Um dos setores de maior destaque da economia nacional nos últimos anos, o agronegócio começa a acordar para a utilização de TI, mas ainda de forma pontual e conservadora.
Ricardo Cesar
Querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo. O famoso trecho da carta do descobrimento de Pero Vaz de Caminha permanece como uma lembrança de que, desde a sua certidão de nascimento, a vocação agrária do Brasil sempre esteve patente. Foi assim nos ciclos da cana-de-açúcar e do café, é assim hoje com o boom da soja e as exportações de carnes, cítricos e tantos outros produtos gerados no campo. Segundo dados do Ministério da Agricultura, em 2003 o agronegócio respondeu por 34% do produto interno bruto nacional, 37% dos empregos e 42% das exportações. No ano passado, enquanto a economia brasileira sofreu uma retração de 0,2%, o setor cresceu 6,54%.
Apesar de a importância do campo se manter ao longo da história do país, os ingredientes para o sucesso nessa área não são os mesmos de séculos passados. A competição internacional acirrou-se, as oscilações das bolsas de Nova York e Chicago precisam ser acompanhadas em tempo real de cada rincão do planeta, as exigências sanitárias e legais obrigam a um controle cada vez mais rigoroso de dados e informações. Ao mesmo tempo, muitas companhias brasileiras perceberam que pode ser vantajoso entregar produtos acabados, e não apenas matéria-prima, no mercado internacional.
São exatamente esses dois fatores a exportação e o processamento das commodities agrícolas que puxam a utilização de recursos de tecnologia da informação no setor de agronegócios. Até que ponto a informática está sendo utilizada nas atividades ligadas ao campo? Dependendo de onde se olhe, a resposta pode variar de uso intensivo de sistemas de última geração a desconhecimento quase completo sobre TI e não há exagero nessas afirmações. Existem dois mundos que coexistem no campo brasileiro.
De forma geral, a agroindústria emprega tecnologia agrícola de forma intensiva, mas ainda não faz o mesmo com tecnologia da informação. Ainda. Os produtores brasileiros são inovadores em maquinário e processos do campo. É verdade que sempre foram carentes em questões que envolvem gestão, mas não é um setor avesso a tecnologia porque já a emprega no campo e na fábrica. Resta perceber que seu uso no escritório também é importante, diz Nelson Fernandes, sócio da Cone Consulting, braço da IFS para fornecer sistemas de gestão para agribusiness.
É a própria lógica dos negócios que começa a empurrar os empreendedores do campo para a informática. Como nas commodities agrícolas todos vendem pelo mesmo preço, leva vantagem quem tiver uma produção mais barata e eficiente. Por isso, controle orçamentário, custeio e planejamento de compras ganham importância. As empresas mais agressivas do setor estão investindo em gestão e aí TI tem um papel fundamental, afirma Gilberto Girardi, diretor executivo da SRI Tecnologia da Informação, fornecedora de sistemas especializada no segmento agroindustrial.
Mercado heterogêneo
Pela própria distribuição geográfica, não é fácil fazer um retrato da utilização de TI no campo brasileiro. Quem chegou mais perto disso foi a subsidiária nacional da IBM, que levou de brinde 90 profissionais focados em agronegócios ao adquirir a PwC Consulting e decidiu mantê-los e investir na área. O agribusiness deveria ser tratado de forma específica, porque é uma área com uma importância ímpar para o país, afirma Renato Gennaro, executivo responsável por agronegócios na unidade Business Consulting Services (BCS) da IBM Brasil.
Gennaro avalia que o setor cresceu muito, mas não se profissionalizou no mesmo ritmo. Atualmente, o grau de maturidade em uso de TI varia entre as diferentes atividades de agronegócios (veja quadro). Cítricos e sucroalcooleiro estão na frente; pecuária e grãos, na média, ficam atrás. Ainda assim, a necessidade de rastreabilidade dados de controle sobre cada cabeça de gado , que pode ser feita com chips, e o ciclo de ouro que a soja atravessa atualmente, com produtores altamente capitalizados, abrem boas perspectivas nesses dois nichos.
Ironicamente, o isolamento dos modismos da informática corporativa faz com que as companhias ligadas ao agronegócio sejam compradoras de TI que sempre seguiram à risca os atuais mandamentos do bom CIO, como alinhar tecnologia com negócios e provar o retorno de cada investimento. No campo, isso sempre pareceu óbvio. Não adianta falar de e-business ou portal corporativo. O fornecedor de TI que quiser clientes nessa área tem que falar em confiança, custo e mostrar o que a empresa vai ganhar. Sem esses três elementos não há conversa, afirma Gennaro.
