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Magazine Luiza agora também é banco

Com faturamento estimado de R$ 1,3 bilhão para este ano, rede de lojas se associa ao Unibanco para vender produtos bancários às classes C e D, aumenta o fluxo de clientes e as vendas dentro das lojas da rede, tudo com o apoio da área de TI.

Publicado: 24/03/2026 às 09:08
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Magazine Luiza agora também é banco
Construção civil — Foto: Reprodução

Não contente o suficiente em ter se transformado em uma das maiores redes do comércio varejista do País – 254 lojas, 5,7 mil funcionários e um faturamento estimado de R$ 1,3 bilhão para este ano –, o Magazine Luiza, de Franca, no interior de São Paulo, decidiu investir em uma nova atividade: a de agente financeiro. Com uma plataforma de software desenvolvida internamente, a rede varejista lançou neste ano vários produtos financeiros (empréstimos pessoais ao consumidor, correspondente bancário, seguro desemprego e de vida etc.) visando aumentar o fluxo de clientes em suas lojas espalhadas por várias cidades do País.

Hoje, somente na parte de empréstimos pessoais, o volume de recursos aprovados para os consumidores das lojas já alcança um total de R$ 10 milhões mensais. “Nós estamos proporcionando mais facilidades aos consumidores e aumentando o fluxo de clientes dentro das lojas. Isso acaba gerando um aumento das vendas”, diz Carlos Renato Donezeli, chief financial officer (CFO) do Magazine Luiza. “Os melhores dias de vendas são os dias de pagamentos. Chegamos a ter um aumento de vendas de até 40% nesse período”, assinala.

O executivo ressalta que a empresa segue uma tendência que começa a tomar conta dos grandes grupos varejistas: a C&A criou o Banco Íbis, as Lojas Marisa vai montar uma financeira, assim como o Pão de Açúcar e o Banco Itaú anunciaram a criação de uma financeira em comum e a Casas Bahia passou a abrigar quiosques do Banco Popular, subsidiária do Banco do Brasil para o público de baixa renda. No caso do Magazine Luiza, os novos produtos são gerenciados pelo departamento financeiro, que conta com uma equipe de 27 profissionais e tem o apoio da área de TI do grupo. Os empréstimos pessoais ao consumidor, por exemplo, são oferecidos pela LuizaCred, financeira criada a partir da associação com o Unibanco, parceria que concilia a experiência da instituição bancária no mercado financeiro com o know-how da rede varejista.

A LuizaCred iniciou suas operações em outubro de 2001, mas a partir deste ano ampliou a oferta de produtos e serviços de crédito e financiamento. Um desses serviços é o Grana Extra, o empréstimo pessoal no qual o cliente sai da loja com dinheiro no bolso. O limite de crédito máximo é de R$ 2 mil e a média de empréstimos está em torno de R$ 600”, informa Donezeli.

Mas o serviço que realmente está mexendo com o fluxo de clientes na rede de lojas, segundo o executivo, é o de correspondente bancário. A partir de meados deste ano, todas as lojas da rede passaram a receber contas de água, luz, telefone e boletos bancários. Trata-se de uma autorização dada pelo Banco Central para que setores comerciais funcionem como uma espécie de braço operacional dos bancos. “Fazemos praticamente todas as funções de recebimento de contas de um banco comum”, diz o Donezeli. “Como temos lojas em 192 cidades do País, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, o volume de autenticações supera hoje a casa de 300 mil por mês”, conta. O grupo varejista recebe uma taxa por autenticação. Considerando-se somente o recebimento de contas que passam pelo sistema do banco o volume ultrapassa 100 mil autenticações por mês. “Se a gente considerar que cada consumidor tem uma conta de água, luz ou telefone, todo o mês, é possível estimar em 30 mil o número de novos clientes que entram nas lojas para fazer esse tipo de pagamento”, calcula Donezeli.

Todo o sistema de software para operar com os produtos financeiros foi criado pela área financeira do Magazine Luiza em linguagem antiga, o sistema operacional VM da IBM, sobre a plataforma de banco de dados Oracle. A solução está agora migrando para o novo sistema de ERP da Genco, em processo de implantação na empresa. “Todas as operações são feitas pelo banco. O cliente paga no nosso caixa e o movimento é transferido automaticamente para o banco. Ninguém do nosso departamento põe a mão”, assinala o diretor financeiro.

O departamento financeiro não precisou sequer contratar novos profissionais para gerenciar os novos serviços. “Nós criamos e estabelecemos as premissas e o setor de TI desenvolve e viabiliza a solução”, diz Dnezeli. A maior contribuição da área de TI, segundo ele, está justamente no gerenciamento. “A empresa consegue trabalhar e analisar o impacto das ações em tempo real. Tanto na parte financeira como na parte de controle de margens e eficiência dos processos”, afirma.

A estratégia do Magazine Luiza tem como foco transformar a rede de lojas em mais um canal de negócios com ênfase em produtos financeiros. “Somos um canal de atendimento ao consumidor para qualquer coisa que ele deseje fazer em nossas lojas”, diz Donezeli. Um outro exemplo é o lançamento do seguro-desemprego e seguro de vida oferecido atualmente na cadeia de lojas da empresa. Para cada venda feita, o cliente pode contratar um dos tipos de seguro. “Hoje, do total de vendas realizado, pelo menos 60% se referem a seguro de proteção ao desemprego”, afirma.

Esse novo serviço começou no departamento financeiro, mas cresceu tanto que a empresa está criando uma nova unidade para cuidar especificamente do assunto.  “Conseguimos gerar atendimento, satisfação e rentabilidade para a empresa, sem perder o foco que é vender produtos de consumo para os clientes”, conclui Donizeti.


Magazine Luiza, 47 anos de operação

Fundadores: Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato
Data de fundação: 1957
Sede da matriz: Franca (SP)
Número de empregados: 5,7 mil funcionários
Total de lojas: 254 em 192 cidades (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás)
Faturamento estimado para 2004: R$ 1,3 bilhão (40% maior que o de 2003)
44 lojas virtuais que oferecem 4 mil produtos
Quatro centos de distribuição de produtos – Ribeirão Pr3to e Sorocaba (SP), Ibiporã (PR) e Caxias do Sul (RS).


(Genilson Cézar, especial para o COMPUTERWORLD)

|Computerworld – Edição 421 – 24/11/2004|

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