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Dispositivos eletrônicos se tornarão mais descartáveis

Telefones celulares, PDAs, câmeras digitais, tocadores de MP3, etiquetas identificadoras RFID, monitores e impressoras tendem a se tornar cada vez mais tecnologias baseadas no conceito de "use e descarte".

Publicado: 23/03/2026 às 17:41
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Dispositivos eletrônicos se tornarão mais descartáveis
Construção civil — Foto: Reprodução

No século 18 e início do século 19, pregos feitos à mão eram tão preciosos que, quando uma casa pegava fogo, o dono e seus amigos vasculhavam os escombros para recuperá-los. Hoje, graças a modernas técnicas de produção em massa, os pregos são itens descartáveis. Situação semelhante ocorre com as tecnologias modernas, ou seja, no modo como as pessoas encaram muitos produtos eletrônicos. Os dispositivos “exóticos” e muito valorizados de ontem, em geral, são tratados com desdém pelos usuários hoje. “Vivemos em uma sociedade descartável”, diz Randi Altschul, inventora do primeiro – e malogrado – telefone móvel descartável do mundo, feito de papel (saiba mais no fim desta matéria).

Antigamente, os preços elevados de produtos e custos relativamente baixos de reparo encorajavam as pessoas a tentar prolongar a vida até dos aparelhos eletrônicos mais banais. Hoje, quando um dispositivo quebra ou se torna obsoleto, freqüentemente sai mais barato jogá-lo fora do que tentar consertá-lo ou atualizá-lo. Como resultado, um conjunto assombroso de produtos, incluindo etiquetas RFID (identificação por radiofreqüência), monitores, telefones móveis, câmaras digitais e impressoras, está se encaixando ou já se encaixou na categoria “use e descarte”.
Com mais tecnologias descartáveis inundando o mercado, os CIOs enfrentam um dilema. Por um lado, gadgets descartáveis baratos poupam dinheiro à empresa porque reduzem ou eliminam o custos de reparo e manutenção. Por outro, tecnologias descartáveis geram preocupações ambientais e de segurança. Equilibrar os riscos e os benefícios de um descartável é um dos principais desafios que os CIOs terão de enfrentar nos próximos anos.

Os produtos são descartáveis quando se tornam tão baratos que o comprador não se preocupa com o preço. No segmento RFID, por exemplo, os preços em queda das etiquetas devem incentivar o uso para rastrear itens cada vez menos importantes. No momento, os preços das etiquetas ainda são altos o bastante – em torno de US$ 0,20 cada –  para impedir o seu emprego em produtos baratos como os comestíveis. Mas RFID já pode ser considerada uma tecnologia descartável quando se trata de determinados produtos de custo elevado, como TVs de plasma ou bolsas Prada.

Pessoas são outro tipo de “ativo de alto valor” que pode ser rastreado por RFID. A Precision Dynamics fabrica uma pulseira com tecnologia de chip RFID da Texas Instruments que pode ser usada por pacientes de hospitais, alunos de escolas e visitantes de parques temáticos e eventos esportivos. As pulseiras funcionam como um cartão, possibilitando que os usuários paguem suas despesas simplesmente sacudindo-as na frente de leitoras localizadas em bares, lojas e outros locais.


Circuitos descartáveis

Além das etiquetas RFID, circuitos de monitoração baratos permitem também que as empresas controlem cuidadosamente as condições de ativos essenciais. A Cypak, por exemplo, desenvolveu uma tecnologia de monitoramento baseada em sensor para vigilância e controle de entrega de produto, denominada SecurePak. Trata-se, basicamente, de um chip em uma etiqueta adesiva. Ela armazena uma senha de identificação que pode ser programada com informações inalteráveis como a origem, o destino e o conteúdo do pacote. A leitora custa cerca de US$ 10 a unidade nos Estados Unidos. A tecnologia é barata o suficiente para ser descartável, mas resistente o suficiente para ser reutilizada várias vezes.

À medida que um número cada vez maior de dispositivos descartáveis encontra seu lugar na vida cotidiana, algumas pessoas se preocupam com seu impacto ambiental. Elas temem que uma inundação de futuros dispositivos descartáveis como telefones móveis, PDAs, câmaras digitais e tocadores de MP3 sature as já transbordantes aterros sanitários.

Essa preocupação não é infundada. Muitos produtos descartáveis estão sendo desenvolvidos tendo em mente a proteção ao meio ambiente. O design do telefone móvel descartável de Altschul, por exemplo, é mais amigável com o meio ambiente do que os aparelhos de plástico e metal. Outros tipos de tecnologia descartável poderiam ajudar a preservar o meio ambiente. O papel digital, que pode ser impresso várias vezes antes de degradar, reduziria o número de árvores derrubadas todo ano para produzir o grande volume de papel necessário para o funcionamento da maioria dos escritórios.

À medida que os componentes digitais diminuírem, serão cada vez mais integrados aos objetos do dia-a-dia, como máquinas de escritório, utensílios domésticos e até à roupa. Como resultado, pessoas e empresas um dia talvez comecem a perder de vista a necessidade de reciclar. Entretanto, tratamento de peças de vestuário provavelmente não vai desaparecer e tecnologias muito integradas como a roupa inteligente, que incorpora funções de computação e comunicação e está sendo desenvolvida por Sundaresan Jayaraman, professor de engenharia têxtil do Georgia Institute of Technology, poderiam tornar a reciclagem muito mais complexa.

Para reciclar produtos eletrônicos com eficácia e eficiência, as tecnologias de recuperação terão que começar a simular processos naturais ao operar em um nível molecular. O tratamento molecular permitiria que produtos descartados – como uma camisa com um transceiver de rádio e uma tela OLED – fossem reciclados sem a necessidade de dividi-los antes em seus componentes: algodão, metal, plástico e assim por diante.


Uma idéia descartável?
A triste história do telefone celular de papel


Em 1999, a inventora Randi Altschul achou que teve uma idéia matadora – um telefone móvel barato, de certa de US$ 10, que poderia ser jogado fora. Cinco anos depois, a idéia de Altschul talvez já esteja morta. Durante o boom das telecomunicações, a invenção soou uma proposta infalível. Seus telefones seriam tão baratos que as cadeias de fast food iam querer vender modelos com propaganda junto com suas refeições. “Eu levei a mentalidade do brinquedo para as telecomunicações e transformei o telefone em um brinquedo”, diz ela. “Pode ser feito de papel ou poliéster e é tão barato que é descartável.”

O sonho de Altschul virou um problema quando ela tentou atrair apoio financeiro. As experiências horríveis dela no mundo do capitalismo high-tech levaram-na a publicar o livro Financiers, Lawyers and Other Assorted Snakes. Quando estava pronta para seguir em frente, o mercado de telecomunicações parou de florir e os investidores começaram a lamber as feridas criadas por outras idéias de telecomunicações aparentemente infalíveis. “Nada chegou ao mercado, embora muitas pessoas tenham conversado comigo”, diz.

O mercado de telefones móveis evoluiu para além do conceito original de Altschul. Com mais compradores de telefone à procura de recursos high-end, como download de arquivos MP3 e câmeras coloridas, o mercado para um telefone descartável desapareceu. Mas ela continua indômita. “Ainda antevejo as mesmas oportunidades e muito mais”, declara. “Apenas vai começar um pouco mais tarde do que eu queria.”

Computerworld/EUA
|Computerworld – Edição 410 – 09/06/2004|

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