga entre pequenas e médias empresas.
Ricardo Cesar
As operadoras de telefonia fixa estão reforçando seus planos para oferecer acesso à Internet em alta velocidade com tecnologia Asymmetric Digital Subscriber Line (ADSL) para micro e pequenas empresas.
A busca tem uma explicação simples e outra mais complexa. A primeira é que o usuário empresarial é mais lucrativo.
Segundo dados do Yankee Group, 76% dos assinantes de ADSL no Brasil são domésticos.
Em termos de receita, no entanto, a participação residencial cai para 63%, enquanto o mercado corporativo sobe para 37%.
O outro motivo da corrida é que a tecnologia é considerada estratégica para formar e fidelizar uma clientela mais madura no uso de Internet.
Embora atualmente o lucro médio obtido por usuário não seja atraente, espera-se que esse consumidor demande cada vez mais serviços de dados e se torne importante para a estratégia de longo prazo das operadoras.
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Líder na oferta de soluções de ADSL, a Telefônica possui cerca de 350 mil assinantes do serviço Speedy, com taxa de crescimento de 50% ao ano. Desse total, 100 mil são corporativos.
O diretor de negócios de Internet da operadora, Fábio Bruggioni, explica que as duas bases de usuários são tratadas de formas diferentes, mas os negócios são complementares.
O modelo residencial está apoiado no volume, enquanto para o cliente corporativo o essencial é oferecer serviços de valor agregado, afirma.
Quando cresce a base doméstica, consegue-se oferecer o serviço mais barato para as pequenas empresas. Existe um mecanismo cruzado para a comercialização de ADSL.
O executivo adianta que no segundo semestre a operadora lançará três ou quatro pacotes de serviços, que serão padronizáveis, com garantia de qualidade e apoiados no ganho de escala.
Apesar de apostar no serviço, o Speedy é um produto de alto investimento e ainda não gera lucro.
Mas a aposta da operadora é que isso mude. Nossos concorrentes não têm volume, e sem isso não se garante qualidade, dispara.
Outro exemplo de rápido crescimento de serviços ADSL é a Brasil Telecom, que tem 190 mil assinantes do Turbo, dos quais cerca de 12 mil são corporativos.
O acesso corporativo cresce à taxa de 1.500 pontos de acesso por mês.
Devemos chegar ao final do ano com cerca de 20 mil acessos do Turbo Empresas, estima Waldir Morgado, gerente de banda larga e Internet da Brasil Telecom.
Além disso, a operadora lançou em fevereiro o Vetor, um produto VPN IP com tecnologia xDSL que permite o tráfego de dados, voz e multimídia.
Ele é voltado para empresas de maior porte e o preço sai de acordo: R$ 1.700 por ponto para 256 Kbps.
Já a solução ADSL sai por R$ 99, mais o preço do provedor escolhido.
Segundo o executivo, a Brasil Telecom alcançou em abril o equilíbrio financeiro nas soluções de banda larga, considerando-se todos os produtos.
O cliente corporativo é mais lucrativo, demanda uma série de funcionalidades e assim oferecemos mais serviços.
Corrigindo o rumo
Já a GVT, operadora de telefonia fixa para as regiões Centro-Sul e Oeste do País, planeja aumentar o número de assinantes do serviço Turbonet, dos atuais 8 mil para cerca de 15 mil até o final do ano.
Atualmente, 45% dos assinantes são micro e pequenas empresas. O objetivo é manter essa proporção, considerada acima da média do mercado.
Segundo o diretor de marketing da GVT, Alcides Troller Pinto, a alta porcentagem de clientes corporativos se deve ao fato de o Turbonet ser vendido junto com soluções de voz, sobretudo a oferta batizada de Economix, que oferece uma franquia única, independente do número de linhas.
O Turbonet foi lançado em março de 2002 com uma estréia desastrada: o preço estava acima do que se oferecia no mercado e o cliente corporativo não estava bem focado.
Em setembro de 2002 o produto foi reposicionado em preço e benefícios, e a GVT acertou a mão: o Turbonet passou a vir com firewall, a empresa criou um grupo específico de atendimento ao cliente e o preço foi reajustado.
Resultado: 80% dos 8 mil clientes atuais foram conquistados a partir de setembro. Além disso, a porcentagem de clientes corporativos, antes em 15%, triplicou.
Reajustamos as expectativas com a realidade do mercado e hoje estamos 10% acima do que o novo planejamento previa.
O diretor afirma que o acesso ADSL gera menos receita do que a conexão dial up, mas a GVT acredita que a relação com o cliente torna-se mais duradoura.
Atualmente, da base de clientes da operadora, 2% possui acesso ADSL. No mercado, a média é de 1%.
Produto estratégico
A Telemar também aposta na tecnologia ADSL. O diretor do segmento empresarial da operadora, Roderlei Generali, conta que 20% dos assinantes de acesso à Internet em alta velocidade utilizam o produto batizado de Velox, ou cerca de 20 mil empresas a maior parte conquistada de outubro para cá.
A operadora tem ainda outras 80 mil empresas clientes usando a tecnologia DVI, composta de dois canais digitais de comunicação que garantem um serviço de voz com qualidade, além da transmissão de dados e imagens em até 128 Kbps.
Em 2002 apenas colocamos o pé em ADSL, para sentir como estava o mercado. Este ano decidimos colocar mais áreas de acesso e atuar de forma mais agressiva, conta.
O executivo afirma que não havia dúvidas quanto ao potencial comercial, mas que a Telemar decidiu começar sem pressa para certificar-se de que o produto teria qualidade.
Novo player
Prova de que o mercado de acesso ADSL é interessante é que ainda existem operadoras na fila para oferecer esse tipo de solução.
Exemplo disso é a Embratel, que prepara o lançamento de um serviço de acesso à Internet em alta velocidade.
A novidade, ainda sem nome comercial, deve estrear no terceiro ou quarto trimestre do ano, segundo o diretor de marketing e produtos para o mercado corporativo da operadora, Aloysio Xavier.
Com o lançamento, a Embratel espera acirrar a concorrência pelo mercado de acesso em banda larga, tanto para usuários domésticos como sobretudo para micro e pequenas empresas.
O serviço será oferecido nas principais capitais e cidades onde há grande de atividade econômica.
Xavier conta que a solução encontrada foi implantar o que chama de Redes de Acesso Digital Embratel (ADE), um sistema de cabos nos locais de maior demanda.
Hoje há mais de 200 redes ADE em 80 cidades, que substituem a última milha à qual a operadora não consegue acesso.
Teremos uma nova oferta em cima de uma capacidade existente. O investimento feito nas ADE será aproveitado, diz.
O diferencial da solução de ADSL da Embratel em relação aos concorrentes será a qualidade de acesso, garante Xavier.
Por ser sobre a rede ADE, construída para este fim, e não aproveitando uma malha previamente existente, a qualidade do acesso tende a ser mais alta, afirma.
|Computerworld – Edição 387 – 11/06/2003|