ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250
segurança

Web financeira sem grito de independência

A Internet comprova ser um instrumento poderoso para motivar o investimento em fundos e ações no País. Porém, os portais financeiros não arriscam a independência das instituições administradoras.

Publicado: 07/03/2026 às 10:01
Leitura
6 minutos
Web financeira sem grito de independência
Construção civil — Foto: Reprodução
Veja o incremento dos clientes em relação ao ano passado:
ShopInvest 100%
SulInvest 20%
IGFinance 500%

Investir em DI, CDB ou derivados soa, no mínimo, estranho para a maioria dos brasileiros. Fazer isso por meio da Internet, então, parece até impossível. Certo? Errado. A Web está demonstrando ser uma ferramenta poderosa para motivar essa demanda. Cândido Leonelli, diretor do departamento de produtos especiais do Bradesco, revela que o portal financeiro da instituição, batizado de ShopInvest, já é responsável por cerca de 10% do total dos investimentos de fundos do banco.

Crescer na Internet, porém, não é sinônimo de bom negócio. Tanto que o ShopInvest, que registra um incremento de 100% em relação ao ano passado, não descolou da instituição financeira. “A partir do momento que se cria uma comunidade dentro do Internet Banking, a tradição do Bradesco é fazer um spin-off e criar o site. O que é core business da instituição fica no Bradesco, aquilo que exige novas administrações, como o ShopFácil, se torna independente sob o comando da Scopus”, explica Leonelli.

Paulo Albert Holland, gerente de Internet da Sul América Investimentos, foi contratado para elaborar um novo plano de negócios que envolvia o desligamento do portal financeiro, o SulInvest, da instituição. “Concluí que o melhor era manter o portal atrelado ao mundo físico, porque a independência implicava num projeto de longo prazo, que demandaria um investimento anual de R$ 10 milhões, sem retorno durante os próximos dois anos”, confessa Holland.

Ele ainda enfatiza a inviabilidade do portal independente na ponta do lápis: “a fonte de receita desses portais está baseada no comissionamento das taxas de administração e publicidade. A variação dessas taxas vai de 0,35% a 5%, sendo que a faixa média praticada é de 1% . Na melhor das hipóteses, o portal estaria ganhando metade como comissão, o que significa 0,5%. Detalhe: é 0,5% de um montante ainda não representativo”.

Iniciativa do grupo Opportunity, o portal independente IGFinance, segundo Fernando Barroso Amaral, diretor de produtos financeiros, atingirá seu ponto de equilíbrio no final de 2002. O executivo revela ainda que o portal nunca demandou somas astronômicas de dinheiro. “O investimento inicial foi muito baixo”, garante. De qualquer forma, os investidores terão que suportar a manutenção do IGFinance, sem retorno, até 2002.

Lucro

Mas nem só más notícias geram um portal independente. Ele é o único que pode se beneficiar com a flexibilidade e oferecer uma gama de opções para o internauta. Tanto que, enquanto o IGFinance representa 16 administradores que lhe permitem distribuir 80 fundos, o ShopInvest representa exclusivamente a carteira do Bradesco Investimentos, que totaliza 30 fundos.

“Tenho problema em colocar fundos de concorrentes similares aos da Sul América Investimentos. O canal tradicional obriga tomar certas medidas que limitam nossa ação. Porém, a instituição tem uma política respeitada porque permite colocar ferramentas como um simulador que compara o fundo da Sul América com o restante do mercado”, admite Holland.

Já o Bradesco não oferece essa ferramenta. Leonelli explica que o simulador não existe porque o cliente não tem acesso a outros fundos no ShopInvest. E adianta: “mas quando tivermos outros fundos posso oferecer esta ferramenta”. Ele esclarece, porém, que o portal não tem intenção de ser independente e só abrirá as portas para terceiros se as instituições tiverem algo muito forte para complementar o ShopInvest.

“Não posso simplesmente abrir minha carteira de clientes”, ressalta. São mais de 300 mil usuários ativos entre correntistas e não-correntistas que movimentaram, somente em agosto, um montante de R$ 150 milhões. Leonelli informa ainda que no setor financeiro, onde há identidades muito consolidadas, não sobrevive um puro player. “O usuário deseja continuidade, garantia e a marca da instituição”, reforça.

O SulInvest abriu um pouquinho as portas e além da carteira da Sul América Investimentos, que compõe 16 fundos, oferece também outros quatro do banco holandês ABN Amro, totalizando assim 20 fundos. “Apesar do site ser fechado para os investidores da Sul América Investimentos, o contrato com o ABN Amro envolve a oferta de aplicações a partir de R$ 100, que podem ser direcionadas a um perfil diferente do nosso investidor como, por exemplo, nossos funcionários”, revela Holland.

A Sul América Investimentos conta com uma base de 2,5 mil clientes e um ticket médio de investimento de R$ 150 mil, sendo que mil clientes já utilizam o canal SulInvest. O executivo admite que o contrato fechado com o ABN Amro indica uma porta de entrada para a independência. Porém, deixa claro que isto não deve acontecer tão cedo: “tenho seis pessoas que compõem a equipe da SulInvest e um suporte de 100 profissionais da Sul América”.

Sem informar o número de transações nem os valores, Amaral revela que já existem 150 mil internautas cadastrados no IGFinance. “Uma boa parcela desses usuários vem da audiência do portal IG”, informa. Ele ainda garante que o IGFinance não apresenta somente cadastros, mas usuários ativos que vem crescendo cada vez mais.


Como será o amanhã?

O presságio originado de uma pesquisa da consultoria americana Bain & Company estima que 50% das transações de fundos no Brasil serão realizadas, nos próximos três anos, via Internet. A maioria não duvida. “Acostumada com a Internet, a nova geração terá capacidade de usufruir todas funcionalidades dos portais financeiros, criando assim um novo hábito”, destaca Holland.

Além de informativos, que ainda são bastante especializados, os portais também apresentam ferramentas como simuladores de investimentos, estimulando cada vez mais a prática de investir em fundos e ações. “Meu trabalho é desenvolver apóstolos da Web. Eu acredito que assim como havia o
boca-a-boca, hoje há o mouse-a-mouse. Há um potencial enorme ainda para ser explorado”, ressalta Leonelli.

“A Internet possibilita a entrada de novos perfis dentro do mundo financeiro”, frisa Amaral. Por enquanto, o potencial usuário dos portais é o tradicional investidor que migra do canal
offline para o online. A penetração de novos investidores já existe,
mas é muito pequena.

|Computerworld – Edição 351 – 03/10/2001|

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas