O ministério da Ciência e Tecnologia destinou R$ 69 milhões ao programa Sociedade da Informação. Já para comércio eletrônico, o órgão aplicará R$ 131 mil.
O programa Sociedade da Informação, também conhecido por Internet II, está longe de alcançar a meta de investimentos anunciada pelo governo durante a sua implantação, há dois anos. Apesar de todos os esforços do ministério da Ciência e Tecnologia, o Internet II receberá em 2002 apenas R$ 69,818 milhões, bem menos do que deveria estar recebendo anualmente (R$ 850 milhões), para garantir a promessa feita pelo governo de aplicar R$ 3,4 bilhões entre 2000 e 2004.
O programa Sociedade da Informação será custeado pelos R$ 41,969 milhões provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), R$ 1,531 milhão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e outros R$ 26,316 milhões que foram destinados pelo próprio ministério.
O programa Internet II pretende viabilizar um novo estágio de evolução da rede mundial e suas aplicações no Brasil, tanto na capacitação de pessoal para pesquisa e desenvolvimento, como na garantia de serviços avançados de comunicação e informação. Ele é coordenado pelo MCT e tem o apoio dos governos federal, estaduais e municipais, além da iniciativa privada.
Ficaria muito difícil para o ministério da Ciência e Tecnologia destinar uma média anual de R$ 850 milhões ao programa Internet II, se todo o seu orçamento deste ano não passa dos R$ 2,5 bilhões. Para a área de Tecnologia da Informação, o MCT destinou R$ 6,7 milhões. Mas o ministério é atípico e muitos recursos de outras fontes orçamentárias são aplicados em atividades que têm ligação direta com a TI.
Se não investiu tanto quanto gostaria na Internet II, o ministério tem a preocupação, por exemplo, de não deixar faltar recursos para a aplicação das tecnologias, normatização, certificação, qualificação e análise de falhas de produtos de hardware e software.
E-commerce
Nesta área o Executivo pecou na destinação de verbas do seu orçamento. O ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior tem um orçamento para o setor de Tecnologia da Informação da ordem de R$ 19,877 milhões. Porém, apenas R$ 131 mil serão liberados para estudos de promoção do comércio eletrônico. É de se estranhar tão pouca verba para uma área que o ministro Sérgio Amaral fez questão de dinamizar, criando uma Câmara de Comércio Eletrônico dentro do seu ministério.
A maior parte dos recursos destinados à TI ficará com o próprio ministério: R$ 10,777 milhões. O restante será dividido entre o Inmetro (R$ 3,6 milhões) e o INPI (R$ 5,5 milhões). Porém, nesse orçamento ministerial não foram computados os gastos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Este órgão destinou para a área, em 2002, recursos da ordem de R$ 12,085 milhões.
Como nos demais ministérios, todo esse dinheiro não tem uma definição clara daquilo em que será empregado. Outras fontes orçamentárias do ministério e seus órgãos vinculados (exceto Suframa), também atenderão aos programas da área de Tecnologia da Informação. Pelo menos o ministério das Relações Exteriores pretende gastar uma parte do seu orçamento deste ano (R$ 7,531 milhões), na área de promoção comercial. O ministério desembolsará cerca de R$ 4,8 milhões na manutenção do sistema Braziltradnet, que é oferecido gratuitamente aos exportadores brasileiros que desejam receber informações sobre mercados externos e contar com serviços governamentais para o incremento das suas vendas no exterior.
