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Balanced Scorecard: a corporação é o foco

Em um cenário econômico adverso é fundamental não ficar à deriva. Ao atravessar tempestades, o primeiro mandamento é manter o rumo. Esta é a promessa do Balanced Scorecard (BSC), uma metodologia que estabelece metas estratégicas para a empresa e monitora seu desempenho por meio de indicadores de performance.

Publicado: 14/03/2026 às 09:13
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27 minutos
Balanced Scorecard: a corporação é o foco
Construção civil — Foto: Reprodução

Com ajuda da TI, a metodologia de gestão entra em sua segunda década de existência como uma das principais armas para manter as empresas centradas em seus objetivos


RICARDO CESAR


“As coisas que são medidas melhoram, as que não são medidas não melhoram.” Foi o que disse Julie Meyer, a fundadora do First Tuesday, evento que se tornou uma coqueluche mundial durante a época de ouro da Web, em uma entrevista à IDG Brasil em seu apartamento em Londres, há quase dois anos. Na ocasião, as festas já haviam terminado para a primeira dama da Internet, como Julie era conhecida. O empreendimento tinha fracassado globalmente e sua criadora comentava sobre as lições da empreitada. Esta talvez tenha sido a maior delas.


Foi justamente para ajudar as empresas a determinar o que merece ser medido e como fazer isso de forma eficiente para a estratégia da corporação que surgiu a metodologia chamada Balanced Scorecard (BSC). Trata-se de um método de gestão empresarial no qual objetivos estratégicos são estabelecidos e monitorados por meio da definição de indicadores de performance. O termo foi cunhado por Robert Kaplan e David Norton em um artigo conjunto na Harvard Business Review, em 1992 (leia entrevista exclusiva de Norton ao COMPUTERWORLD na página 19).


Cerca de onze anos depois, a metodologia é empregada por algumas das maiores corporações do mundo e ganha aceitação crescente. Em boa medida, isso se deve à Tecnologia da Informação (TI), que automatizou o método e permitiu aplicá-lo mesmo nas organizações mais complexas. É importante frisar que Balanced Scorecard não é algo isolado. Existem diversas outras metodologias de indicadores de performance, como Activity Based Costing ou SixSigma. Mas BSC é o mais influente membro desse grupo atualmente.


O modelo de Balanced Scorecard permite que uma corporação obtenha uma perspectiva mais ampla em suas decisões estratégicas por considerar quatro perspectivas: a financeira, a dos clientes, a de processos e a de inovação. O argumento é que, embora sejam importantíssimos, os indicadores financeiros não bastam. Não é possível pilotar um avião olhando só para o ponteiro de combustível, embora este seja um indicador que não pode ser desconsiderado. Da mesma forma, a empresa precisa estar atenta a diversos aspectos para saber se vai chegar a algum lugar.


Bem apadrinhado


Quais os benefícios do BSC? A metodologia deixa a estratégia tão transparente que cria uma unidade de todos os diretores em torno dela, afirma Mathias Mangels, sócio-diretor da consultoria Symnetics. Com BSC consegue-se dar foco e dizer o que é mais crítico. A metodologia garante que os recursos estão indo para os processo que realmente criarão valor para a empresa.


O BSC é um remédio para um mal que atinge muitas organizações: a dificuldade para fazer a estratégia chegar às áreas operacionais, o que acaba se traduzindo em problemas para tirar o planejamento do papel.


A tecnologia é uma engrenagem fundamental para colocar o BSC em movimento, mas não basta. BSC é uma metodologia ampla que envolve diversos componentes e mexe com a própria cultura de uma corporação. Justamente por ser tão complexa e envolver toda a estrutura empresarial, uma iniciativa desse calibre deve partir da alta direção e, se possível, do próprio presidente, sob risco de servir somente para encher os bolsos de consultorias e fornecedoras de software. Um projeto de BSC precisa nascer bem apadrinhado para vingar. Trata-se de uma iniciativa que, por definição, tem de ser top-down, ou seja, vir de cima.


