O gestor de tecnologia técnico está com os dias contados. Participar dos negócios corporativos significa obter conhecimento oriundo dos MBAs, especializações, idas a seminários e muita leitura. Mas, é preciso cuidado redobrado na escolha do curso e da escola. Uma opção errada poderá comprometer a formação.
Mais envolvidos com os processos corporativos, os gestores de tecnologia selecionam publicações, freqüentam seminários onde possam trocar experiências e buscam o conhecimento do negócio preferencialmente nas escolas de MBA
Paula Zaidan
A onda dos ERPs (Enterprise Resource Planning) e o advento da Internet não só exigiram uma migração no parque tecnológico como também impactaram o cotidiano dos CIOs (Chiefs Information Officer) com formação técnica.
Muitos se viram diante da necessidade de enfrentar as demandas corporativas, o que impulsionou a avaliação de cursos de MBA para compreender o setor onde atuavam e o negócio da companhia em que trabalhavam. Mas onde buscar a melhor escola?
Paulo Kretly, diretor da Franklin Covey, avalia que um MBA não é suficiente para o progresso do CIO. “Existem algumas especializações – com uma carga horária menor, de um ano – que preenchem a lacuna das informações necessárias para o desempenho do executivo, principalmente quando surge uma oportunidade de promoção e ele não está preparado para lidar com competências menos técnicas.”
Ele recomenda especial atenção quanto ao tipo de curso, carga horária, se ele atende realmente às expectativas, análise do currículo dos professores e da imagem da instituição de ensino.
Embora seu perfil não se enquadre na formação técnica – é formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) -, Marcos Pelaez, gerente-geral de informática da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), afirma que poderia ter aproveitado mais a especialização em e-business pela mesma instituição.
Na ocasião, as empresas e a economia viviam o boom da Internet. O executivo lembra que encontrou um grupo heterogêneo em sua sala, com interesses distintos e muitos profissionais recém-formados. “No frigir dos ovos, a experiência acrescentou pouco para a companhia”, desabafa Pelaez quando lembra que buscava um aprimoramento em seus conhecimentos para aplicar dentro da corporação.
Classificadas
Paulo Kretly analisa que dentre as melhores escolas do País para obter conhecimento sobre administração de empresas e gestão de negócio estão a FGV, USP (Universidade de São Paulo) e a Fundação Dom Cabral (MG). Porém, ele observa que existem outras instituições de respeito para quem busca especialização. Resta saber o quê, onde e como procurar.
João Carlos Boyadjian, diretor e coordenador dos cursos de gerenciamento de projetos do IETEC (Instituto de Educação Tecnológica) afirma que as cadeiras de pós-graduação (gestão nas áreas de custo, engenharia de produção, meio ambiente, industrial, serviços, tecnologia de automação, logística, comunicação de dados, analista de dados) são para diversas profissões e a TI é uma das grandes consumidoras.
Segundo uma pesquisa do IETEC, no final dos anos 90, as empresas financiavam a formação dos profissionais. Em 1998, esse índice estava em 50% e hoje o percentual é da ordem de 30%. Por outro lado, Boyadjian afirma que entre 30% e 40% dos formados pela instituição conquistaram promoções e posições com foco maior no negócio.
A General Electric é uma das companhias que adota o aprendizado denominado “business acumen” aos seus profissionais, inclusive de TI, tais como os cursos de aprimoramento de executivos do centro de treinamento em Crotonville (Estados Unidos) e “bubble assignments”, voltado para outras áreas funcionais como operações e qualidade.
Prova de que o incentivo e apoio ao executivo por parte da empresa reverte em bons frutos é João Lencioni, CIO da companhia, formado em engenharia eletrônica pela Escola Politécnica da USP.
Lencioni afirma que já participou de vários cursos de desenvolvimento para executivos dentro da corporação e atuou em quatro posições distintas no Brasil e Estados Unidos em cerca de cinco anos na empresa.
Osvino Pinto de Souza Filho, gerente de projetos e professor da Fundação Dom Cabral, recomenda que o CIO realize um curso que esteja alinhado com o setor onde atua. O programa de gestão de negócio da escola mineira oferece disciplinas que abrangem finanças, organização do negócio e de pessoas, marketing e logística num total de 435 horas/aula, o que dura entre 10 meses e um ano e é voltado para analistas, gerentes e diretores de TI.
“No caso do CIO, percebo que ele tem procurado cursos mais detalhados, como o MBA. Na Fundação Dom Cabral, essa modalidade tem duração de 800 horas com aulas presenciais, a distância e complementação na Universidade de Columbia (Canadá), opcional aos participantes”, completa Souza Filho.
Outra alternativa para quem precisa mergulhar no mundo dos negócios são os programas de gestão de projetos, lançados recentemente pela Dom Cabral. “Os analistas de negócios freqüentam o programa e advertem que seus superiores – os CIOs – deveriam realizá-lo.”
Fora da aula
Além das opções tradicionais, Kretly reforça a idéia de que o CIO precisa de constante atualização sobre o mercado onde atua e conhecimento sobre a gestão do mundo corporativo. Participar de eventos de um a três dias é uma alternativa que aumenta o networking e, ainda, amplia a visão de negócio das empresas.
Também é importante uma constante atualização sobre os assuntos administrativos em sites de recursos humanos especializados como o www.treinamentos.com.br e o www.intermanagers.com.br.
O headhunter também recomenda publicações como o best seller “Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” (Stephen Covey). Nele, o CIO encontra capítulos interdependentes e a primeira dica é ser pró-ativo, ou seja, assumir a responsabilidade de realizar uma tarefa. “O livro é baseado em princípios que ultrapassam os muros corporativos e preparam o executivo para uma relação pessoal equilibrada em sua vida.”
“O que mais Importa”, de Hyrum Smith, trata da importância de viver os valores pessoais e levá-los ao ambiente profissional. “Muitas carreiras têm vida curta porque alguns executivos quebram os seus princípios para agradar a chefia ou ganhar um dinheiro fácil”, alerta Kretly.
Para Argemiro Leite, diretor de informática da MD&D Group Latin America, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Fundação Valeparaibano de Ensino (São José dos Campos – SP) e pós-graduado pela Fundação Instituto de Administração da USP, não há uma receita a ser seguida para a conquista de conhecimentos sobre a gestão corporativa.
“Aprender significa acompanhar de perto as evoluções e tendências da tecnologia e do negócio. Para tanto, é necessário contato com grupos de estudos, pesquisas, publicações, etc.”
|Computerworld – Edição 384 – 23/04/2003|