Exemplos de emprego da tecnologia no ensino comprovam que ela pode funcionar como instrumento para a melhoria do aprendizado, aperfeiçoamento profissional e a inclusão digital. Veja como isto vem ocorrendo em todos os níveis de ensino dos setores público e privado.
André Borges
Quando o contista, crítico, cronista, dramaturgo, ensaísta, jornalista, poeta, novelista, romancista e fundador da Academia Brasileira de Letras, Joaquim Maria Machado de Assis, publicou o clássico Dom Casmurro, em 1899, 75% da população brasileira era analfabeta.
Provavelmente, Machado de Assis não imaginava que, mais de um século depois, o Mapa do Analfabetismo no Brasil, elaborado em 2003 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), revelaria que pelo menos 20% dos brasileiros ainda não têm condições de ler seu romance.
Atualmente, o Brasil possui 16 milhões de analfabetos com idade de 15 anos ou mais; e outros 30 milhões de analfabetos funcionais, isto é, pessoas com menos de quatro anos de estudo. Ao baixo índice de alfabetização somouse, nas últimas duas décadas, a chamada exclusão digital, pessoas sem acesso a um computador e à internet, o que tem contribuído para ampliar ainda mais o fosso social no país.
Entre 1990 e 2001, o impacto da modernização tecnológica resultou na eliminação de 10,7 milhões de empregos no Brasil, segundo levantamento feito pelo Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É certo que parte desse índice se refere a simples automatização de operações manuais básicas, mas também não há dúvida de que a recolocação profissional tem se tornado cada vez mais difícil àqueles sem escolarização básica ou aos excluídos digitais.
Mas se por um lado a evolução tecnológica parece ter alargado o abismo social, por outro ela tem funcionado como instrumento vital no combate a essa exclusão, ampliando o acesso a informações, fomentando novas metodologias e a qualidade do ensino, além do aperfeiçoamento profissional. Ações dessa natureza são cada vez mais freqüentes com maior ou menor intensidade em setores do governo, na iniciativa privada e em organizações do terceiro setor.
A crescente busca das instituições de ensino pela informatização de seus processos e serviços está se transformando também em um mercado atraente para o setor de tecnologia. Depois de promulgada a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB), em 1996, que permitiu a entrada de empresas com fins lucrativos no setor educacional, o Brasil experimentou um boom na abertura de escolas, especialmente faculdades, universidades e escolas técnicas. Dados do INEP revelam que a rede privada de ensino superior saltou de 526 escolas em 1999 para 1.125 em 2002. O número de cursos de graduação cresceu de 10.585 em 2000 para 14.399 em 2002.
A conseqüência direta dessa expansão é o aumento da concorrência entre as novas instituições privadas, as quais tem investido milhões em publicidade e tecnologia para conquistar e manter alunos. Tudo isso por uma razão muito simples: hoje somente 70% das vagas oferecidas no ensino superior são ocupadas. Eis aí um prato cheio para soluções de TI que dinamizem os processos internos, facilitem o relacionamento e tragam, além de redução de custos, maior conveniência para alunos, pais, professores e funcionários. Desafios e oportunidades deste mercado serão abordados no seminário Tecnologia Aplicada ao Segmento de Educação, evento do IDG Brasil que acontece no dia 25 de março, em São Paulo – saiba mais informações em www.idg.com.br/seminarios.
De olho no setor privado
Quando se fala no emprego da informática no ensino, é preciso observar que dois mundos completamente distintos dividem a educação atual no Brasil: o das instituições públicas e o das escolas privadas. De um lado, estão instituições de ensino superior mantidas pelo governo federal, como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que chegaram ao cúmulo de ficar sem dinheiro para pagar as contas de energia elétrica.
Não é por acaso que o Ministério da Educação (MEC) defende a cobrança de uma taxa similar à CPMF para financiar as universidades públicas, além de contribuições de ex-alunos de determinada faixa de renda. Atualmente, a definição dessa proposta está nas mãos do novo ministro da Educação, Tarso Genro, que assumiu a pasta na última semana de janeiro.
Se as sugestões polêmicas apontadas no texto do MEC forem aprovadas, podem entrar em vigor a partir de 2005. Também em janeiro, a Secretaria de Educação Superior anunciou a criação da Câmara Universidade 21, que reunirá um grupo de representantes do governo e de várias entidades com a finalidade de discutir propostas sobre a reforma universitária. A expectativa é que o Congresso Nacional receba um programa de novas diretrizes para o ensino superior no Brasil até o segundo semestre.
Mas, enquanto a situação segue indefinida, a indústria de tecnologia vê crescer o interesse do setor privado em soluções que aprimorem a gestão de seus processos, sejam estes acadêmicos ou administrativos. Foi de olho nesse mercado que empresas como a fornecedora de sistemas de gestão empresarial RM Sistemas decidiu investir em uma solução vertical para o setor acadêmico.