No entanto, ao decidir levar a cabo uma estratégia desse tipo, cedo a presidência da companhia perceberá que a implantação precisa de indicadores, que nada mais são do que os dados da empresa. Esta é a hora em que o projeto de BSC bate à porta do departamento de tecnologia. E o executivo de informática deve estar pronto não apenas para escutar, mas para sugerir caminhos. O BSC oferece uma grande oportunidade para que o CIO participe diretamente das discussões estratégicas, afirma David Norton, um dos pais da metodologia.


Para Mangels, da Symnetics, a implantação do modelo de BSC deve ser norteado por cinco princípios. O primeiro deles é que a direção esteja comprometida a colocar os recursos da empresa a serviço da estratégia – afinal, os primeiros grandes usuários de BSC são os diretores, porque são os responsáveis pelos controles de governança da empresa.


Segundo, é fundamental traduzir a estratégia em objetivos bem delineados, que serão medidos por indicadores selecionados para isso. O terceiro princípio é desdobrar a estratégia pela empresa, não somente em áreas-fins, mas também para as áreas de suporte (contábil, financeira, TI, RH). O quarto ponto é fazer com que cada funcionário contribua com ações e atitudes para a estratégia, o que pode ser feito inclusive com prêmios e bonificações. Isso significa levar a estratégia global para a prática diária de cada pessoa da empresa. O quinto e último ponto é orquestrar tudo isso para tornar a estratégia algo constante dentro da empresa.

Mercado verde


De 1992, quando o conceito foi desenvolvido, até por volta de 1996, a metodologia foi testada apenas em caráter experimental. Em 2001 BSC ganhou evidência e em 2002 já era possível listar muitos cases, mas poucos mereciam o apêndice de sucesso que sempre se tentou vender no mercado. A partir deste ano, espera-se que iniciativas consistentes tornem-se mais comuns.


Já existem alguns bons projetos de BSC no mercado brasileiro, como o da Petrobras. A estatal passou de setembro de 2001 a outubro de 2002 refinando uma sistemática de avaliação de desempenho e, paralelamente, estruturando a arquitetura de TI para isso. Hoje o sistema da Petrobras contempla 86 painéis, com cerca de 21 objetivos estratégicos cada e 1,5 indicador atrelado a cada objetivo, em média. A estrutura está em todo o lugar em que a empresa tem unidades de negócios, incluindo Cone Sul, países da África e EUA, além do território nacional.


Exceções à parte, a fase de projetos maduros como regra deve demorar mais alguns anos para se firmar. BSC ainda não decolou no Brasil. É um mercado que está verde, afirma Júlio Moravia, vice-presidente de negócios da Relacional, consultoria especializada em TI. Consciência de BSC hoje todo mundo tem, diz Roberto Rinaldi Jr., sócio-diretor da ProBusiness, consultoria voltada para processos de negócios. Mas isso na teoria. Na hora de fazer, ainda falta conhecimento.


O custo de um projeto de BSC varia muito e é determinado por fatores como o tamanho da empresa, a ferramenta de TI, a presença de uma consultoria e a base pré-existente de sistemas. De qualquer forma, a conta que a empresa deve fazer ao decidir por um projeto de BSC está longe de ser uma matemática direta. Em tempos de crise é preciso manter a companhia focada naquilo que é essencial  exatamente o que a metodologia possibilita. Determinar o quanto isso vale para a empresa é a melhor forma de calcular o valor de um projeto de BSC. Mas, antes de fechar a conta, é preciso lembrar de descontar o risco de fracasso: cerca de metade das implantações não gera os resultados esperados.

