Equivalente aos ?alternate sites?, a terminologia diz respeito a centros com infra-estrutura física e tecnológica de contingência para as empresas
Desastres como o 11 de Setembro ou o incêndio do edifício-sede da Eletrobrás, no Rio de Janeiro, em 2004, foram determinantes para que companhias entendessem a necessidade de ter uma estrutura de contingência de seus dados.
Agora, com as leis e convenções criadas recentemente, como Sarbanes-Oxley, Basiléia II, somadas às métricas de boas práticas como ITIL, CoBit, MSF e Coso, surge também a demanda por infra-estrutura física e tecnológica de contingência.
Apostando nisso, a brasileira Sion, que tem por trás o grupo de investimentos Doupar Participações, montou no bairro da Barra Funda, em São Paulo, o que diz ser o primeiro People Center da América Latina. A terminologia se equivale aos mundialmente conhecidos “Alternate Sites” – espaços onde toda a infra-estrutura de uma companhia pode ser replicada, de forma a garantir a continuidade dos negócios em caso de desastres.
Fabrício Martins, vice-presidente de tecnologia e segurança da companhia, conta que, por exemplo, a Sarbox obriga as empresas a ter contingências não só de dados, mas também de pessoas. Outra proposta, esta da Basiléia II, sugere que o “site alternativo” tem de ser terceirizado. E o DRI (Disaster Recovery Institute) tem como premissa que não se deve mandar pessoas para onde se manda os dados. Ou seja, os problemas precisam ser isolados e os data centers não devem mais ficar criando posições internas de atendimento emergencial.
“É feito o mapeamento dos processos do cliente e toda a sua necessidade de TI é instalada no people center”, explica Martins. De acordo com Martins, o serviço é vendido em um modelo semelhante ao de seguros de carros, em que o cliente paga um valor mensal e tem direito a utilizar a infra-estrutura por um número determinado de dias por mês. “O espaço não é para uso no dia-a-dia, mas especificamente para indisponibilidades”, diz o executivo. Em São Paulo, conforme exemplifica o vice-presidente, o uso do centro de contingência deve acontecer com mais incidência em ocasiões como greve, enchentes ou mesmo o trânsito, que impedem o acesso do profissional ao escritório oficial.
Martins revela que a Sion já investiu 5 milhões de reais nas instalações básicas do People Center, que incluem tecnologia de autenticação por token, equipamentos de call center da Avaya, servidores Dell e outros equipamentos que garantam a disponibilidade ininterrupta de energia e telefonia. Outros 10 milhões de reais, segundo Martins, serão investidos nos próximos meses conforme as necessidades específicas dos clientes.
Sem citar o nome, Martins conta que a Sion já tem um contrato fechado com uma agência internacional de notícias. O executivo ainda revela que a companhia deve anunciar pelo menos outros seis clientes no próximo mês. A meta da companhia é alcançar faturamento de 10 milhões de reais em seus primeiros 12 meses de atuação.