Corporações descobrem as qualificações das ferramentas de Tecnologia da Informação para descentralizar as atividades de recursos humanos, aparar arestas financeiras e aprimorar a gestão de suas equipes.
Gerenciar talentos humanos também requer muita tecnologia. Esta é a descoberta diária de companhias como Souza Cruz, O Boticário, Construtora Andrade Gutierrez e GVT (Global Village Telecom).
Com a ajuda de ferramentas desenvolvidas internamente, pacotes de BI (Business Intelligence), sistemas de gestão e especialmente da Internet, as corporações ampliam os horizontes dos departamentos de recursos humanos promovendo a Tecnologia da Informação além dos sistemas de folha de pagamentos.
A Souza Cruz partiu do princípio de que o pessoal de recursos humanos 123 funcionários em um time fixo de 5 mil pessoas deve atuar de forma estratégica nos negócios da empresa. O papel do gerente de RH não é mais resolver férias ou promover funcionários. Ele apóia cada área da empresa como um gestor de negócios, explica Alexandre Franco, analista de negócios e um dos cinco especialistas em TI que integram a equipe de suporte de RH da empresa.
A capacitação dos gestores de RH deu origem a profissionais especializados em áreas como negociações com sindicatos e avaliação de cargos e salários. As funções do cotidiano, por sua vez, foram descentralizadas com o advento da Internet.
Desde 1997, a empresa trabalha dentro do conceito self service. Um call center de RH com 15 profissionais soluciona as dúvidas dos funcionários e há um portal corporativo com ferramentas de consulta a procedimentos, que também abriga uma universidade virtual, e permite o acompanhamento dos funcionários pelos gerentes de negócios. Nesta etapa, entra em cena a plataforma de BI, implantada há cerca de um ano pela Souza Cruz.
Conforme explica Franco, a empresa dividiu seus usuários de BI em três grupos: os gerentes de RH que usam dados analíticos para dar consultoria a questões específicas do setor; os gerentes de áreas que utilizam as ferramentas para detalhar o acompanhamento de seus funcionários e tomar decisões estratégicas a respeito de suas equipes; e o grupo de funcionários.
Segundo o analista de negócios, atualmente as ferramentas estão restritas ao público de RH e praticamente todo o desenvolvimento de relatórios já está pronto para utilização pelos outros grupos. Movimentações de funcionários, avaliação de desempenho, relatório de custos de folha de pagamento e relatório de horas extras estão entre as possibilidades de análise para suporte a decisões na Souza Cruz. Se o gerente não tomar cuidado com o prazo legal para que seus funcionários tirem férias, corre o risco de prejudicar a produção em momentos de pico, observa Franco.
Portas abertas
Pela janela do browser, os funcionários do O Boticário enxergam o trabalho de recursos humanos com transparência. É o que garante Vicente Garcia, consultor de tecnologia da fabricante de cosméticos. Hoje, todas as áreas podem consultar o banco de horas (extras), a rotatividade de funcionários, reservar eventos, fazer compras de produtos pela associação da companhia e até reservar o cardápio light opcional para a refeição do dia seguinte.
Ronaldo de Menezes, coordenador de recursos humanos da empresa, adianta que, até o final do ano, será inaugurado um portal de cara nova. Estamos pensando em colocar um simulador salarial para que os gestores possam avaliar a remuneração de suas equipes, evitando que todas as consultas neste sentido gerem relatórios pela equipe de RH, além de programação de férias e realização de treinamentos, para os quais estamos consultando as necessidades dos funcionários, detalha Menezes.
Reformular a operação de intranet para torná-la mais atrativa aos usuários internos também é uma das tarefas da área de recursos humanos da Construtora Andrade Gutierrez. Hoje, segundo Pedro Ricco, diretor de recursos humanos e comunicação corporativa da empresa que tem 4 mil funcionários, as ferramentas de TI são fundamentais para a equipe de RH que conta com 16 pessoas.
Entre os auxiliares virtuais, está a ferramenta Administrativo Online que fornece informações de contracheque, comprovantes de rendimentos e relatório de funcionários via Web, permitindo o acesso remoto até mesmo entre as cerca de 40 obras realizadas atualmente pela construtora no Brasil.
Assim como a Andrade Gutierrez, a operadora GVT também iniciou seu processo de seleção para a oferta de cursos e treinamentos via Web. Temos poucas iniciativas de e-learning e isso pode se tornar um monstro se não for bem avaliado, alerta André Maionchi, vice-presidente de RH da GVT, que avalia os casos de implantação de outras corporações para seguir o melhor caminho.
Automatização
Embora seja uma empresa relativamente nova, a operadora espelho da Brasil Telecom, que atua no mercado local desde novembro de 2000, já investiu US$ 300 mil somente na implantação do módulo de recursos humanos do ERP (Enterprise Resource Planning) R/3 da SAP, que entrou em operação em setembro do ano passado.
Sobre este módulo, o executivo destaca o uso de uma ferramenta de recrutamento que agiliza o processo de seleção de pessoal em uma espécie de sistema de buscas por palavras-chave. O mesmo ocorre com os cerca de 2 mil currículos que a empresa recebe mensalmente. A maioria chega pelo portal da companhia e já vai direto para o sistema, explica o vice-presidente de RH da operadora.
Além de agilizar o processamento da folha, Maionchi frisa melhoras na satisfação dos funcionários como um resultado paralelo à implantação de sistemas como o controle de horas extras feito pelo software Ronda Web, da Senior Sistemas. Antes, o processamento em papel acabava adiando o pagamento das horas extras para o mês seguinte, gerando insatisfação, compara o executivo.
Entre tantas qualificações tecnológicas, o time de ferramentas de TI ganha cada vez mais espaço nas áreas de RH. Do lado de dentro, enquanto aparam arestas financeiras, as corporações usam a tecnologia para modernizar a comunicação e a gestão de pessoal.
Na visão de Ronaldo de Menezes, coordenador de recursos humanos do Boticário, as ações de tecnologia vêm abrindo a caixinha de surpresas de RH. A TI facilita muito na descentralização de alguns controles, permitindo o acesso rápido e seguro às informações. O RH está colocando para fora as informações e passando a contribuir mais para a gestão das pessoas função que os próprios gerentes de negócios precisam desenvolver, conclui Menezes.
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|Computerworld – Edição 366 – 19/06/2002|