A adaptação dos sistemas do Banespa ao Santander só será concluída em 2005, quando a instituição passa a operar integralmente sob a plataforma de gestão mundial denominada Altair.
Depois que o banco Santander incorporou o Banespa, além do Noroeste e Meridional, as instituições brasileiras iniciaram o processo de implementação da plataforma de negócios denominada como Altair, com conclusão prevista para meados de 2005.
Paula Zaidan
Embora tenham sido adquiridos pelo banco Santander Central Hispano (BSCH) em meados de 2000, os bancos Banespa, Noroeste e Meridional encerram o processo de padronização de suas plataformas de negócios que abrange outros países da América Latina no final de 2005. Desde que passou pela fusão com os espanhóis, a instituição financeira paulista, por exemplo, passou por uma série de mudanças, principalmente no que tange à infra-estrutura tecnológica.
Batizada como Altair, a arquitetura começou a ser desenvolvida em parceria com a Accenture em 2001, quando foi iniciado o Plano de Desenvolvimento do Negócio para que, no ano seguinte, os primeiros módulos, como contabilidade, pessoas, poupança e CDB, entrassem em operação. Em 2004, partiremos para as áreas mais críticas que são conta corrente e ativos, que iniciaram o desenvolvimento neste ano, diz Aurelio Velo, vice-presidente de meios do Santander/Banespa.
O montante aplicado na nova plataforma não foi divulgado em função das várias etapas de implementação. Porém, serão dedicados R$ 750 milhões à área de TI (Tecnologia da Informação) do grupo em 2003, uma quantia bastante inferior se comparada à primeira etapa de investimento no Banespa quando da sua aquisição.
Dessa forma, Angel Corcóstegui, chairman da instituição financeira espanhola, atinge a sua meta de colocar todas as unidades do banco numa plataforma unificada, já que a soma para modernizar a infra-estrutura de TI do Banespa foi de US$ 16 milhões, aplicados na troca de ATMs (terminais de auto-atendimento), servidores e estações de trabalho, além de aplicativos como o sistema operacional nas 576 agências espalhadas pelo País. Um exemplo: a instituição financeira trocou o DOS pelo Windows 2000, com banco de dados Oracle.
Apesar disso, alguns ajustes ainda serão realizados tanto na parte sistêmica como também na espinha dorsal do banco, cujo projeto resume-se na migração para uma arquitetura baseada em Java e WebSphere, com as regras do negócio centralizadas no mainframe. Essa empreitada está contida em um conjunto de medidas denominado Projeto Atacama.
Paralelamente, outras ações indiscutíveis para a saúde de qualquer banco continuam em evolução, como o desenvolvimento das políticas de CRM (Customer Relationship Management).
Relações afinadas
Enquanto o discurso de algumas instituições financeiras centra-se na integração com toda a comunidade através da Internet, como é o caso do Banco do Brasil, o Santander constrói um novo sistema central, que será finalizado em 2004. Esta renovação estabelecerá a base para a estruturação das tecnologias e políticas de CRM, cuja meta é proporcionar um alinhamento global.
A solidificação desta área reforça o estudo realizado pela i-flex Solutions Inc., empresa que atua na oferta de soluções integradas de TI para a indústria de serviços financeiros. Durante o CIAB 2003, a companhia entrevistou diversas instituições financeiras e concluiu que a retenção de clientes por meio de CRM é a prioridade número um do País para este ano. O levantamento também demonstra que 71% dos entrevistados pretendem aumentar seus investimentos em terceirização, o que deve começar a sair do papel a partir do segundo semestre de 2003.
Em outubro de 2000, o banco Santander/Banespa, adquiriu 2,7 mil licenças da Siebel Systems para gerenciar o atendimento de mais de seis milhões de clientes em todas as centrais de call center do País. Todo esse trabalho contou com o suporte das consultorias IBM e Procwork, além da unidade de serviços TAM (Technical Account Manager) da Siebel.
Atualmente, todos os aplicativos rodam sob a plataforma Windows NT 4.0, servidores de aplicação Siebel, máquinas multiprocessadas Intel clusterizadas e sistema operacional Windows NT 4.0 SP6a, baseados em banco de dados Oracle 8.1.7 com servidor multiprocessado Unix IBM AIX.
Oásis no deserto
Do norte do Chile para o Brasil, o Atacama perde o título de deserto para transformar-se em um projeto global de migração da infra-estrutura do banco Santander/Banespa, com previsão de conclusão para o final de 2004.
Hoje, o parque instalado de equipamentos nas agências, postos de atendimento e quiosques somam 2.600 pontos, com equipamentos fornecidos pela IBM, Unisys e Procomp. Dentro do planejamento atual, o objetivo é substituir as máquinas para melhorar a oferta de serviços, mas ainda não há uma definição de qual será o fornecedor. Com a administração de um único contrato, os níveis de serviço aumentarão e haverá menos riscos de constante manutenção.
Também faz parte dos planos da instituição financeira um estudo para a migração do sistema operacional que atualmente é Microsoft Windows, tanto no servidor como nas estações de trabalho, com base de dados descentralizadas, utilizando Oracle no Banespa e Sybase no Santander, comunicando-se com o mainframe para sensibilização das operações e roteamento das mesmas entre as agências.
Evolução
Ainda em fase de reestruturação com os espanhóis, o Banespa conquistou bons resultados desde a fusão no que se refere às compras online. Os primeiros passos foram dados em 2000, quando o Santander optou pelo modelo de leilão reverso (onde ganha quem oferece o menor preço) para a aquisição de equipamentos por meio da empresa ProcuraDigital, braço tecnológico do BSCH.
Na ocasião, a instituição adquiriu 1.109 switches da Avaya, 2.169 impressoras da Lexmark e 557 PABX, fornecidos pela Siemens. O levantamento de preços foi realizado em apenas três semanas, sendo determinado aos participantes que apresentassem seus lances ao comprador antes da data do leilão online.
No segundo semestre do ano passado, o grupo repetiu a dose e conquistou uma economia de R$ 8 milhões na escolha da empresa de transporte de valores. Responsável pelo leilão reverso, a ProcuraDigital detalhou os gastos do Santander e do Banespa com os serviços, conforme as regiões do País e tipos de transportes contratados (intermodal, rotineiro, eventual e especial).
As soluções encontradas garantiram maior otimização no atendimento aos mais de 2.200 pontos envolvidos, além de uma gestão financeira mais enxuta. O número de fornecedores foi reduzido de cinco para quatro e para cada Núcleo Regional de Numerário foi estabelecido o atendimento por apenas uma empresa transportadora. Nesse caso, a negociação foi offline e durou cerca de três meses entre homologação de fornecedores, concorrentes, recebimento de propostas e fechamento do negócio.
A instituição financeira também obteve redução nos gastos com telecomunicações neste ano, quando fechou o contrato com a Telefônica Empresas para todos os serviços de WAN (rede de dados nacional), LAN (rede local) e PABX. O contrato, válido por cinco anos, prevê a prestação de serviços para 2.600 pontos de presença do Santander/Banespa no País, incluindo agências, postos bancários, quiosques e prédios administrativos.
|Computerworld – Edição 389 – 09/07/2003|