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Presente no país desde 1997, a Cimpor Brasil filial da companhia portuguesa é responsável pela produção de 5,8 milhões de toneladas de cimento ao ano. E diferente de um de seus concorrentes, a Camargo Corrêa Cimentos que substituiu um pacote de gestão empresarial nacional pelo alemão R/3 a companhia acaba de pavimentar a sua área de tecnologia da informação com o Magnus I, produzido pela brasileira Datasul.
A implantação dos módulos de recursos humanos será finalizada ainda neste semestre. Paralelamente, a corporação parte para investimentos em soluções de missão crítica, como a ferramenta Business Information Warehouse (BIW), da SAP, para business intelligence prevista para entrar em operação no final de 2001 e a política de CRM (Customer Relationship Management), cuja instalação deve ser concluída em junho.
Segundo o gerente de tecnologia da informação da Cimpor, Eduardo Ferreira Alves, o projeto envolve a implantação de um software de relacionamento com o cliente a partir do call center, em uma das unidades fabris localizada em Recife (PE). A idéia é encaminhar as ligações para a central de atendimento, que interligará informações das 7 fábricas da companhia; além da matriz em São Paulo; escritórios em Recife e em Goiânia (GO); e os outros canais de comunicação (e-mail, telefone, Internet). Os fornecedores Perfil e Consumer Voice estão na competição para oferecer a plataforma.
Hoje, o software de gestão da Datasul conta com um recurso de agendamento customizado para atender às necessidades da Cimpor. Sem dúvida, esse sistema já é um grande benefício para as fábricas que estão localizadas no Nordeste, porque a demanda naquela região é muito grande. Antes formavam-se filas de caminhões já que não tínhamos controle dos horários, lembra Alves.
Embora não tenha uma relação direta com a matriz portuguesa, em termos de comunicação de rede, a Cimpor Brasil adotou o BIW da SAP, que é usado como padrão mundial. Para a solução de informações gerenciais, a empresa adquiriu um servidor HP duoprocessado, com 2 GB de memória e 360 gigabytes e 2 GB para armazenamento.
Além disso, para aumentar a base de dados sobre o comportamento dos nossos clientes, a intenção é adquirir um database marketing, em 2002, que vai promover filtros de relacionamento, e servirá como meio de alimentar o CRM.
Concreto, cimento e areia
Para administrar os aproximadamente 900 funcionários, o presidente da corporação delegou a decisão da escolha do software de gestão a um comitê, onde o principal representante, na ocasião, era o CFO (Chief Financial Officer), também responsável pela área industrial. Jânio Pinto, gerente deste setor, foi quem acompanhou a decisão e implantação do Magnus I. Naquela época, a companhia não tinha um executivo na área de tecnologia, lembra Alves.
O projeto ERP envolveu um investimento da ordem de US$ 3 milhões. Em meados de junho, a Best concluirá a instalação dos aplicativos de recursos humanos com módulos de desenvolvimento organizacional (cargos e salários, treinamento, desenvolvimento de pessoal, recrutamento e seleção, e segurança e medicina do trabalho).
Uma das vantagens apontadas pelo CIO, é que o produto funciona como um banco de dados inteligente, armazenando informações referentes aos funcionários e ao processo de gestão de talentos; auxilia na hora das promoções; alternâncias de funções e substituição de profissionais.
Para 2002, a cimenteira implantará o EMS 5 (Enterprise Management System) da Datasul, destinada ao controle orçamentário e contabilidade. Como a solução é componentizada, posso adquiri-la sem a necessidade de atualizar todo o ERP. Vamos implantá-la apenas na matriz e manter o Magnus I nas outras unidades de negócios da Cimpor, afirma Alves.
No Brasil desde 1997, uma das prioridades da Cimpor, ao se instalar no país, foi implantar um sistema de gestão apto a integrar diferentes unidades industriais. Hoje, ao todo são 13 unidades entre fábricas, centrais de concreto e escritórios.
A implantação do ERP ocorreu em três etapas. A primeira, que durou noves meses, integrou um escritório em São Paulo, dois depósitos na Bahia e quatro unidades fabris (uma em São Paulo, duas no Rio Grande do Sul e outra na Bahia. As áreas de controladoria, finanças e manufatura foram as primeiras a serem integradas e, em seguida, recursos humanos.
Antes da integração, cada unidade criava a sua própria folha de pagamentos e após a implementação do software, a folha foi centralizada em um banco de dados em São Paulo, mas acessível a qualquer das unidades brasileiras.
Segundo o executivo, a parte de logística de materiais e distribuição, considerada o coração da empresa, foi uma das áreas melhor customizada. A partir da integração dos módulos do Magnus I, a Best consultoria responsável pela implantação do pacote ERP criou recursos que possibilitaram o agendamento de forma que os clientes passaram a programar as entregas e retiradas dos produtos. A segunda etapa de implantação do ERP envolveu a operação simultânea de todas as unidades. Por fim, a construção do alicerce foi concluída com a integração da área de RH.
Eduardo Ferreira Alves,
gerente de TI da Cimpor desde março de 2000
Atuou na Cambuci, empresa dos produtos Penalty durante 14 anos, quando começou como operador e saiu como gerente de TI.
Principais desafios
Montar a infra-estrutura de TI, até então reportada ao gerente financeiro; integrar o ERP da Datasul, Magnus, nas unidades fabris da companhia.
|Computerworld – Edição 341 – 09/05/2001|