Em 2000, a empresa lançou o Corpore RM Educacional, integrando módulos tradicionais de contabilidade, finanças e compras ao de gestão acadêmica. O diretor de mercados verticais da RM, Leonardo Mascarenhas, comemora os resultados.Hoje temos mais de mil instituições de ensino em todo o país usando pelo menos um módulo de nossa solução. Destas, cerca de 350 já aplicam nosso ERP em mais de quatro áreas.
O executivo diz ter escolas como usuárias do produto em todos os níveis de ensino, mas salienta que a grande maioria está concentrada nas faculdades e universidades. As instituições estão enfrentando dois grandes problemas, que são a evasão de alunos e a inadimplência. Elas gastam muito em ações de marketing para conquistar alunos, mas já perceberam que é preciso ter estratégias para retê- los, comenta Mascarenhas.
De fato, dados do Censo da Educação Superior, realizado pelo MEC em 2002, apontam que pelo menos 30% das faculdades e universidades privadas enfrentam situações complicadas com a falta de pagamento das mensalidades. Essa situação leva Mascarenhas a acreditar que, depois das implementações pesadas de ERPs, o setor acadêmico deve se voltar para o CRM (Customer Relationship Management) educacional, aproximando- se mais do perfil e das necessidades de cada aluno.
Mas, verdade seja dita, é certo que antes de ter acesso a aplicações tecnológicas, a grande maioria dos alunos está mais preocupada com o preço abusivo cobrado por diversas instituições.
Atenta ao potencial do mercado acadêmico, a Microsiga, empresa brasileira especializada em software de gestão, foi outra que decidiu entrar na ciranda, com o lançamento de seu AP7 GEGestão Educacional. Há dois anos no mercado, o produto já é utilizado por 108 instituições educacionais.
O diretor de marketing da empresa, Cláudio Bessa, afirma que o sistema possui peculiaridades essenciais para uma organização de ensino, contemplando rotinas como processo seletivo, matrículas por período ou disciplinas, histórico escolar, avaliação institucional, requerimentos e questões operacionais. As universidades precisam ter controle de capilaridade, o crescimento é muito forte. E além de questões relacionadas ao ensino, vemos que elas estão se tornando um tipo de shopping center, com academias de ginástica, lojas e tudo que se imagina, diz.
O produto, que já é responsável por 10% do faturamento da Microsiga, é uma de suas principais apostas para os próximos anos. Bessa afirma que a maior parte das instituições de ensino superior privadas, hoje as principais consumidoras de tecnologia no setor acadêmico, ainda possuem soluções caseiras e com pouca integração.
Não pensa diferente o diretor da Mega Sistemas para a área de educação, José Carlos Silva Júnior, que também possui um produto de gestão para o setor, o Mega 2000 Acadêmico, e atualmente conta com 20 clientes.Vamos dobrar nossa base de usuários esse ano, acredita ele. Exceção à regra, a Mega também vem sondando o setor público de educação, especificamente escolas de ensino fundamental e médio. Estamos negociando com uma prefeitura dentro do estado de São Paulo para informatizar inicialmente 30 escolas de ensino médio e fundamental, comenta Silva Júnior.
O executivo diz que se trata de um mercado cheio de obstáculos, mas ao mesmo tempo repleto de oportunidades.Hoje estamos em processo de análise e discussão de negócios com duas prefeituras do estado de São Paulo, uma do Paraná e outra de Belo Horizonte, adianta Silva Júnior, sem revelar quais são as prefeituras.
Embora pareça um contrasenso ver a rede pública de ensino investindo em soluções de gestão, quando o problema básico e maior é prover acesso tecnológico a alunos e professores, o diretor da Mega defende sua tese. A partir desse sistema, a prefeitura poderá, por exemplo, desenhar o perfil sócio-econômico de seus alunos e a partir daí tomar decisões.
Apesar dessas investidas dos fornecedores, o fato é que a indústria de tecnologia ainda está prestando vestibular. Não há hoje uma instituição privada de ensino superior no país que não esteja passando por transformações de seus processos internos e externos.
Desde a disponibilidade de boletins na internet, passando pela automação de requerimentos administrativos até a consolidação da complexa folha de pagamento, tudo ainda vem sendo desenvolvido, testado e adquirido. Em alguns casos, o projeto é desenvolvido em parceria. Foi o caso da Microsiga, que não dispensou o trabalho da equipe do Centro Universitário Nove de Julho (Uninove). O pró-reitor de planejamento e tecnologia da Uninove, Alessandro Marco Rosini, afirma que a área de educação ainda não conta com as mesmas opções de produtos de tecnologia que o mercado oferece para as empresas em geral. Nós não tínhamos um modelo de TI aplicado à educação, como nos Estados Unidos e na Europa. A partir dessa realidade, firmamos parceria com a Microsiga e investimos nesse contexto evolutivo, conta.
A parceria na pesquisa teve início em janeiro de 2002. A Uninove participou ativamente na construção de uma solução, nós fomos os mentores do projeto, comenta.
Hoje a Uninove, que já utilizava o ERP tradicional Microsiga, faz uso pleno do que Rosini chama de higher education, porém não tem qualquer participação nas vendas do novo produto. A meta da instituição agora é integrar todos os sistemas até julho, rodando todos os níveis de ensino do centro universitário no ERP educacional.