Isso não significa ser avesso à tecnologia. Em algumas situações, o impacto da informática ocorre diretamente no negócio dessas empresas. É o caso da utilização de dispositivos com GPS para realizar a cartografia do solo e assim determinar a quantidade de adubo ou defensivos agrícolas que cada área específica dentro de uma plantação deve receber a chamada agricultura de precisão, que traz ganho de produtividade e redução de custos.
Há produtores utilizando handhelds no campo para registrar todas as operações e transmitir dados em tempo real, outros equipando tratores e caminhões com computadores de bordo. Tudo isso impressiona, mas não é correto imaginar uma revolução de TI no campo. As mudanças ocorrem lentamente e ainda esbarram em muitos pontos de resistência. Na terra em que se plantando tudo dá, a tecnologia da informação ainda não conseguiu brotar com força, mas finalmente começa a encontrar terreno fértil.
Governo injeta informática na lavoura
Com a Embrapa à frente, órgãos públicos conduzem uma série de projetos de informática para impulsionar os agronegócios.
Mesmo esbarrando em restrições orçamentárias e mudanças de diretrizes, o governo federal tem conseguido apoiar os agronegócios nacionais com projetos fortemente calcados em tecnologia da informação. Se a velocidade e a abrangência das iniciativas nem sempre corresponde aos anseios do setor, ao menos é inegável que o poder público não está parado e diversos programas surgem por todo o país.
As principais ações nesse sentido estão concentradas na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura. O Ministério da Ciência e Tecnologia também apóia por meio do Fundo Setorial de Agronegócios (CT Agronegócios), que este ano conta com orçamento de R$ 26 milhões para fomentar projetos que promovam a atualização tecnológica da indústria agropecuária.
Conseguir uma base para respaldar o país em negociações de comércio exterior é um dos objetivos que levam o governo a investir em TI no âmbito do agronegócio. Em qualquer acordo bilateral é preciso ter sistemas de informação organizados, de fácil acesso e comprovação imediata. Sem isso não se consegue nem começar a negociar com outros países, afirma Joaquim Naka, assessor do Ministério da Agricultura. Tecnologia da informação se tornou indispensável para garantir agilidade e competitividade no agribusiness, concorda Rodrigo Rollemberg, presidente do comitê gestor do CT Agronegócios.
Apoio direto
Mas o apoio direto a quem produz não fica em segundo plano. Este é o objetivo da Embrapa Informática Agropecuária. Localizada em Campinas, a unidade emprega cerca de 40 pesquisadores divididos em três núcleos: bioinformática, infra-estrutura computacional e modelagem e simulação. Os projetos vão da criação de aplicativos para análise tridimensional da estrutura de proteínas, o que ajuda a buscar a cura de doenças e pragas que afetam o agribusiness, até o desenvolvimento de um software de acesso gratuito para acompanhamento de rebanho leiteiro.
A chefe adjunta de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Informática Agropecuária, Sônia Ternes, destaca a rede AgroLivre, cujo objetivo é criar um diretório com software gratuitos para apoio à agroindústria. Não queremos apenas uma área de download, mas criar um ambiente de desenvolvimento colaborativo e distribuído em que as pessoas possam realizar seus projetos, explica Marcos Cezar Visoli, coordenador do projeto.
Outra iniciativa de destaque é o Agritempo, um sistema que ajuda o agricultor a tomar decisões com base em análises climáticas. O coordenador da iniciativa, Sílvio Evangelista, diz que além das informações que podem ser obtidas em um site convencional de previsões meteorológicas, o Agritempo permite realizar uma série de funções específicas para a agricultura, como cálculo da necessidade de irrigação e a melhor época para o plantio e colheita de diferentes culturas de acordo com a região geográfica.
O dedo do poder público
Nos últimos anos, o governo promoveu algumas iniciativas importantes que utilizam tecnologia da informação para impulsionar o agronegócio.
Programa de desenvolvimento da fruticultura O chamado Profruta conta com um sistema de integração e qualificação de informações para a cadeia de frutas. Desenvolvido pela Embrapa sobre plataforma Oracle, o sistema reúne informações de diferentes bancos de dados para emitir relatórios de balança comercial para uso privativo do Ministério da Agricultura. Anteriormente essas informações estavam dispersas em diferentes formatos e medidas caixas, unidades, quilos sem padronização, o que impedia estudos comparativos da produção de cada Estado.
