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IP lidera abecedário de redes

A tecnologia Internet Protocol domina o discurso dos especialistas, que apontam a convergência de redes, a adoção de Virtual Private Networks e redes locais sem fio, assim como a construção de aplicações em Ethernet Gigabit como as principais tendências do mercado.

Publicado: 11/03/2026 às 16:06
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IP lidera abecedário de redes
Construção civil — Foto: Reprodução

O IP (Internet Protocol) é a sigla mais comemorada por fabricantes e especialistas, que garantem: ela veio para ficar! De acordo com o estudo Brasil Data Network Services 2001, realizado pela subsidiária local da International Data Corp., o IP consumiu 9% do total do setor de comunicação de dados no ano passado, ou US$ 153 milhões. “É uma boa surpresa e os processos de migração já começaram”, garante Cláudio Almeida, analista sênior de telecomunicações da IDC Brasil.

Há outras tendências no segmento de networking, construídas em sua maioria sobre tecnologia IP. A convergência de redes de dados, voz e imagens é um dos processos já iniciados no País, assim como a adoção de VPNs (Virtual Private Networks) e redes locais sem fio. A construção de aplicações em Ethernet Gigabit é outra bala na agulha de operadoras e corporações.

“O modelo das redes corporativas mudou. O volume de tráfego aumentou, assim como a necessidade de redirecioná-lo. Isso gerou demanda por administração de acessos e de banda larga”, avalia Valdir Bignardi, gerente geral da RedBack no Brasil.

Tanto é verdade que o estudo da IDC apontou o tamanho do mercado de comunicação de dados no Brasil: US$ 1,7 bilhão, 16% maior que em 2000. A tecnologia X.25 está estabilizada, o que dá espaço para o Frame Relay, enquanto o ATM vai ficar no core das operadoras e em aplicações específicas de grandes empresas.

Entrave

Apesar de fazer parte do abecedário do mercado, ainda há entraves que não permitem a explosão do IP no Brasil. Qualidade de serviços é o principal senão, causado pelo desenvolvimento da tecnologia na filosofia datagrama. Valdir Bignardi explica que outros dispositivos tiveram que ser criados para que a expansão dos serviços em IP fosse iniciada.

O MPLS (Multiprotocol Label Switching), por exemplo, permite que a rede seja orientada a processos. Mas há diferenças pontuais entre os fabricantes, o que impede a adoção de algumas aplicações em parques heterogêneos. “A necessidade de upgrade de hardware pode ocorrer, envolvendo mais investimentos, por isso acredito que maior escala, só em cinco anos”, prevê o executivo da RedBack.

Alguns especialistas discordam. Duílio Tenório, consultor de redes da 3Com, acredita que o IP está consolidado. “Qualquer serviço pode ser implantado por meio de atualização do software”, frisa. O executivo esclarece que, a partir de um parque de 60 ramais, a tecnologia pode ser adotada e a plataforma NDX auxilia a segmentação do IP na gestão, voz, desenvolvimento e acesso corporativo integrados.

Para a Juniper as expectativas também são boas. Davi Caproni, gerente geral da empresa no Brasil, acredita que o IP é uma promessa de ganho de receita para as operadoras de telefonia. “O orçamento de dados está crescendo, assim como as vendas de roteadores que suportam a tecnologia”, garante.

Auto-estrada

Atualmente cresce o volume de dados, assim como a tendência de se transmitir diferentes serviços pela mesma estrada. O que começou em acesso discado, hoje trafega em banda larga, explica Priscila Davi, gerente de engenharia service providers da Cisco Systems. “Estamos vivendo um processo de desmistificação do uso efetivo do IP que, combinado com MPLS e criptografia, permite a geração de VPNs IP com qualidade de serviços”, ensina a executiva.

A melhoria garante a expansão da tecnologia, assim como a possibilidade de incremento nas aplicações de rede corporativas. “As futuras NGNs (Next Generation Networks) podem ser implementadas inclusive na telefonia pública, onde há um movimento de convergência”, revela Priscila David.

Assim como aumenta o tráfego de dados, os recursos para acessá-los ganham aliados. As redes sem fio, conhecidas como wireless LAN, podem ser construídas a custos baixos e apresentam melhoria constante na velocidade. “Já observamos operações a 11 Megabits por segundo, que podem chegar a 54 Megabits quando o padrão estiver em 5 GHz (hoje é 2,4 GHz)”, observa Fábio Melchert, gerente de soluções de dados da Avaya.

Além disso, o Ethernet Gigabit ganha adeptos. Tanto no mercado corporativo como nas redes metropolitanas, a tecnologia tem sido adotada. A Extreme está, por conta disso, trazendo ao Brasil uma nova família de produtos direcionada às médias empresas. Para isso, um novo portfólio de canais será montado, seguindo o programa internacional da empresa conhecido como Turbodrive.

“Esse cenário demonstra que há uma evolução natural para o IP, assim como o incremento de um mercado paralelo, o de gerenciamento de disponibilidade, acesso e segurança das plantas”, conclui Dani Maron, diretor da divisão de redes multisserviços da Motorola.


IPV.6 mostra a sua cara

A Rede Nacional de Pesquisa – backbone pioneiro no uso da Web no País – obteve da American Registry for Internet Numbers (ARIN) um bloco de endereços IPV.6 para produção. O IPV.6 é a evolução do atual IPV.4, protocolo nativo do backbone Internet. O diretor de operações da RNP, Alexandre Grofsgold, revela que será estruturada uma rede-piloto interligando pontos de presença em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

“Queremos também interligá-la à Internet 2. Vamos com isso aprofundar o conhecimento”. O laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (LARC) da Universidade de São Paulo e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) demonstraram interesse no desenvolvimento de aplicativos para o novo protocolo.

Suas principais características são maior segurança, qualidade de serviço e auto-configuração. “O maior diferencial do IPV.6 é a possibilidade de endereçamento. Ele abre o leque para dispositivos terem endereços IP. A questão da auto-configuração também é significativa”, explica Grofsgold.

As operadoras de telefonia móvel e as fabricantes de dispositivos – como geladeiras e microondas – são os maiores interessados no desenvolvimento e consolidação do IPV.6. Os aparelhos da 3G já sairão de fábrica como terminais IP, sendo nativos ao IPV.6.

A migração do backbone Internet não será uma tarefa simples. O novo protocolo não “fala” com o IPV.4. Grofsgold acredita que serão criadas “nuvens “ IPV.6 até que haja uma migração total.

|Computerworld – Edição 351 – 03/10/2001|

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