Para isso, mais de 1,2 mil professores estão passando por treinamento. Com cerca de 40 mil alunos matriculados, a Uninove também quer explorar as aplicações web para facilitar e tornar mais ágil a comunicação. Em março entra no ar o novo portal da instituição. Business intelligence também já é um termo bastante comum nos corredores administrativos do centro universitário. Temos um produto da MicroStrategy, que usamos para saber quais são os melhores alunos, as principais dificuldades, as disciplinas com maior índice de aprovação e reprovação. Com isso, vamos ampliar a qualidade da educação, afirma Rosini.
Para alcançar esses objetivos, o executivo revela que a Uninove investiu cerca de R$ 2 milhões somente em seu projeto de ERP administrativo. Hoje, cerca de 5% de seu faturamento vai para a área de tecnologia.
Sem hora do recreio
Ao contrário do que ocorre na maioria das grandes empresas do país, o ERP ainda está engatinhando no setor educacional. Preocupadas em oferecer conveniência aos alunos e avançar em territórios ainda pouco explorados como o e-learning (veja quadro abaixo), as instituições de ensino superior perceberam que, antes de qualquer decisão, é preciso arrumar a casa.
Foi com essa proposta que Leonardo Alecrim de Souza chegou à Universidade Anhembi Morumbi, no segundo semestre do ano passado.Até então, a instituição operava com um sistema proprietário. Com a expansão da universidade, adotamos o produto Microsiga e agora iniciamos a implementação, afirma o gerente de TI da universidade.
A expectativa de Souza é de que o ERP, responsável pelos setores acadêmico e administrativo, esteja totalmente integrado até o fim deste ano. Entre as tarefas que tem pela frente está a importação da base de dados e a integração de 4 mil pontos de rede distribuídos em quatro campi. Feita a lição de casa, a Anhembi Morumbi também quer partir para o business intelligence.
Quem também está preparando o terreno para soluções mais complexas é a Universidade Mackenzie. Com cerca de 5% de seu faturamento destinado ao setor de TI, a instituição é provedora de acesso a internet desde 1998, oferecendo contas de e-mail para alunos, professores e funcionários.
Baseado em um plano diretor de informática, o Mackenzie passou pela criação de diversos portais, envolvendo desde intranet corporativa até serviços específicos para professores e alunos. No semestre passado, 100% de nossas matrículas para os cursos de pós-graduação foram feitas pela internet. Na graduação, a maioria dos alunos já está fazendo a rematrícula via rede, comemora José Augusto Brito, gerente de informática da universidade.
Mas até conseguir oferecer serviços como geração de boleto, avaliação de disciplinas, consulta de notas e requerimentos administrativos pela rede mundial, o caminho não foi tão tranqüilo. De 2000 para 2001, o Mackenzie trocou seu mainframe por servidores Risc. Em seguida, iniciou a implementação de dois sistemas de gestão: um ERP administrativo (Microsiga) e um acadêmico (Cadsoft), que roda todo processo do vestibular, interconexão das bibliotecas e as transações dos alunos.
A expectativa de Brito é que a integração de ambos seja finalizada até julho deste ano. Com o trabalho consolidado, o Mackenzie passará a ter conexão total com seus 37 mil alunos matriculados e 1,4 mil professores.Atualmente, seus seis campi já estão interligados por uma intranet com tecnologia MPLS (Multiprotocol Label Switching).
Enquanto começa a analisar e testar módulos de business intelligence, CRM e supply chain, a universidade também finaliza seu projeto de terceirização de impressão, colocando para fora de casa a responsabilidade pela manutenção e reposição de suprimentos e equipamentos. Segundo Brito, a decisão pela terceirização é muito simples. Não é só redução de custos. A verdade é que hoje temos uma demanda tão reprimida, que se eu quintuplicasse minha base atual, ainda não seria capaz de atender nossas necessidades, reconhece o gerente de informática.
Como parte das ações para economia de papel, a universidade também adotou uma solução de gerenciamento eletrônico de documentos (GED) desde o segundo semestre de 2003. O Mackenzie parece estar no caminho certo, a exemplo do que já vem fazendo a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Com uma estrutura menor, 13,5 mil alunos e cerca de mil professores, envolvendo colégio, graduação e pós-graduação, a FAAP encerrou 2003 com a meta de diminuir em 80% seus gastos com papel e cartuchos de tinta naquele ano. Estamos fechando as contas agora, mas acredito termos alcançado nosso objetivo, o que resultará em uma economia de R$ 600 mil, revela o gestor de informação da Fundação, Rafael Possik.
Para alcançar tal façanha, o executivo conta que as áreas administrativa e acadêmica passaram por um forte processo de automatização. Tínhamos cerca de 900 computadores que eram utilizados como máquinas de escrever sofisticadas, com processos lentos e burocráticos. Hoje a autorização de projetos ou qualquer memorando é transmitida e analisada via intranet, com assinatura digital certificada pela Certisign, conta Possik.