Manejo integrado de pragas – Projeto de vigilância e controle de pragas com organização de informações e emissão de alerta georeferenciado sobre o surgimento de pragas em uma região geográfica. Está sendo desenvolvido pela Embrapa e deve ser concluído no fim do ano.
Rede de inovação e prospecção tecnológica para o agronegócios O objetivo é ligar em uma rede diversos grupos de estudos que trabalham com agronegócios, permitindo a troca de informações sobre temas como economia agrícola e barreiras técnicas para a venda de produtos a outros países. A idéia é reunir um grande banco de dados acessível a pesquisadores, empresários e órgãos governamentais. A estrutura deve ser montada ainda neste ano e conta com recursos de R$ 1,2 milhão do CT Agronegócios.
Sistema de qualidade nas cadeias agroindustriais Contando com recursos de R$ 1 milhão, o objetivo é estabelecer marcos regulatórios junto a entidades como a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e Inmetro. O sistema permitirá criar controles como certificação de origem de diferentes produtos agrícolas e garantia de qualidade em várias cadeias produtivas.
Rede AgroLivre – Projeto da Embrapa que estabelece uma rede em que serão oferecidos gratuitamente aplicativos baseados em software livre para apoio à agropecuária. Os primeiros são o HiperEditor e HiperVisual, que permitem organizar e visualizar informações; o Lactus, um sistema para gerência e controle de rebanho de gado leiteiro; e o Software Científico, sistema com módulos para diversos tipos de cálculo. O projeto conta com recursos de R$ 1,4 milhão em três anos, sendo R$ 540 mil advindos do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI).
Rastreabilidade – Projeto da Embrapa que prevê o desenvolvimento de um microchip eletrônico para ser inserido sob o tecido epitelial do gado, no qual ficam armazenadas todas as informações sobre cada animal, como idade, peso, época de vacinas e tipo de ração a que é submetido. Os animais são identificados por ondas de rádio ao passar por determinadas partes da fazenda. Hoje o que se usa é um brinco com um número marcado, pois o custo do chip ainda é considerado muito alto.
Agritempo Via internet, o produtor pode consultar o período mais adequado para o manejo de solo, plantio, irrigação, pulverização da lavoura e época da colheita. As consultas geram mapas de previsão e monitoramento e boletins com alertas fitossanitários. O sistema gera informações que permitem evitar perdas por eventos climáticos, como seca, geada e chuva na época da colheita.
Sistemas integrados ao solo
Além de ser empregada no apoio à gestão, a informática começa a modificar a própria maneira de operar da agroindústria.
Quem visitar a Usina Corona, situada em Guariba, no nordeste do Estado de São Paulo, verá plantações de cana-de-açúcar que se estendem a perder de vista e os trabalhadores que fazem a colheita sob o forte sol da região. A imagem tradicional só é quebrada por um pequeno dispositivo manuseado pelos capatazes que supervisionam as atividades no campo: um handheld que se comunica via WAP com o sistema central da usina. Bem-vindo à era do agronegócio apoiado em tecnologia da informação.
Hoje o nosso homem de campo, além da bota, chapéu e facão, tem um Palm na cintura, diz Nelson Fernandes, sócio da Cone Consulting, empresa especializada em sistemas para o setor sucroalcooleiro e ex-diretor da Usina Corona. O exemplo mostra que nem só de melhorias de gestão vivem os projetos de informática na área de agronegócios. Além dos sistemas de back-office, como controle administrativo e financeiro, a agroindústria está descobrindo como aplicar tecnologia da informação diretamente em suas atividades principais.
No caso da Corona, os 130 profissionais munidos de computadores de mão recebem diretamente no campo as ordens de serviço elaboradas no departamento de planejamento agrícola. Ao executar a programação eles conferem se a necessidade de recursos humanos e de equipamento bate com o que foi estipulado e enviam, também via comunicação wireless, um relatório. Com isso a usina verifica os desvios de custo entre o que foi planejado e o que se conseguiu fazer, garantindo que a Corona tenha um planejamento financeiro mais eficaz.