Mercado para quem tem fôlego


Fornecedores de ERP e grandes companhias de software aproveitam a base de clientes para avançar no nicho de ferramentas de BSC


As fornecedoras de software de Business Intelligence são as grandes estrelas no setor de ferramentas para Balanced Scorecard, mas algumas nuvens ameaçam roubar o brilho e o mercado  dessas companhias. São as fornecedoras de sistemas de ERP e algumas das gigantes do mundo de TI, que estão de olho no potencial desse segmento. Além do poder de fogo que o próprio tamanho de algumas dessas empresas garante, os clientes já estabelecidos facilitam o fechamento de novos negócios.


O fato de a solução de BSC ser integrada com nossos demais produtos é uma vantagem. Além disso, temos uma grande base de clientes e consultorias que trabalham conosco, afirma Lúcia Navarro, gerente de consultoria de vendas da Oracle. Isso facilita, admite. A oferta da empresa para BSC é o Oracle Balanced Scorecard. Três clientes utilizam o produto no Brasil  Alcoa, Embrapa e Receita Federal. Mundialmente, mais de 230 companhias usam a solução.


Já a IBM quer devorar o mercado de BSC pela beirada da consultoria, estratégia que foi reforçada com a aquisição da PwC Consulting. Queremos implementar a estratégia de BSC de ponta a ponta, conta José Jorge de Souza e Silva Filho, consultor da divisão de Consulting Services da IBM. A principal ferramenta da big blue para BSC é o DB2 Olap Server, um kit que empacota o banco de dados da IBM com a ferramenta de BSC da Hyperion.


Mas os fornecedores de ERP talvez representem a principal ameaça para as empresas de soluções de BI que entraram no mercado de BSC. A gigante SAP, por exemplo, tem um pacote de soluções de gerenciamento chamado Strategic Enterprise Management (SEM). O BSC é uma das funcionalidades dessa solução. A palavra-chave é integração, porque os dados vêm do ERP, diz Meva Duran, diretora de pré-vendas da SAP Brasil. No mercado nacional, a empresa possui clientes de BSC como o Unibanco e a Siemens.


A aposta da JD Edwards é a sua plataforma de Business Intelligence, construída sobre o conceito de BSC. “É uma ferramenta de análise que faz com que o data warehouse seja carregado automaticamente, explica Marcel Miranda, consultor de soluções da JD Edwards. Geralmente vendemos o produto integrado, como um pacote.


Outra companhia que tem uma solução de BI integrada ao sistema de gestão empresarial é a PeopleSoft. Como ocorre com suas concorrentes, o sistema de BI que a PeopleSoft chama de EPM (Enterprise Performance Management) já possui características baseadas nos conceitos do BSC. No entanto, o EPM utiliza sempre ferramentas de terceiros, como Cognos, Microstrategy, Hyperion, Business Objects, entre outras. Essas fornecedoras são concorrentes e, ao mesmo tempo, parceiras, diz José Máximo Paula Santos, diretor de tecnologia da PeopleSoft.


O executivo afirma que existem dois tipos de mercado para BSC: aquele composto pelas empresas que já têm um ERP sedimentado e que agora buscam soluções mais específicas e outro formado por companhias que estão estruturando o sistema de gestão empresarial e que, por estarem no bojo de um processo de implementação, são convencidas a irem até o fim e adotarem uma solução completa. É neste segundo mercado que a PeopleSoft tem conseguido emplacar sua plataforma de BSC. Chegamos com a solução transacional e oferecemos junto a analítica. Essa estratégia tem tido aceitação.




















O que o BSC permite:
– Visão dos negócios a partir de perspectivas diferentes
– Melhor elaboração e monitoramento das estratégias
– Análise das relações de causa e efeito, ou seja, um executivo pode “navegar” intuitivamente a partir de um indicador macro e “explodi-lo” em sub-indicadores até a ocorrência do fato.
– Alinhamento e compartilhamento da visão e metas desde o nível estratégico até o tático e operacional
– Melhor definição dos planos de ações
– Agilidade no processo de decisão
– sColaboração por meio de mecanismos para compartilhar a informação analítica



