Para impulsionar o negócio, a subsidiária brasileira da Parmalat adapta suas unidades, de acordo com a orientação da matriz ,desde as informações transacionais até as análises estratégicas, que culmina em um projeto de BPM.
Paula Zaidan Em contrapartida, houve uma queda de 1,8% em relação às receitas líquidas no Brasil em razão de despesas não recorrentes, relativas ao plano de reestruturação organizacional. No bojo das mudanças está Tadeusz Prusaczyk, CIO (Chief Information Officer) da companhia e responsável pelos planos de TI que impactarão desde o chão de fábrica até a alta direção. “Tenho que cumprir a implementação de 22 grandes projetos este ano, que reverterão numa economia da ordem de R$ 1,7 milhão para a organização.” Dentre eles, o executivo reforça o término da implementação do BPCS (SSA); centralização do sistema de faturamento com o de gestão, além da conclusão da implantação do software de frete para a área de logística, que também será interligado com os outros sistemas da corporação. Além disso, a força de vendas (hoje com 750 pessoas, cada uma com um handheld) estará integrada com o EDI (IBM). Ao mesmo tempo em que o software de gestão está em vias de entrar em operação total, a subsidiária brasileira implementa o conceito de BPM (Business Performance Management), através da contratação da Cognos, parceiro mundial da corporação. (veja boxe) “O maior desafio é integrar todos os sistemas e realizar a gestão do faturamento centralizada. Todas as ações entram em produção no início de dezembro”, diz Prusaczyk, que assumiu a cadeira há pouco mais de nove meses. Ainda por fazer está a consolidação do parque de servidores numa única máquina IBM RISC P670, que será ligada em cluster com um outro equipamento IBM P650, com storage HP XP 256 (capacidade de 1,5 Tb e já com ocupação de 85% de seu uso). Hoje a companhia possui 27 servidores RISC AIX IBM distribuídos entre as fábricas e centros de distribuição. Matéria-prima A fabricação de produtos (lácteos, sucos e chás, refrigerados, vegetais, conservas e biscoitos) num grupo que congrega sete mil funcionários distribuídos em nove fábricas, sete centros de distribuição e o escritório central exige a consolidação dos sistemas, além da padronização com a matriz italiana, para promover a comunicação entre os países. Até 31 de outubro, os módulos do BPCS entram em produção na área de manufatura nas unidades fabris, além dos módulos de planejamento e controle de produção, custos, fiscal e o MRP (Management Resource Planning). Paralelamente, a companhia consolida o ERP com o sistema de frete (fornecido pela GKO, empresa sediada no Rio de Janeiro) e o sistema de gerenciamento de captação de pedidos Sales Master One (SM1). Para a automação de força de vendas, a empresa utiliza o Quality Four Tecnologies. Todos esses sistemas estarão integrados com o ERP até o final deste ano. Para tanto, o CIO destaca a importância de aumentar a capacidade de armazenamento e por isso estuda as soluções oferecidas pela HP, IBM e MC2. Recheio Recentemente, para suportar a infra-estrutura que se forma, a subsidiária brasileira criou um data center, instalado na sede administrativa em São Paulo. O projeto, implementado em junho deste ano, durou 60 dias para ser finalizado. O objetivo foi unificar as operações da Parmalat e da Batavo (onde a empresa possui 51% das ações da companhia, formada por uma cooperativa). Além disso, a integração com a matriz possibilitou maior agilidade e redução de custos. “Dessa forma, também trocamos a infra-estrutura de comunicação, antes realizada via satélite (Comsat), o que gerou uma economia da ordem de R$ 357 mil/ano”, diz Prusaczyk. A nova infra-estrutura interliga 68 pontos da companhia de laticínios no País, entre eles oito fábricas e 42 centros de distribuição 22 da Parmalat e 20 da Batavo. “A rede de satélite não atendia mais as nossas necessidades. A velocidade era baixa 64Kbps e não rodava adequadamente o nosso pacote de gestão empresarial. Em função disso, fizemos uma concorrência e a Primesys ofereceu a melhor solução de VPN (Virtual Private Network). O mais importante é que estamos evoluindo a nossa rede e contabilizando uma redução de 25% nos custos.” Em fevereiro de 2004, a Parmalat Brasil encerra o projeto de CPM, iniciado em junho de 2002 em parceria com a Cognos. Hoje, segundo Prusaczyk, estão prontos os módulos de rentabilidade e BI (Business Intelligence). “Agora estamos desenvolvendo o orçamento e a conversão dos dados, ou seja, os indicadores para ferramentas de gerenciamento das matrizes.” No Brasil, o banco de dados corporativo é Oracle e, para aproveitar o parceiro global, o executivo trabalha num projeto de intranet e extranet com as ferramentas Oracle Portal, com finalização em dezembro deste ano, que desencadeará outras iniciativas para o próximo ano. Em 2004, os planos no País também acompanham o esboço mundial, com ênfase na entrada para o e-business e e-procurement, projetos coordenados pela matriz. “O desenvolvimento da solução é realizado por uma consultoria parisiense e o roll out para os outros países do mundo ainda está em negociação com as grandes consultorias do mercado mundial.” Na agenda do CIO também está a criação de um site de alta performance para processos corporativos, além de investimentos em CRM e supply chain.
Sob o processo de alinhamento com a matriz na Itália, a Parmalat Brasil S.A. Indústria de Alimentos realiza uma série de adaptações na área de TI (Tecnologia da Informação) para conquistar maiores taxas de crescimento, já que o País registrou uma receita superior a de outros países da América Latina (queda nas receitas em euros da ordem de 17,4% no período, passando a 1,593 bilhão de euros contra os 1,929 bilhão de euros em 2001). Já em terras brasileiras, o balanço consolidado registrou no ano receitas líquidas de R$ 1.646 bilhão, o que representou um crescimento de 15,3% em relação aos R$ 1.428 bilhão obtidos em 2001.
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