Extraindo mais do ERP
As gigantes da agroindústria também utilizam TI em atividades essenciais. É o caso da unidade de cítricos da Cargill, que possui a terceira maior operação nacional de produção de suco de laranja. A empresa compra o estoque com antecedência e precisa acompanhar o amadurecimento das frutas no pé. Para isso, a Cargill desenvolveu um sistema que ajuda a decidir qual a hora exata de colher, seguindo critérios técnicos e de mercado. É um sistema que foi desenvolvido internamente e faz análise de dados para termos esse controle, explica José Antônio Parolin, gerente de relacionamentos em TI da Cargill.
A companhia também faz um uso diferenciado dos sistemas de back-office para obter vantagem competitiva. O ERP centraliza as informações da área de soja que vêm de mais de cem pontos espalhados pelo Brasil. Isso permite à Cargill coordenar todo o abastecimento para garantir que a soja chegue ao cliente final, que está fora do país, nas condições acordadas. Se recebemos um pedido da China, sabemos de onde tirar o produto, como e quando teremos condições de atender, afirma Parolin.
Parece trivial, mas a questão de logística no Brasil é muito complexa. No varejo, alguns supermercados marcam dia e hora para a chegada da mercadoria e se o caminhão não chegar compram da concorrência.
Frota computadorizada
Um dos melhores exemplos de utilização de TI diretamente na operação central de um empreendimento agrícola vem da Usina São José, de Pernambuco. Em outubro do ano passado, a empresa muniu 25 veículos de sua frota de caminhões e máquinas colheitadeiras com computadores de bordo. A primeira vantagem é na manutenção, já que o sistema associa todas as informações de velocidade, marcha e rotação do motor, entre outros. O objetivo é diminuir o desgaste do motor, gerando economia em reposição de peças e combustível.
Ao entrar na usina para descarregar, o motorista aperta um botão e as informações da viagem são recolhidas por meio de uma antena coletora de radiofreqüência que troca dados com o servidor e calcula uma avaliação para a viagem. O motorista recebe a nota em um display no caminhão para saber se o desempenho ficou dentro do esperado.
Além disso, os computadores de bordo interagem com o sistema PIMS, da empresa SRI, que controla toda a parte de plantio, colheita e controle geral de agricultura da usina. Antes, quando o caminhão seguia para ser carregado de cana, o motorista tinha que preencher uma ficha de papel com dados como a hora de chegada e a quantidade da carga. Atualmente os computadores de bordo controlam todas essas informações e o papel foi eliminado.
Quando o motorista passa na usina para tirar a nota da viagem, automaticamente os dados são coletados tudo via comunicação wireless, sem nenhum contato. As informações entram no banco de dados Oracle e alimentam o equivalente a 600 fichas de papel por dia durante o período de colheita que era o que ocorria anteriormente, conta Paulo Cesar Pedrosa de Melo, gerente de informática da Usina São José.
Desenvolvida pela Auteq, a solução foi considerada um sucesso e será ampliada para a próxima safra. Projetos como esse ajudam a derrubar a tese de que a tecnologia da informação tem pouco espaço para promover melhorias operacionais em empreendimentos agrícolas.
No período de safra a empresa chega a ter 2 mil funcionários, mas no total há somente 25 PCs. Ninguém na alta direção usa um computador pessoal. O motivo? Não se interessaram ainda, explica calmamente Agostinho Bertuso Jr., gerente administrativo da usina Viralcool, a empresa em questão. A política de aquisição de hardware? À medida que falta, vamos comprando. A operação não fica prejudicada pela falta de informatização? Nada do que deixamos de adquirir em informática faz falta aqui.
Ostentando um faturamento de R$ 130 milhões em 2003 e uma saúde financeira melhor do que muitas empresas que investiram pesado em TI, Bertuso tem um ponto. Seu orçamento de informática nem faz cócegas no caixa da usina. Os computadores estão restritos à parte administrativa. Ligados em uma rede com dois servidores rodando Linux e um banco de dados, a empresa simplesmente ainda não sentiu necessidade de gastar mais para se informatizar.
Boa parte do agronegócio não requer uso intensivo de TI, admite Eduardo Couto, diretor comercial e de marketing da fornecedora de software de gestão empresarial RM Sistemas. O executivo acredita que a grande demanda por informática concentra-se nas empresas que beneficiam a matéria-prima e entregam um produto acabado no mercado.
A RM tem como cliente o Grupo Maggi, que com quase 100 mil hectares é o maior produtor de soja no mundo, mas que utiliza apenas o módulo de RH da fornecedora. Até agora eles não sentiram falta de um ERP. Onde eles precisam de tecnologia, que é para controlar os pagamentos, eles usam.