Existem erros estratégicos, alerta especialista


Um dos pais do conceito de Balanced Scorecard, David Norton alerta, em entrevista exclusiva para o COMPUTERWORLD, que 50% das organizações estão utilizando BSC de forma errada


Em 1992, em um artigo a quatro mãos publicado na Harvard Business Review, David Norton e Robert S. Kaplan cunharam o termo Balanced Scorecard e apresentaram ao mundo corporativo uma metodologia de gestão de estratégia que vem ganhando crescente aceitação. Hoje os dois especialistas estão à frente da Balanced Scorecard Collaborative, entidade que propaga o conceito de BSC e certifica ferramentas de TI que se propõem a seguir a metodologia. Confira a entrevista que David Norton concedeu via e-mail à edição brasileira do COMPUTERWORLD.


CW: Onze anos depois que o Sr. criou o termo Balanced Scorecard (BSC) , o que mudou no conceito e na implementação de BSC?


Norton: Quando Bob Kaplan e eu desenvolvemos o conceito de Balanced Scorecard, em 1992, procurávamos incrementar as medições financeiras baseadas em fatos passados com medições de aspectos internos, de clientes e pessoas e com viés mais direcionado para diretrizes futuras. A idéia simples que as organizações precisam medir mais do que o aspecto financeiro  evoluiu nos últimos dez anos para formar a fundação de um sistema de gerenciamento com foco estratégico. Nosso segundo livro, The Strategy-Focused Organization (A Organização Focada em Estratégia), mostra como as empresas que primeiro abraçaram o conceito puderam transformar suas organizações e executar a estratégia utilizando a estrutura de Balanced Scorecard.


CW: Quais são os principais problemas que podem levar uma estratégia de BSC a fracassar?


Norton: Na Balanced Scorecard Collaborative, fazemos muitas pesquisas sobre como as organizações usam o BSC e quais são os fatores críticos para obter sucesso. Descobrimos que 50% das organizações estão utilizando BSC de forma errada. Especificamente, os três maiores fatores que resultam em falhas são: não há liderança executiva, não há ligação com a estratégia e não há integração com o processo de gerenciamento. Feito da forma correta, o BSC consegue grandes resultados. Feito de forma incorreta, corre-se o risco de perder uma oportunidade.


CW: Qual é a importância do componente tecnológico para uma implementação de BSC?


Norton: Tecnologia da Informação está se tornando cada vez mais uma parte crítica de uma implementação de BSC. A integração com os processos de negócio é melhor viabilizada pela tecnologia. Em organizações grandes e complexas, descobrimos que a tecnologia para desenhar, reportar e gerenciar é vital para tornar o BSC uma parte do processo diário de gerenciamento. Mas não estou defendendo que as organizações saiam e invistam imediatamente milhões em tecnologia. A decisão tecnológica deve ser feita em sintonia com as decisões da organização sobre estratégia e direcionamento.


CW: Quais são os maiores desafios para o CIO quando o departamento de TI é instado a oferecer soluções para um projeto de BSC?


Norton: Eu recomendo fortemente aos CIOs que receberam a tarefa de implementar um BSC que dêem um passo para trás e pensem sobre como o BSC se encaixa na estratégia geral de uma organização. O projeto vai ao encontro de fatores críticos para o sucesso, como liderança executiva, alinhamento com a estratégia e integração com o sistema de gerenciamento ou é apenas mais uma boa idéia na organização? O BSC oferece uma grande oportunidade para que o CIO participe diretamente das discussões estratégicas, mas isso não vai acontecer se não houver compreensão e liderança do topo, mostrando que se trata de um programa de mudanças.


CW: Quais os fatores levados em consideração para certificar um software como uma boa ferramenta de BSC?