Se em sua gestão empresarial a FAAP optou por desenvolver uma solução própria com apoio de integradores terceirizados, na área acadêmica a Fundação foi até o mercado e adquiriu o produto Techne. Além de disponibilizar suas rotinas acadêmicas pela internet, a FAAP possui 300 micros espalhados pelo campus.
Prova de que a tecnologia vem fazendo diferença, no ano passado 100% de suas matrículas da graduação foram feitas pela web.Mais de 90% de nossos alunos tem acesso à rede. Àqueles que não tem, oferecemos os micros do próprio campus, diz Possik. Ao longo deste ano, a Fundação pretende investir mais em soluções de segurança da informação, colocando tokens à disposição dos funcionários administrativos. Também vamos oferecer novas aplicações aos alunos, como acessar notas e outros serviços pelo celular ou acompanhar eventos via webcast, completa Possik.
Quem está fazendo a lição de casa
O que algumas instituições privadas de ensino superior planejam para 2004
Instituição
Principais projetos em andamento
Anhembi Morumbi
Implementação do sistema de gestão administrativa e acadêmica. O projeto deve ser concluído até o final de 2004.
Os próximos passos se voltarão para soluções de business intelligence.
FAAP
Não possui um pacote de mercado, a solução de gestão foi desenvolvida internamente. Depois de reduzir o gasto com papel em 80%
em 2003, se voltará para aplicações de segurança, disponibilidade de notas e de requisições via celular para alunos, além de
tokens para área administrativa.
Mackenzie
Seus dois sistemas de ERP – um para gestão acadêmica e outro para área administrativa – serão concluídos até
o final do primeiro semestre. Próximos projetos incluem soluções de business intelligence, CRM e supply chain.
Também está sendo finalizada a terceirização de impressão.
Senac-SP
Conclusão do sistema acadêmico até final de 2004. Implementação de conexões sem fio no centro universitário para intranet e internet;
e ampliação do sistema operacional Linux em suas operações.
Uninove
Conclusão do sistema de gestão até julho de 2004; Lançamento do novo portal da instituição em março; e ampliação do projeto
de business intelligence.
Unip
Digitalização de todo o conteúdo gerado pelo Grupo Objetivo para disponibilidade multimídia, inclusive por meio da TV Digital.
Conferências e palestras já são transmitidas em tempo real, pela internet, entre as unidades da instituição de ensino.o.
Nada de improviso
O desafio que as empresas de TI enfrentam para fornecer tecnologias cada vez mais customizadas para o setor acadêmico não está relacionado apenas às regras e procedimentos específicos, como o pagamento de professores por hora/aula e os recessos de férias. Ao se observar a infra-estrutura de certas instituições de ensino, a customização até parece um desafio menor.
O Senac-SP é exemplo que reforça a teoria.Ao todo, são mais de 200 mil alunos por ano, 2,7 mil funcionários e 7,2 mil educadores atuando em 60 unidades distribuídas por todo o estado de São Paulo. Com um programa de ensino que oferece desde cursos livres e técnicos até graduação e pós-graduação, o Senac-SP realiza mais de 500 mil treinamentos por ano, além de administrar uma editora, dois hotéis e um canal de televisão.Neste mês inauguraremos um centro universitário, adianta o gerente de sistemas César Tadeu Fava.
Sob a sua responsabilidade estão o fornecimento de recursos de internet para toda a instituição, o acesso aos serviços e a conexão local de rede. Na raiz dessa infraestrutura roda o E-business Suite, da Oracle. Para gerenciar sua folha de pagamento, a instituição precisou desenvolver uma aplicação específica com a fornecedora. Atualmente, mais três ERPs se integram ao E-business Suite, sendo que dois deles se encarregam da editora (Sapiens e CM Soluções) e um da gestão acadêmica (Cadsoft). Este último acabou de estrear no último de vestibular para cursos de graduação e pós.
Fava comenta que, até então, sua base acadêmica rodava em um sistema desenvolvido internamente, mas que as aplicações já não ofereciam a qualidade das informações que a instituição precisava. É um volume enorme de dados. Diariamente trafegam mais de 75 mil mensagens de e-mail somente de circulação interna. Com o Cadsoft totalmente conectado ao Oracle, teremos um único produto para gestão do Senac-SP.
Com uma equipe de 31 profissionais, o gerente de sistemas se prepara para a implementação de pontos de acesso para redes sem fio (access point) no novo centro universitário. Lá também testaremos um projeto de terceirização de impressão, que deverá criar um modelo para aplicarmos nas demais unidades, explica Fava.
No Centro de Tecnologia Aplicada do Senac- SP, o antigo quadro negro e o giz também perderam a vaga para salas de aula multimídia, equipadas com lousas eletrônicas. Utilizado nos cursos de tecnologia, para equipar seus dez laboratórios, 35 salas de aula e uma biblioteca o CTA se inspirou no Massachussets Institute of Technology (MIT) e Georgia Tech.Durante a aula, o professor pode reunir apresentações, imagens, vídeos e qualquer outro formato de arquivo audiovisual (que ficam armazenados em um servidor) e exibi-los em lousas eletrônicas. Mesmo que o aluno não compareça à aula, poderá acessar o conteúdo mais tarde.
