Como uma das gigantes no segmento de aves e carnes processadas, a Seara Alimentos mantém a concorrência no mercado apoiada no modernização de seu negócio. Depois de três anos, período de alinhamento dos processos internos, a organização apostou num projeto de intranet, cujo objetivo é melhorar a comunicação entre as nove unidades de negócios (sete de aves e duas de suínos, distribuídas entre São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul), centros de distribuição e os escritórios no exterior.
Desde que a Bunge Internacional assumiu o controle acionário da Ceval, em dezembro de 1998, houve a cisão da divisão carnes e a construção da Seara como empresa independente a partir de 1999. Desde então, a companhia iniciou uma jornada em que a TI (Tecnologia da Informação) foi entendida pelos acionistas como fonte de oportunidade para ampliar os negócios.
Marcos Augusto Bazzan, gerente de informática da organização sediada em Itajaí (SC), informa que os ajustes considerados críticos foram realizados entre 1999 e 2000, quando contratou a consultoria da Plaut para realizar um diagnóstico dos sistemas corporativos da Ceval que atua no mercado de soja e definir se atenderiam às necessidades da Seara.
Porém, assim como inaugurar um portal corporativo é um dos desafios para este ano, também outras iniciativas previstas para 2003/2004 serão incorporadas para lapidar o negócio.
“Atualmente buscamos um sistema que atenda toda a cadeia do segmento agropecuário, especialmente suínos, uma área em que não existem fornecedores no País. Além disso, estamos finalizando a implantação do sistema de rastreamento de frota; centralização de todos os usuários no Citrix MetaFrame (software que permite a distribuição de qualquer aplicativo para todos os dispositivos); e a migração da rede para voz sobre IP (Internet Protocol)”, diz Bazzan.
O período 2002/2003 será marcado por um investimento de R$ 100 milhões, voltados ao aumento da produtividade, aplicação de produtos e atualização tecnológica. A fábrica de Itapiranga (SC) acaba de ser instalada com equipamentos de última geração para exportar os frangos termoprocessados.
Exportação de idéias
Com forte presença no mercado externo, a companhia possui escritórios em Buenos Aires (Argentina), Amsterdã (Holanda) e Cingapura (Ásia). Diante da dispersão geográfica, em março de 2002 a área de TI iniciou um projeto para implantar um portal corporativo.
Antes disso, Bazzan lembra que era preciso disseminar essa cultura no mundo Seara, já que os colaboradores não tinham o hábito de utilizar uma intranet. “Contratamos uma empresa de Joinville para treinar e implantar a comunicação interna através da Web e em agosto o departamento de recursos humanos foi o primeiro usuário da tecnologia”, diz o executivo.
Em meados de outubro, a agilidade e o desejo de uma ferramenta capaz de atender as exigências da Seara levaram Bazzan a contratar a Conectt com sede no Rio Grande do Sul, especializada em portais corporativos e sistemas de Tecnologia da Informação baseados na Web (veja box).
O Conectt i3, baseado em Java e ASP, foi a solução adotada. De acordo com o gerente de TI, ela é capaz de concentrar todas as informações do grupo como serviços e sites que os funcionários mais acessam, inclusive a instituição financeira do colaborador.
“Estamos numa fase de pesquisa sobre quais endereços na Web os profissionais acessam”, informa o executivo quando lembra que o portal corporativo também proporciona segurança nas informações. Segundo ele, assim que as workstations são ligadas, a página da intranet é aberta com todos os aplicativos utilizados pelos usuários.
Legado
Em março de 1999, a Seara iniciou as suas atividades em Itajaí. Depois de 120 dias mapeando os processos sob a consultoria da Plaut iniciativa realizada já em 2000 a conclusão foi que a base do sistema corporativo da Ceval atendia a organização. Em contrapartida, algumas áreas críticas deveriam desenvolver ou adquirir outras soluções. “De acordo com o diagnóstico da empresa contratada, a companhia deveria olhar com mais atenção para as áreas de agropecuária, aves e suínos, logística e transporte, porque eram atendidas de forma deficitária”, declara Bazzan.
O executivo de TI reforça a sua dificuldade porque o mercado brasileiro não oferece software especializado nesse segmento, o que foi um obstáculo para a implantação de sistemas que atendessem as necessidades dessas unidades de negócio.
Para aves, a solução adquirida foi da MTEC, desenvolvida inicialmente em base de dados Access e depois migrada para Oracle. Todo o processo de implementação e upgrade durou um ano e oito meses, com término em outubro de 2001. “Preferimos não utilizar Access porque torna os sistemas departamentais de difícil integração com os outros aplicativos corporativos”, observa Bazzan, que contou com a consultoria da Assis Associados sediada em São Paulo para a concretização do projeto.
Segundo o gerente de TI, o retorno sobre o investimento foi alcançado depois de um ano de operação do sistema, que atende toda a cadeia do segmento de aves. Ele afirma que não pôde parametrizar resultados, porque ao longo do processo o negócio foi ampliado, assim como o número de plantas.
“Durante o dia as informações gerenciais extraídas desse sistema chegam às estações de trabalho dos diretores”, explica. Por outro lado, a mesma sorte em desenvolver tal tecnologia ainda não aconteceu na área de suínos, justamente pela falta de fornecedores e desenvolvedores que entendam o negócio. Bazzan adiantou que até o final deste semestre terá escolhido um software ou parceiros para desenvolver o sistema.
Na área de logística e transporte, a companhia adquiriu o TrackSat, software de rastreamento de frota da Exilog Soluções Logísticas, de Curitiba. As frotas são rastreadas via satélite.
Já para o abastecimento dos centros de distribuição, a companhia obteve a ferramenta fornecida pela LBO, que atende empresas como a Coca-Cola e Ambev. “Hoje, o carregamento dos caminhões está mais racional e ágil”, diz o executivo de TI.
Centro de custo
A contratação dos projetos de TI da Seara é realizada sob demanda. Cada área usuária possui seu orçamento. Essa metodologia é parte da cultura da companhia que, desde 1998, deixou de usar satélites (fornecidos pela Vicom/Embratel) nos centros de distribuição. Antes, os centros possuíam servidores próprios. Após a migração dos equipamentos para HP/Compaq, toda a operação foi centralizada na matriz, em Itajaí.
Na ocasião foram desativados seis satélites e atualmente a infra-estrutura de telecomunicações das unidades de negócios é da Brasil Telecom. “Hoje, mantemos os satélites da Embratel e Vicom como solução de contingência.”
Para a telefonia, as unidades de negócios utilizam Frame Relay e canal de voz. “Em novembro, iniciamos um piloto na cidade de São Paulo com a Brasil Telecom e a Siemens do Brasil para adotar voz sobre IP. A intenção é mergulhar na convergência de voz e dados porque esse é um caminho sem volta”, reflete Bazzan, que pretende fazer o roll out para outras unidades da organização ainda sem data marcada.