Norton: À medida que o BSC cresceu em popularidade, houve um risco real que o mercado de software começasse a definir o que é um BSC. Nosso programa de certificação de software, lançado há quatro anos, foi desenvolvido para ajudar a gerenciar esse risco definido as características mínimas do que chamaríamos de solução de BSC. Todas as aplicações certificadas pelo Balanced Scorecard Collaborative atingiram os padrões mínimos que estabelecemos, que incluem requerimentos como a possibilidade de exibir um mapa estratégico, facilitar conversações estratégicas e ir dos objetivos estratégicos às medidas estratégicas. Existem atualmente 17 aplicações certificadas.


Corporações testam as águas do BSC


Algumas empresas nacionais já investem em Balanced Scorecard, mas os resultados são heterogêneos. Conheça os casos da Telefônica Celular, Embrapa e Comgas


Fazer com que todos os funcionários compreendam a estratégia da empresa e colaborem para viabilizá-la é um dos principais desafios do mundo empresarial. A metodologia de Balanced Scorecard é um bom caminho para atingir esse objetivo, como ilustra o caso da Telefônica Celular. Há dois anos a operadora detectou o problema da falta de comunicação e resolveu rezar pela cartilha do BSC.


A implementação começou em 2001 e a utilização efetiva começou no ano seguinte, com cerca de 200 usuários da ferramenta de BSC da Gentia. O resultado tem sido positivo  tanto que a empresa está se preparando para estender o uso para 400 funcionários. A metodologia permitiu comunicar a estratégia, criar e controlar os planos de ação e armazenar conhecimento, explica Carlos Raimar Schoeninger, diretor de planejamento estratégico da Telefônica Celular.


O executivo avalia que o uso da ferramenta de BSC foi heterogêneo. Mas quem soube aproveitar a oportunidade, ganhou. Dentre as várias empresas que compõem o grupo, as operadoras que mais se preocuparam em seguir a metodologia foram as que conseguiram incrementos mais substanciais em seus resultados, conta Schoeninger. Devido à joint-venture com a Portugal Telecom, a empresa vai reestruturar e ampliar o projeto de BSC.


Outro exemplo de bons resultados com o uso da metodologia é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Como não possui fins lucrativos, a companhia pública teve de ajustar seu modelo de BSC para medir o retorno social ao invés do lucro. O uso de BSC começou em 1997 na unidade de Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro. Daí, a experiência foi gradativamente ampliada.


Em 2001, quando a Embrapa se preparava para levar o BSC a 40 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil, foi preciso escolher uma ferramenta de TI que viabilizasse o projeto em larga escala. A escolha ficou com a Oracle, que, segundo o gerente do departamento de organização e desenvolvimento da Embrapa, Paulo Sérgio Fresneda, montou gratuitamente um sistema piloto para que a solução fosse testada, ofereceu suporte técnico e preço competitivo. Aprovada a solução, fechou-se um contrato para mil usuários ativos.


De lá para cá, Fresneda avalia que os resultados não foram uniformes. Algumas unidades tiveram ganhos consistentes, outras adotaram o modelo apenas parcialmente e em algumas não conseguimos evoluir, conta. Mesmo assim, o gerente enumera os benefícios da iniciativa. O principal foi o estabelecimento de uma metodologia para medir o impacto social, ambiental e econômico de muitas ações da empresa.


O BSC também apontou a necessidade de investir em marketing, algo que até então não estava entre as preocupações da companhia. Resultado: a Embrapa já está implantando um projeto de CRM. Até na parte de recursos humanos a metodologia influiu, resultando na criação de um modelo de gestão de competência. O BSC introduziu o pensamento estratégico na Embrapa. Foi uma mudança de cultura importante, diz Fresneda. A metodologia evita que cada um reme para um lado diferente e o barco não saia do lugar.


Quem também está usando BSC é a Comgas. A empresa é controlada pela British Gas, que possui uma cultura de indicadores e exige que todos os ativos do grupo sigam essa diretriz. A Comgas começou a utilizar a metodologia em meados de 2001 e hoje são 70 usuário do sistema de BSC da Cognos. O analista de performance da área de informações financeiras da Comgas, Helder Nobre, conta que agora o desafio é fazer com que as pessoas acessem as informações no sistema com mais regularidade. Queremos que se crie uma cultura de divulgar e de checar os indicadores, diz.