Disputando a vanguarda tecnológica também está a Universidade Paulista, do grupo Objetivo. Não é para menos. Ela é hoje a maior universidade do país, em faturamento, números de alunos, unidades e campi. Em 2003, faturou cerca de R$ 1 bilhão. Segundo a instituição, passaram pelos seus 28 campi cerca de 88 mil alunos em 2002. Já nos colégios Objetivo estão matriculados nada menos que 395 mil alunos.
Para desenvolver seus sistemas a Unip faz associações de pesquisa com empresas como Intel,Microsoft e Oracle. Por meio de equipamentos sofisticados de simulação de vôo e outras parafernálias high tech, alunos podem testar, na prática, conceitos de disciplinas como física e biologia. Em algumas salas dos campi, eles também já têm aulas por meio de lousas eletrônicas.
O gerente de informática da Unip, Marcelo Souza, afirma que neste momento as atenções da universidade estão voltadas para a digitalização de sua gigantesca base de dados. Uma equipe formada por cerca de 70 profissionais está trabalhando na produção do material didático, que deve se transformar em uma base multimídia de informações para todo o grupo Objetivo.
No futuro, Souza diz que a Unip também pretende desenvolver uma série de projetos com a TV digital. A propósito, João Carlos Di Gênio, além de criador dos cursos prévestibular e proprietário do grupo, é também concessionário de uma emissora de TV. Enquanto o padrão da TV digital brasileira não sai, a instituição propaga seus serviços pela web.No último vestibular realizado pela instituição, 60% das inscrições foram agendadas pela internet.No dia da prova, o aluno compareceu ao campus e fez seu teste em um computador.
Qualidade que faz a diferença
Um retrato do estágio atual da informatização nas escolas do ensino privado
Na medida em que universidades e faculdades do país vão se informatizando, a tendência é que a TI também passe a freqüentar mais de perto as salas de aula de instituições de ensinos fundamental e médio. Se na rede pública a discussão básica é o acesso à internet, em tradicionais escolas do setor privado de São Paulo a tecnologia envolve de ferramentas de apoio ao ensino à automatização de processos administrativos.
Em 1996, um ano após a chegada da internet no país, o Colégio Bandeirantes já era provedor de acesso gratuito, oferecendo contas de e-mail para seus alunos. De lá para cá, o colégio estruturou um laboratório de informática, onde centraliza ações para atender seus 150 professores e 2,7 mil alunos. Das 40 salas que possui, 16 têm equipamentos multimídia. É praticamente impossível estudar aqui se o aluno não tem um computador em casa. Os professores colocam muita informação na internet, o site se transformou em uma ferramenta essencial na educação do aluno, declara Mário Abbondati, coordenador de tecnologia educacional do colégio.
O Colégio Augusto Laranja segue o mesmo ritmo. Com login e senha, os pais podem acompanhar a freqüência e o desempenho diário de seus filhos. Pela web, os mil alunos da instituição fazem reservas de livros, acessam notas e boletins. Atualmente, além de laboratório de informática, dispomos de uma sala com lousa eletrônica, onde são exibidas aulas programadas, comenta Jânia do Valle, diretora de informática do colégio.
Na área administrativa, o Augusto Laranja possui um sistema de gestão (Seitudo.Net) que gerencia operações acadêmicas e financeiras. Agora também devemos incluir nossa folha de pagamento no sistema, diz Jânia. Suportando uma estrutura um pouco mais complexa que os dois casos anteriores, o Colégio Rio Branco é exemplo de maturidade tecnológica.
Pertencente à Fundação dos Rotarianos de São Paulo, o colégio mantém em seus dois campi 241 professores, 271 funcionários administrativos e 4,5 mil alunos. Com as duas plantas conectadas por rede Frame Relay, possui assim como a maior parte das faculdades e universidades soluções específicas para necessidades corporativas e acadêmicas. O gerente de TI da fundação e responsável pelo colégio, Wilians Antonio Coan, conta que em 2003 foi ao mercado atrás de soluções acadêmicas que suportassem todos os níveis de ensino (além do colégio, a fundação administra as Faculdades Integradas Rio Branco, a Escola Especial de Crianças Surdas e o Centro Profissionalizante Rotary), mas afirma que não teve sorte na empreitada. Queríamos um sistema único para atender nossa infra-estrutura, mas as soluções nunca cumpriam na totalidade o precisávamos.
Ao contrário dos processos administrativos, que são executados por um pacote de mercado (Magnus), o Rio Branco optou pelo desenvolvimento interno no setor educacional. “Mas isso não significa que uma nova avaliação não será feita novamente, diz Coan. Quanto às próximas investidas tecnológicas, o executivo dá o recado aos fornecedores, revelando que o colégio está em busca de uma solução de CRM. Rede sem fio também é recurso que faz parte de suas novas ambições. Vamos interligar as três plantas que temos via wireless, rodando dados de internet e processos administrativos.
