Com o HackerTeen, a Agência Brasileira de Inteligência pensa em criar uma corrente de rastreamento da web.
Formar um time de hackers brasileiros para combater os crimes na internet é uma das idéias de Mauro Marcelo Silva, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que atua no País junto ao Federal Bureau of Investigation (FBI).
A idéia foi sugerida nesta sexta-feira (05/11) durante a apresentação do HackerTeen, um projeto de ensino da empresa de treinamentos em software livre 4Linux, para transformar jovens de 12 a 17 anos, interessados em computadores, em profissionais de segurança da computação com base em sistemas de código-fonte aberto.
“Podemos criar uma corrente de hackers do Brasil fazendo um trabalho multiplicador de rastreamento da internet brasileira, centralizado em Brasília”, sugeriu o ex-delegado, que completou 100 dias de administração na Abin e foi um dos pioneiros no combate aos crimes digitais no País, no final de 1994.
Com o HackerTeen, a agência estuda a oferta de bolsas para a formação de jovens profissionais pelo programa bem como a seleção dos formados para contratação no grupo de tecnologia da Abin.
“Minha experiência empírica até 2002 mostrou que cerca de 80% dos crimes na internet são traquinagens (…). Essa mistura de testosterona e bytes é explosiva”, avalia o diretor geral da Abin.
Segundo Silva, as “tranquinagens” digitais não causam tanta preocupação à polícia federal. No entanto, o uso de números falsos de cartões e a captação de hackers por quadrilhas especializadas em golpes financeiros estão na mira da Abin. “A internet veio para melhorar a qualidade de vida do cidadão, mas criou problemas para as próximas décadas”, avalia.
No trabalho de rastreamento da grande rede, entretanto, o combate aos crimes digitais mais graves, depende da colaboração dos provedores de acesso à internet, explica Silva. “É um ponto baselar que, para acessar a internet, é preciso ter um provedor e que não existem provedores piratas.(…) Se os provedores colaborassem, o processo seria mais rápido.”