| Orçamento geral do MCT (com aplicações em TI) | |
| Tecnologia da Informação | R$ 6.728.476,00 |
| Internet II | R$ 69.818.244,00 |
| Desenvolvimento em Computação Científica e Ciências Aplicadas | R$ 3.050.082,00 |
| Fomento à Capacitação Tecnológica Empresarial e Do Trabalhador | R$ 1.646.000,00 |
| Fomento à Pesquisa e à Inovação Tecnológica em Setores Estratégicos | R$ 4.500.000,00 |
| Pesquisa e Desenvolv. em Computação, Materiais e Plasma para o Setor Espacial | R$ 1.457.500,00 |
| Implantação de Rede Nacional de Bioinformática | R$ 1.000.000,00 |
| Aplicação das Tecnologias, Normatização, Certificação, Qualificação e Análise de Falhas de Produtos de Hardware e Software | R$ 137.262,00 |
| Desenvolvimento de Satélites de Coleta de Dados e Sensoriamento Remoto |
R$ 5.016.845,00 |
| Inovação para a Competitividade (Fundo Verde Amarelo) | R$ 285.400.528,00 |
| Fomento ao Desenvolvimento e Aprimoramento de Sistemas de Informação na Saúde | R$ 300.000,00 |
| Concessão de Bolsa de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico Empresarial |
R$ 29.089.480,00 |
| Implantação da Rede Nacional de Bioinformática | R$ 1.500.000,00 |
| Total | R$ 377.297.437,00 |
| Relação dos programas que terão recursos de fora da fonte Tecnologia da Informação (em R$) | |
| Sistema Informatizado de Análise de Dados sobre Comércio Exterior – ALICE | 2.200.000,00 |
| Modernização de Sistemas Integrados de Informações para o Comércio Exterior | 1.101.200,00 |
| Implantação de Sistema de Identificação e Divulgação de Barreiras Técnicas | 100.000,00 |
| Desenvolvimento do Portal de Informação Tecnológica Estratégica para Apoio ao Setor Produtivo | 100.000,00 |
| Estudos para a Promoção do Comércio Eletrônico | 131.600,00 |
| Implantação de Sistema de Informação para a Metrologia da Qualidade |
100.000,00 |
| Implantação de Infra-estrutura Básica para a Instalação de Empresas de Base Tecnológica | 200.000,00 |
| Implantação de Sistema de Informação ao Consumidor | 200.000,00 |
| Registro de Programas de Computador | 60.000,00 |
| Averbação de Contratos de Transferência de Tecnologia | 840.000,00 |
| Disseminação de Informações Tecnológicas | 1.049.760,00 |
| Desenvolvimento de Sistemas Informatizados de Propriedade Intelectual | 1.662.000,00 |
| Total | 7.744.560,00 |
|Computerworld – Edição 358 – 20/02/2002|
| Veja a íntegra deste especial |
Executivo detém a maior fatia do bolo Ministérios detalham o quanto gastarão com Tecnologia da Informação, mas deslocam outras fontes de recursos para atender a programas da área. Agência Brasileira da Inteligência trata seu orçamento como “Informação e Inteligência” e pretende gastar este ano R$ 3,9 milhões em “ações sigilosas”. TI a serviço da cidadania Orçamento Geral da União para 2002 prevê que os três poderes da República deverão gastar R$ 2,2 bilhões em tecnologia, aplicados no controle das contas públicas, no combate à sonegação, na informatização dos tribunais e em diversos programas que visam prestar melhores serviços ao cidadão pela Internet. Combate à sonegação é a principal meta Ministério da Fazenda detém a maior parcela de recursos em tecnologia. Serpro e Banco Central investirão em ações de Governo Eletrônico e no Sistema de Pagamentos Brasileiro. Delegacias podem ficar com parte da verba Os ministros da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, e o das Comunicações, Pimenta da Veiga, deverão tomar uma decisão ainda este mês sobre a possibilidade de parte dos recursos do fundo ser aplicada num programa de informatização de delegacias policiais. Governo Eletrônico sai do papel O orçamento traz uma novidade: pela primeira vez recursos foram alocados de outras fontes diferentes da caracterizada como Tecnologia da Informação, para atender aos programas do Governo Eletrônico. Recursos irrisórios para Internet II e e-commerce O ministério da Ciência e Tecnologia destinou R$ 69 milhões ao programa Sociedade da Informação. Já para comércio eletrônico, o órgão aplicará R$ 131 mil. Ministério da Justiça tem R$ 12,6 milhões Há uma forte preocupação com relação à manutenção e implantação de novos sistemas que garantam um melhor atendimento da população em diversos quesitos, sobretudo, segurança pública, controle de trânsito e cargas e de registro civil. Investimentos de olho no cidadão O Judiciário quer se modernizar investindo em sistemas de armazenamento e transmissão de dados mais velozes e na presença do próprio computador dentro dos tribunais. |