O gerente de TI do Rio Branco já colocou o projeto na ponta do lápis e garante que a nova tecnologia será quatro vezes mais rápida, mantendo o custo atual de sua rede. Rodando voz e dados, Coan também aguarda redução nos custos com telefonia. Hoje são necessidades vitais e a diretoria tem visão clara disso.
Atualmente, cada sala de aula do Colégio Rio Branco possui ponto de conexão à web, desde o maternal até o segundo grau. Tecnologia aqui é utilizada para diversificar as formas de leitura do mundo, com uso de imagem, áudio e texto, afirma Marcia Teixeira Macedo, coordenadora de tecnologia educacional da escola.
Para reciclar conhecimentos, no fim de cada ano o colégio realiza cursos de capacitação tecnológica para os professores. Em curso recente, o Rio Branco abordou uma metodologia de trabalho colaborativo, na qual o professor coloca na web o trabalho que desenvolverá no decorrer do ano, interagindo com pais e alunos. É uma maneira interessante de envolver mais a família na educação, argumenta Márcia.
O bê-á-bá online
Os projetos de e-learning das instituições de ensino do país
Pela movimentação das instituições de ensino de todo o país em torno do e-learning, a educação a distância deve ser a bola da vez e promete se firmar como um sólido meio de formação acadêmica. E desta vez o governo federal não perdeu tempo e lançou a Universidade Virtual Pública do Brasil, UniRede, um consórcio de 70 instituições de ensino superior que oferece cursos de educação a distância.
Por enquanto, a prioridade do governo é oferecer cursos de licenciatura para professores em diversas áreas de ensino. Para tanto também vale a colaboração de material impresso e vídeo. Estamos tentando integrar processos e tecnologias. Não podemos pensar exclusivamente em mídia online, senão deixaríamos muita gente de fora. É preciso que haja uma pluralidade de projetos, comenta a diretora de políticas de educação a distância do MEC, Carmem de Castro Neves.
O setor privado, no entanto, vem correndo por fora. No Macapá, a plataforma digital da Eduweb suporta aulas e material pedagógico de alunos e professores da Faculdade Seama. Aproveitando as novas regras da LDB, que permitiu às instituições de ensino superior realizar 20% de suas aulas no formato não-presencial, instituições como Anhembi Morumbi, FAAP, Mackenzie, Senac-SP, Uninove e Unip já invadiram o mercado com aulas a distância e cursos de pós-graduação online. Algumas esperam autorização do MEC para transformar cursos de graduação em formato basicamente digital, com 80% das aulas realizadas a distancia, conforme determina a LDB.
Isso é o que já alcançou a Universidade Virtual Brasileira (UVB), que está realizando seu primeiro vestibular para graduação a distancia em Ciências Econômicas, Secretariado Executivo e Administração e Marketing. Formada por um grupo de dez instituições particulares do país, a UVB ofereceu durante três anos mais de 20 cursos de extensão universitária, pelos quais passaram mais de 2 mil alunos. Agora, no processo seletivo de graduação, é preciso que o aluno compareça a um dos 50 campi espalhados pelo país. Aprovado no teste, ele só terá que comparecer no campus a cada fim de semestre para realizar uma prova.
Segundo o diretor corporativo do Instituto UVB, Rodrigo Capelato, a expectativa é que 1,5 mil alunos ingressem nos cursos neste primeiro semestre. Na programação estão aulas em tempo real, ministradas por meio do computador para cerca de 30 alunos por sala. As informações são transmitidas em imagem, som e texto. Durante a graduação, são emitidos certificados de cada módulo cursado, onde o aluno já recebe, por exemplo, certificado de capacitação profissional em gestão do conhecimento. Com custo mensal entre R$ 400 e R$ 600 mensais, a UVB pretende oferecer brevemente outros cursos de graduação, como turismo e ciências contábeis.
INCLUSÃO DIGITAL: UM CAMINHO NADA SUAVE
O Brasil tem hoje 180 mil escolas, 2 milhões de professores e cerca de 50 milhões de alunos em sua rede pública de ensino fundamental e médio.Dados do MEC revelam que, desse total, somente 3,5% das escolas públicas municipais de ensino fundamental e 12% das de ensino médio têm acesso à internet. Já na rede estadual a web chegou a 25% das escolas de ensino fundamental e 39% das de ensino médio, embora isso não signifique que os alunos tenham acesso à tecnologia. Hoje temos apenas um computador para cada cem alunos das escolas públicas dos ensinos fundamental e médio do país. A média é muito baixa, reconhece Américo Bernardes, diretor do departamento de informação em educação a distância do MEC.
O fato é que esse cenário seria bem diferente se disputas políticas e jurídicas não tivessem (como ainda estão) atravancado o uso de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), criado em agosto de 2000.Previsto na Lei Geral de Telecomunicações, o programa nasceu com a finalidade de levar infra-estrutura tecnológica a escolas, bibliotecas e hospitais.
Com 1% da receita operacional bruta das operadoras de telecomunicações e 50% das receitas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), referentes a concessões de serviços públicos, exploração de serviços privados e direito de uso de radiofreqüência, o Fust acumulou em seus cofres nada menos que R$ 3 bilhões até o fim de 2003, exatamente a data prevista no programa em que todas as escolas públicas de ensino médio e profissionalizante do país estariam informatizadas o que não ocorreu.