Termômetro ideal em tempos de crise


Tanto para cortar custos como para otimizar o negócio, a metodologia é mais procurada quando as empresas enfrentam turbulências


Por que colocar esforço em um projeto quando não há necessidade premente de mudança e os lucros vão bem, obrigado? A resposta explica porque o BSC é mais procurado, e seus resultados são mais claramente percebidos, em meio a crises. Quando a necessidade de mudança é grande, os gerentes precisam de um instrumento para controlar a situação.


Isso não significa que BSC deve ser usado para apagar incêndios. O Gartner afirma que implementar a metodologia em empresas saudáveis é o equivalente a reformar o telhado no verão como preparativo para quando o frio do inverno chegar. Essa é a teoria. Na prática, a metodologia se difundiu muito nos últimos dois anos que, não por coincidência, marcam um período de desaquecimento da economia mundial.


Na crise, quando é preciso ser criativo e aproveitar todas as oportunidades, o BSC fica mais interessante, diz Flávio Bolieiro, diretor geral da Microstrategy do Brasil. Com o cobertor do orçamento cada vez mais curto, a metodologia indica que partes a empresa deve cobrir para não se resfriar. O executivo sabe a importância de ter o controle da companhia nas pontas do dedos, diz Vanderlei Ferreira, diretor-geral da Cognos Brasil. O BSC é como um sistema GPS em um rali: permite achar o caminho com menos erros e riscos, compara.


O mérito de preparar a empresa para tempos difíceis não é só do Balanced Scorecard. A metodologia tem mais chances de sucesso se empregada em conjunto com um sistema de Business Intelligence (BI). Afinal, BSC é baseado em informações, portanto uma base de extração e análise de dados que é o que uma solução de BI faz forma um par perfeito com a metodologia.


Não é à toa que muitas ferramentas de BSC advêm de fornecedores de software de BI. Mas e quem não possui um sistema BI, pode mesmo assim ter um sistema de BPM? Pode. Mas terá de fazer à unha: é preciso ir ao ERP, extrair as informações e montar os indicadores.


Ninguém duvida o casamento de BI e BSC seja bom, mas ainda existe discussão no mercado sobre a sua real importância. O diretor de marketing para a América Latina da Business Objects, Roberto de Carvalho, é radical. Não há BSC sem BI. Devido à grande diversidade de indicadores é preciso um sistema complexo para extrair, movimentar e visualizar os dados. É o componente de BI que permite isso.


Já o diretor de serviços de TI da Gentia do Brasil, Edward Magro, prefere colocar a importância de BI em termos relativos. Acredito que a empresa deveria primeiro ter um BSC para só depois decidir se vai ter um BI, diz. O diretor de serviços profissionais do SAS Institute para o Cone Sul, Marcos Bertucci Mahlmeister, afirma que o fato de a empresa comercializar as ferramentas de BI e BSC separadas é um diferencial competitivo. É interessante ter as ferramentas juntas, mas encarece muito a solução, diz.


Alguns analistas consideram que existem três variantes na adoção de ferramentas de BSC: uma solução pura, sem integração com BI ou outros sistemas; uma solução que na verdade é de BI e que possibilita apenas a visualização dos indicadores, mas não a metodologia completa de BSC; e a solução full, que envolve todas as funcionalidades de BSC integradas a uma plataforma de BI. Sem dúvida há espaço para todas cabe ao CIO e à direção de cada empresa escolher a que melhor se ajuste as suas necessidades.














