Corporações que migraram para o sistema operacional de código aberto declaram que, mais que economia de recursos, opção envolve estabilidade e segurança.
Vamos deixar o discurso ideológico um pouco de lado e falar de negócios. Esta frase, e variações dela, foi dita diversas vezes por Eduardo Campos de Oliveira, gerente de estratégia de mercado da Microsoft Brasil, durante sua palestra no evento Software Livre nas Corporações, realizado pela TI Brasil Intelligence no mês passado.
Apoiado em gráficos e projeções detalhadas, muitas delas feitas por institutos de pesquisa
Mas se as pesquisas além da seara dos clientes de Bill Gates são exemplos práticos a pesar na balança, já não faltam casos de sucesso nos campos abertos pelo Linux, onde organizações de diversas áreas defendem que, além de fatores econômicos, há de se observar outras razões que justificam a migração para o sistema de código aberto.
A Lojas Marabraz é um bom exemplo. Com 2.700 itens à venda, 96 lojas, uma rede de 140 fornecedores, 2.500 empregados diretos e seis mil indiretos, a companhia decidiu migrar para o Linux no segundo semestre de 2001.
Coisa séria
Entre suas principais motivações estava o objetivo de eliminar barreiras como a dificuldade de atualização de versões do sistema operacional e padronização de sistemas, além de custos e processos com manutenção e suporte. Também era nossa meta trazer mais performance às aplicações, eliminando a instabilidade de sistemas e problemas com vírus, acrescenta Ronaldo de Sousa Guerra, gerente de centro de tecnologia e informática da Lojas Marabraz.
Guerra não faz segredo. Uma ou duas vezes por semana tínhamos queda de servidor na central, o que acarretava vários problemas. Mas o ponto final nesta história ocorreu quando um vírus (FunLove) invadiu nossa rede, mesmo com o sistema de antivírus atualizado. O suporte virou umas três noites para tirar o vírus da rede. Aí não tinha mais jeito. Quando você tem mil estações de trabalho distribuídas em todo o país e há um vírus trafegando de maneira rápida, a coisa fica séria, lembra o executivo.
A decisão foi fazer uma reestruturação geral. No início do projeto, a Marabraz contava com uma equipe de 20 pessoas para gerenciar mil estações de trabalho com diversas versões do sistema operacional Windows; e 78 servidores rodando Novell, NT, Unix e até Linux. Tínhamos oito linhas discadas para internet e acesso simultâneo para 50 usuários de intranet, lembra o executivo.
A mudança total para o sistema de código aberto culminou na contratação da Conectiva, especializada em implementação de Linux. Foram definidas a troca do sistema operacional, das máquinas e a criação de uma equipe técnica. Escolhemos a Dell na troca da estações, as 800 máquinas compradas já chegaram rodando Linux, diz. Segundo Guerra, no início do projeto a capacidade de migração era de apenas uma loja por dia, mas já próximo ao final do programa, concluído em julho de 2002, chegava a quatro lojas em 24 horas.
Mas nem tudo é passe de mágica.
Guerra conta que, atualmente, gerencia necessidades de TI por meio de suporte remoto, e já não é preciso que sua equipe se desloque até as lojas para resolver problemas. Também temos mais segurança e estabilidade, unificamos os sistemas operacionais de servidores e estações de trabalho e personalizamos estações para a área de
Hoje com 1.220 estações de trabalho, 204 servidores e dois mil usuários para gerenciar, o executivo trabalha na criação de estações multimídia para as lojas e disponibilidade de pocket PCs para os vendedores.
Haveria uma certa dose de exagero em dizer que há um espetáculo de crescimento do Linux no setor público, mas é inegável que alguns shows já estão roubando a cena. A Empresa de
Segundo Julio Cezar Neves, coordenador do programa de software livre da Dataprev, até o início de 2004 cerca de 70% de sua base de 50 mil estações de trabalho já terá migrado para o Open Office, conjunto de ferramentas de trabalho do Linux. Isto gerará uma economia em torno R$ 40 milhões por ano só com estas licenças, caso fossemos adquiri-las no mercado, mensura Neves.
Hoje, a Dataprev tem três agências testando a migração (
Não é de hoje que a Dataprev investe em Linux. Segundo Neves, a idéia surgiu há
cerca de dez anos, quando a maioria dos sistemas operacionais da instituição baseava-se em Unix. Fora as estações de trabalho, a Dataprev já roda seus 300 servidores em Samba, um sistema baseado no código aberto Linux.
|Computerworld – Edição 398 – 19/11/2003|