Não é por acaso que empresas de telefonia e associações do setor fizeram coro pela extinção do fundo, acusando o governo de utilizar o programa para engordar suas reservas e atingir as metas de superávit primário estabelecidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas depois de tanta polêmica pode ser que, finalmente, as coisas comecem a funcionar, a partir da criação do novo Serviço de Comunicações Digitais (SCD) anunciado em janeiro passado pela Anatel.
Utilizando recursos do Fust, o programa nasce com a meta de prover acesso à internet em banda larga para todas as escolas públicas até 2009. Na segunda quinzena de janeiro a Anatel detalhou as regras do SCD, serviço que divide o país em 11 diferentes áreas, nas quais atuarão as empresas vencedoras de concorrência pública a ser realizada e que terão a concessão do SCD.
A expectativa é de que os editais de licitação sejam publicados ainda neste mês. A Anatel, comandada desde o mês passado por Pedro Jaime Ziller, ex-secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, já declarou que pretende iniciar a implementação dos serviços nas escolas a partir do último trimestre deste ano.
Cabe agora aos potencias prestadores de serviços do SCD, isto é, operadoras de telefonia fixa e móvel e companhias de TV a cabo e de transmissão via satélite, chegarem a um acordo para que a internet vá até as escolas dos 5.561 municípios do país.
Atualmente, das 180 mil escolas públicas brasileiras, mais de 100 mil estão na zona rural. Não podemos esquecer que somente 6% dos municípios têm provedor de internet e apenas 10,4% têm acesso a rede, alerta Jean-Claude Frajmund, diretor da TV Escola, projeto patrocinado pelo MEC.
Assim como o setor de telecomunicações e informática, o MEC também tem planos para os recursos do Fust. Entre seus projetos está o Conexão Já, que pretende ligar 42 mil escolas à rede mundial. Mas enquanto o projeto não sai da gaveta, o ministério dá andamento ao seu programa nacional de inclusão digital (Proinfo), que capacita escolas e professores desde 1997.
O responsável pelo programa, Américo Bernardes, afirma que neste ano o MEC pretende instalar 20 mil computadores em escolas públicas, o que será feito com verbas do Tesouro Nacional já aprovadas pelo governo. Ele comenta que, entre 1997 e 2002, o Proinfo instalou 50 mil máquinas em escolas públicas. Além da nova investida em infra-estrutura, o programa pretende capacitar mais 1,4 mil técnicos para fazer uso das máquinas.
O treinamento também deve envolver a participação de professores, chegando a um contingente de cinco mil pessoas capacitadas este ano. Para tornar mais ágil o acesso a novas tecnologias, o MEC também vem investindo no projeto federal TV Escola Digital Interativa. Trata-se da instalação de televisores, antenas parabólicas e receptores digitais para transmissão de material pedagógico em cada escola pública.
Com o recurso interativo será possível responder questionários, textos e enviar sugestões pelo controle remoto. Tudo por meio de uma linha telefônica, sem uso de computador ou acesso a internet. A meta, segundo o diretor da TV Escola, Jean-Claude Frajmund, é cobrir a rede nacional de ensino em quatro anos. Ele afirma que 50 mil escolas do país já estão equipadas. Até agosto, mais 15 escolas receberão a tecnologia. Recursos como o do Fust são muito importantes para nós, mas não podemos ficar parados esperando. Temos que usar criatividade e iniciativas inovadoras, diz.
Paralelamente ao programa federal, estados como o de São Paulo que sendo o mais rico do país, também é o que possui o maior número de crianças com idade entre 7 e 14 anos fora da escola (168.730 crianças, segundo o Censo Demográfico de 2000 divulgado pelo IBGE) também estão se mexendo para combater a exclusão digital.
De acordo com dados da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), braço da Secretaria da Educação do estado de São Paulo, as escolas têm hoje 29 mil computadores instalados. Sendo otimista, chegaremos ao fim de 2004 com 55 mil computadores instalados, projeta o chefe do departamento de informática na Educação da FDE, Marcos Pessoa, acrescentando que da atual base instalada, seis mil computadores vieram do Proinfo.
São Paulo tem cerca de 5 mil escolas em sua rede pública estadual, sendo que 4 mil atendem da 5ª série do ensino fundamental até o médio. Nós estamos presentes em três mil dessas escolas, mas no segundo semestre queremos chegar a todas elas, afirma Pessoa. Para capacitar professores na utilização do computador, o estado também conta com a ajuda do MEC. São 89 centros distribuídos, um em cada diretoria de ensino.Temos um grupo de 270 profissionais que só trabalham na capacitação dos 240 mil professores.