Na hora de escolher a ferramenta de BSC, considere:
– A implementação de BSC é parte de uma iniciativa maior de Corporate Performance Management (CPM) que engloba múltiplos processos (e aplicações de BI)? Se for, suítes serão mais úteis do que produtos individuais.
– A empresa possui os recursos de TI necessários para entregar uma suite “peso pesado” ou uma ampla plataforma de BI? Se não tiver, aplicações isoladas podem ser uma solução melhor.
– A ferramenta de BSC será integrada em
um ambiente de data warehouse ou BI?
Se for, escolher uma ferramenta de BI pode ser mais apropriado.
Fonte: Gartner
Fornecedores duelam por mercado ainda em formação


Boas aplicações de BSC não faltam. Para o CIO, o desafio é escolher a que melhor se ajusta as suas necessidades


O mercado de BSC ainda está no berço: mesmo entre os grandes fornecedores de software para a metodologia, poucos possuem mais do que algumas centenas de instalações no portfólio. Mesmo assim, os CIOs estão bem servidos de soluções para BSC. Confira algumas das principais alternativas que o mercado oferece.


Business Objects


A Business Objects é referência mundial nos mercados de Business Intelligence e de Key Performance Indicators (KPY), dos quais Balanced Scorecard é uma das metodologias.


Cerca de 40% das receitas mundiais da empresa, que no ano passado totalizaram US$ 454 milhões, vêm de KPY. A fornecedora oferece suas soluções sob o guarda-chuva do conceito de EPM, ou gerenciamento da performance empresarial, que é um conjunto de procedimentos e metodologias para guiar o desempenho empresarial.


A plataforma da fornecedora para construir aplicações de EPM, incluindo BSC, é o Business Objects Dasheboard Manager.


É uma solução completa com templates para uma rápida implementação, ambiente totalmente gráfico e alertas gerados automaticamente, explica Roberto de Carvalho, diretor de marketing para a América Latina da Business Objects.


Cognos


A solução da Cognos para BSC atende pelo nome de Metrics Manager. O produto, que chegou ao mercado em outubro de 2002 e ganhou uma versão em português em janeiro de 2003, atende a diversas metodologias que alinham a estratégia corporativa. O software é compatível com Web e tem como ponto forte a facilidade de uso, permitindo integrar indicadores financeiros e não-financeiros e instituir o grau de peso de um fator sobre o outro. Também é possível manter o histórico dos indicadores para fazer uma análise de evolução ao longo do tempo.


O diretor geral da Cognos Brasil, Vanderlei Ferreira, acredita que a quantidade de corporações utilizando a metodologia de BSC deve dobrar até 2005, o que impulsionará o mercado de ferramentas de TI para a metodologia. A demanda já está quase em ponto de ebulição. Falta apenas o mercado amadurecer um pouco mais.


Gentia


Adquirida mundialmente pela Open Ratings, a Gentia teve a sua linha de produtos rebatizada no final de 2002. A solução de Balanced Scorecard atende pelo nome de SPImpact BSC. Segundo o diretor de serviços de TI da Gentia do Brasil, Edward Magro, o diferencial do produto é sua capacidade de oferecer aos usuários um controle diário das atividades ligadas ao BSC.


O SPImpact BSC incorpora ferramenta OLAP, é compatível com Web e permite navegar e atuar em todo o Scorecard a partir do mapa estratégico. Outro ponto alto é a facilidade de customização. Toda a instalação é feita por wizard, permitindo que a montagem do programa seja executada automaticamente. Em média, demoramos 15 dias para instalar e deixar funcionando o produto, diz Magro.


Hyperion


A fornecedora possui ferramentas independentes que podem trabalhar como uma solução única que cobre diversos aspectos da gestão corporativa, incluindo planejamento, gestão financeira e monitoração de desempenho. É neste último tópico que entra o Hyperion Perfomance Scorecard. O produto provê uma biblioteca de indicadores pré-formatados e permite que cada empresa monte indicadores próprios.


Dentre os clientes nacionais da solução está a Petrobras, que possui até uma sala com infra-estrutura exclusiva de som e imagem para discutir e analisar os indicadores. É um cockpit de análise de indicadores, afirma Carlos Pinto, gerente de produtos da Hyperion.