O executivo responsável por agronegócios na unidade de consultoria da IBM Brasil, Renato Gennaro, não critica o conservadorismo do setor nos investimentos em tecnologia da informação, mas acha que o momento é propício para rever conceitos. Não acho que os produtores erraram em não se informatizar, porém é hora de olhar com mais seriedade para a TI se eles querem aumentar a competitividade no mercado internacional.
Nível de maturidade por segmento
O estágio atual da TI nas empresas do setor de agronegócio.
Sucroalcooleiro Está amadurecendo rapidamente desde que o governo saiu do controle de regulação de preços. Na média, as empresas dessa área estão muito preocupadas com TI e propensas a investir. É um mercado que vem buscando tecnologia para o que é diretamente ligado à operação e para o suporte a suas funções.
Cítricos O Brasil tem uma atuação destacada no mercado internacional de laranja e as empresas nacionais desse segmento vêm pensando em tecnologia da informação constantemente. O setor está investindo, buscando renovar o parque e procurando formas de transformar investimento fixo em variável. O nível de maturidade em TI é, na média, bom.
Grãos Excluindo algumas grandes empresas, ainda é uma área em que o uso de informática está no estágio embrionário. Como as empresas desse segmento não estão em crise, não sentem urgência em investir em TI. No entanto, as companhias estão capitalizadas e poderiam aproveitar o momento para ganhar eficiência de gestão com uso de sistemas. Pecuária O perfil de adoção de TI nessa área está um passo atrás das empresas de cítricos e do ramo sucroalcooleiro. Embora ainda não esteja maduro no uso de informática, há um bom potencial no médio prazo.
Outros Há diversas empresas que atuam em áreas diferentes, desde fornecedoras de insumos e maquinário agrícola até os produtores de culturas com menor peso na balança comercial brasileira. Nessas culturas, há um perfil de adoção de TI similar ao do setor de pecuária e grãos, na média. Entre os fornecedores o nível de adoção de TI é variável.
Fonte: IBM BCS
Soluções específicas para o campo
Diversos fornecedores de TI já acordaram para o fato de que o setor de agronegócios representa um mercado potencial dos mais interessantes no Brasil.
SRI Tecnologia da Informação Empresa nacional fundada em 1987 com foco em soluções de TI específicas para o segmento agroindustrial. O sistema PIMS faz o planejamento e controle de produção, atividades, processo, custos e logística. Hoje são cerca de 75 clientes ativos no Brasil, México, Colômbia e Peru, a maioria no setor de açúcar e álcool.
Mega Sistemas – Fornecedora de pacotes de gestão empresarial com alguns módulos verticais, entre eles uma solução para agronegócios, com foco no setor sucroalcooleiro. O produto oferece controle agronômico, de qualidade da cana, transporte, planejamento de plantio e colheita. Para outras culturas, como fruticultura, foi incluída uma parte de manufatura, como encaixotamento. Possui 40 clientes na agroindústria.
IFS – Aposta no setor de açúcar e álcool, no qual tem seis clientes. Possui um ERP específico para agronegócios que abrange toda a manutenção de equipamentos agrícolas, gerenciamento de frotas e ações preventivas e corretivas de práticas ligadas à agroindústria. O diferencial é que a solução é estruturada em cima do conceito de tratar o campo como uma fábrica. A vertical gera cerca de 12% do faturamento da IFS no Brasil e é representada pela parceira Cone Consulting.
Datasul Fechou parceria com a SRI para compor o módulo solução de agroindústria, um pacote voltado para o setor sucroalcooleiro que compreende toda a parte administrativo-financeira do ERP da Datasul integrada com as soluções voltadas especificamente para o agronegócio da SRI.
O agronegócio brasileiro em números
O volume de exportações nos diversos segmentos vem crescendo ano a ano.
Vendeu 1,8 mil produtos para 208 destinos em 2003
Detém 34% do PIB nacional
Gera 37% dos empregos brasileiros
Exporta US$ 30,7 bilhões, com um superávit de US$ 25,8 bilhões
Responde por 42% das exportações totais do país
O complexo soja (grão, farelo e óleo) exportou US$ 8,1 bilhões em 2003.
Em 2004, estima-se que as exportações cheguem a R$ 12 bilhões no complexo soja e a US$ 4,5 bilhões no complexo carnes.
Fonte: Ministério da Agricultura
|Computerworld – Edição 407 – 21/04/2004|