De 1997 para cá, pelo menos 150 mil professores já passaram pela capacitação. O governo estadual já está realizando testes com micros em rede que não precisam de discos rígidos e funcionam como computadores convencionais. A tecnologia, representada no Brasil pela MSTech e implementada pela Accept, consiste na instalação de um servidor capaz de criar os discos virtuais que serão enviados para os micros dos alunos.O estudante pode instalar e remover software e mudar a configuração, sem danificar o sistema, uma vez que quando a estação é religada todas as configurações originais são carregadas. O aluno utiliza todo processamento local da máquina, explica Paulo Capellotto Costa, engenheiro de produto da MSTech.
Segundo o diretor comercial Accept, Silvio Ferraz de Campos, também há ganhos pedagógicos, já que a mudança de ambientes é automática. As escolas estão acostumadas a comprar máquinas e nós chegamos com uma solução.
Mas se há máquinas, também é preciso haver rede. São Paulo,que durante algum tempo teve acesso gratuito oferecido pelo Zipnet, teve sua conexão cortada depois que a companhia foi vendida para o UOL. Foi o primeiro apagão digital que eu conheci, uma experiência traumática, lamenta Marcos Pessoa, da FDE.
Agora o governo pretende resolver esse problema pegando carona no Intragov, rede pública de acesso usada pelo governo. Todas as diretorias de ensino já estão conectadas ao Intragov, que passará a rodar aplicativos acadêmicos. A expectativa, segundo Pessoa, é de que em dois anos a maior parte das escolas esteja conectada ao Intragov.
Sem cruzar os braços
Exemplos da iniciativa privada também sinalizam que o Brasil está realmente empenhado em apagar do quadro negro a exclusão digital. A Fundação Bradesco, com 47 anos de atividades, passou a desenvolver diversos programas de informatização nos últimos anos, além de manter 39 escolas de educação básica, profissional e de jovens e adultos.
Hoje o grupo concentra mais de 105 mil alunos, 2,5 mil funcionários e 1,2 mil professores. Para expandir seus projetos de tecnologia, a fundação criou uma escola virtual por meio da qual oferece gratuitamente cursos de informática para formação de professores, além cursos técnicos profissionalizantes dos parceiros Microsoft e Cisco.O mercado cobra cerca de R$ 3 mil a R$ 4 mil por um curso de formação desses, comenta o gerente do departamento de tecnologia da Fundação Bradesco, Nivaldo Tadeu Marcusso.
O executivo afirma que 26 mil alunos foram atendidos em 2003, sem fazer praticamente nenhuma divulgação. Além dos cursos online, a Fundação Bradesco está implantando centros de inclusão digital (CIDs) em todos os estados, em parceria com a Microsoft e a Cisco. Até o fim deste mês, haverá CIDs funcionando em Maceió, Rio de Janeiro,Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rondônia. Até o fim do ano queremos chegar a todos os estados do país, projeta Marcusso.
Com capacidade de atender até 20 pessoas, simultaneamente, cada CID será acessado por redes Wi-Fi. Para garantir o funcionamento de sua infra-estrututura total, a Fundação investirá, em 2004, R$ 5 milhões somente em tecnologia.
A Intel é outra companhia de forte presença em projetos de informatização, patrocinando ações em mais de 40 países, com o programa Inovação em Educação. No Brasil, desde 1999 a empresa oferece apoio a projetos de alunos, desenvolvidos em faculdades; investe em capacitação de professores de escolas de ensinos fundamental e médio; e dá suporte a educação em ações comunitárias. Na área universitária, estamos promovendo uma série de projetos acadêmicos que estudam redes sem fio, exemplifica Ruy Castro, gerente de programas de educação da Intel do Brasil.
Para escolas do segundo grau, a Intel tem patrocinado feiras de tecnologia, levando idéias inovadoras e alunos a eventos internacionais de TI. Já os professores realizam treinamento de informática. Fizemos um acordo com a FDE em 2001, foram capacitados 90 professores multiplicadores, que transmitiram o conhecimento em todas as diretorias de ensino. Espírito Santo e Paraná também tiveram treinamentos, comenta Castro.
Para atender a população em regiões mais carentes, a companhia também está montando centros comunitários com acesso a internet.O que fazemos é prover a infra-estrutura física e a verba de sustentação durante três anos, até que a instituição possa tocar o projeto por si só, explica o executivo.
Prova de que parcerias entre os setores público e privado funcionam não faltam. A Telemar vem trabalhando junto com a Escola do Futuro, núcleo de pesquisas da USP, na informatização da rede pública de ensino. Enquanto a operadora entra com micro e internet, a Escola do Futuro treina os professores. Já são 90 escolas, mas o objetivo da Telemar é expandir o projeto para os 16 estados onde atua. Este ano, 400 escolas de Pernambuco serão atendidas, comemora Fredric Litto, coordenador científico da instituição.
Hoje a Escola do Futuro concentra, entre outros serviços, uma biblioteca virtual com um incansável conteúdo de informações acadêmicas. Ali estão produções científicas, lições do Telecurso 2002, parâmetros curriculares de materiais de educação e um vasto acervo de obras-primas da literatura brasileira, tudo disponível para download gratuito. O já referido Dom Casmurro, do imortal Machado de Assis, quem diria… também está lá. Só é preciso ter acesso.
|Computerworld – Edição 402 – 11/02/2004|