<img src="http://www.computerworld.com.br/imagens/artigo.gif" alt="" border="0" align="left">
Após um longo período de aceleração, passamos agora pelo ponto de inflexão. O momento é de parar e perguntar: E agora? Cadê os resultados? Hoje, qualquer investidor está com os dois pés firmes no chão e não quer mais investir, sem garantir o retorno.
Se você tem o hábito de ler publicações especializadas, como a Computerworld, já deve ter percebido a quantidade de notícias boas e ruins sobre a indústria de telecomunicações. Deve ter notado também que a transformação pela qual o setor tem passado nos últimos anos, uma das maiores já vistas no mundo dos negócios, tem sido denominada pelo mercado como uma verdadeira revolução.
Na verdade, houve uma incrível evolução do setor durante o último século, num processo que começou há quase 100 anos, quando as companhias de telefonia iniciaram uma transição, cavando milhares de quilômetros de valas no solo para colocar fios de cobre, unindo residências, bairros e cidades.
Os investimentos, que começaram nos Estados Unidos, logo passaram a ser feitos pelos países mais desenvolvidos da Europa e, mais tarde, pelas demais nações do mundo, num movimento bastante similar à evolução das linhas de telégrafos, iniciada sessenta anos antes.
Há pouco mais de quatro anos, o mundo inteiro realiza uma nova transformação, mais revolucionária ainda, gerada pelo boom das fibras ópticas de alto desempenho. A explosão da internet que encobriu o tráfego de voz nas redes de telecomunicações e o crescimento da demanda por transmissão de dados impulsionaram os novos investimentos nas fibras finas como um fio de cabelo, capazes de dar suporte a 130 mil ligações telefônicas simultaneamente.
A preparação de uma infra-estrutura global que possa atender às necessidades dessas redes de alto desempenho foi intensificada a partir de 1996, alcançando investimentos de US$ 42 bilhões. Apenas 3 anos mais tarde, os gastos dobraram para US$ 82 bilhões, e na virada do milênio, passaram dos US$ 100 bilhões.
Mas nem tudo são flores no mundo das telecomunicações. A crise iniciada pelas empresas pontocom, que afetou grande parte do setor ligado à nova economia, inclusive as operadoras, mudou o cenário. Há um ciclo, como em todos os negócios que exigem grandes investimentos. Após um longo período de aceleração, passamos agora pelo ponto de inflexão. O momento é de parar e perguntar: E agora? Cadê os resultados? Hoje qualquer investidor está com os dois pés firmes no chão frente a um novo investimento, exatamente como nos setores da dita velha economia, na qual uma aprovação de capital para construir uma nova infra-estrutura é difícil e requer comprovação de retorno consistente.
Boa parte das empresas start-ups que conseguiram permanecer em operação administram, atualmente, um grande passivo e lutam pelo retorno dos altos investimentos que realizaram.
Mesmo assim, embora as prestadoras de serviços estejam passando por um momento difícil, os usuários continuam absorvendo cada vez mais tecnologia. O aumento das opções de serviços e o estabelecimento da concorrência vêm pressionando os preços para baixo, tornando possível que cada usuário, seja ele doméstico ou empresarial, amplie sua capacidade de acesso à rede.
Moral da história: momentos de crise podem ser encarados como situações de extrema fragilidade ou como uma chance para novas oportunidades. Nesse caso, acredito que podemos pensar em um futuro promissor, com destaque para o grande potencial de crescimento do setor de telecomunicações no Brasil.