IDS Scheer

A IDS tem o Aris Product, uma família de produtos destinados a estruturar negócios na qual um dos módulos é o BSC. O módulo, que não é vendido separadamente da plataforma Aris, organiza as informações de estratégia seguindo a metodologia de BSC. O diretor técnico para a América do Sul da IDS Scheer, Wilian Abrão, explica que os indicadores são distintos de acordo com o cargo da pessoa que está visualizando as informações. Assim, o diretor comercial pode enxergar os indicadores de venda de todos os produtos, enquanto os gerentes só têm acesso aos indicadores dos produtos que estão sob sua responsabilidade.


O Aris possui uma interface gráfica intuitiva. Como um semáforo, o produto usa o vermelho, amarelo e verde para cada objetivo estratégico para mostrar se a meta estão sendo cumprida, se corre risco ou se não foi atingida. No entanto, o Aris é apenas um estruturador de BSC.


O produto não extrai os dados automaticamente os usuários precisam alimentar o produto. Por isso, o Aris não é indicado para corporações com grande número de indicadores de desempenho.


Microstrategy


A aposta da Microstrategy para o mercado de BSC é o Microstrategy 7i, uma plataforma de BI que permite construir sob si a estrutura de BSC. A ferramenta é compatível com Web e pode ser programada para disparar um aviso para o celular, e-mail ou fax da empresa para alertar que algum indicador está com problema. Esta funcionalidade é conhecida como Business Actived Management (BAN).


Como o Microstrategy 7i é uma ferramenta completa de BI, o usuário da solução terá de montar uma solução complexa. Mas o diretor geral da Microstrategy do Brasil, Flávio Bolieiro, defende que a convergência de BI e BSC de forma integrada é o futuro do Balanced Scorecard.


O produto SAS Strategic Performance Management permite implementar diversas metodologias de indicadores inclusive BSC e distribuir os resultados via Web, facilitando acesso às informações críticas. O produto se conecta às demais ferramentas do SAS e é inteiramente baseado em XML. A ferramenta foi lançada em 2000 e internacionalmente possui uma base de 80 clientes.


No Brasil, o SAS está fechando seus dois primeiros contratos para a solução. Um deles é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O diretor de serviços profissionais para o Cone Sul do SAS Institute, Marcos Bertucci Mahlmeister, acredita que a partir deste ano os negócios devem engrenar.


































Prateleira
Cognos Metrics Manager
O produto integra os objetivos estratégicos das corporações com o desempenho individual de cada indicador e seu histórico, conta com versão em português e é integrado à plataforma de BI Cognos Series7.
Business Objects Dashboard Manager
Plataforma para desenvolver aplicações de gerenciamento da performance empresarial. Dentre seus recursos, destacam-se os templates para uma rápida implementação e construção dos indicadores e alertas que podem ser gerados automaticamente a partir de regras de negócios.
Hyperion Perfomance Scorecard
Faz parte de um ambiente integrado de gerenciamento de processos de negócios, é compatível com Web e provê uma biblioteca de indicadores.
SPImpact BSC
Permite que os usuários tenham um controle diário das atividades ligadas ao BSC é compatível com Web e possibilita atuar no Scorecard a partir do mapa estratégico. Toda a instalação é feita por meio de “wizard”.
Aris Product
O módulo de BSC organiza as informações de estratégia seguindo as perspectivas do conceito de BSC e possui uma interface gráfica intuitiva, mas não extrai os dados automaticamente.
Microstrategy 7i
Plataforma de BI que permite montar uma estrutura de BSC. A ferramenta é compatível com Web e dispara alertas automaticamente se algum indicador apresentar problemas.
SAS Strategic Performance Management
Permite utilizar diversas metodologias de indicadores – inclusive BSC – e distribuir os resultados via Web. O produto se conecta às demais ferramentas do SAS e é inteiramente baseado em XML.


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