Número pífio de formação na área de software foi apresentado pelo secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, Augusto Gadelha.
Sempre foi senso comum que o Brasil investe pouco na formação de profissionais especializados, mas o cenário é confirmado por números. Dados apresentados na manhã desta terça-feira (30/05) pelo secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Augusto Gadelha, mostram que há aproximadamente 180 mil profissionais em TI no País e apenas 560 doutores na área.
A informação foi divulgada no fórum Política de Software e o Mercado Externo, onde o ministro da MCT, Sérgio Rezende, reforçou o status embrionário do número de doutores. “Os primeiros doutores a se formarem no Brasil apareceram na década de 60. Eu falo isso em seminários internacionais e ninguém acredita”, comenta.
O Brasil conta com 900 cursos de graduação, 15 de mestrado e 11 de doutorado relacionados ao mercado de tecnologia. Por ano, cerca de 20 mil estudantes se formam na área de TI, segundo os últimos dados da Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), compilados em 2002.
No mesmo evento, o presidente da Associação das Empresas Brasileiras Exportadoras de Software e Serviços (Brasscom) Antonio Carlos Rêgo Gil, apontou que há necessidade de “exportar cérebros” para reforçar a marca Brasil no setor de tecnologia. “Os indianos, por exemplo. Todas as grandes universidades têm professores indianos que mencionam a indústria deles”, cita.
Além disso, a sociedade na Índia incorporou que é um país que vive de tecnologia e, por isso, eles crescem tanto no setor. A isso, o executivo contrapõe que, caso haja demanda por profissionais brasileiros em larga, o País não dispõe de mão-de-obra qualificada suficiente; para ele, a causa da falta de profissionais é outra: “Isso não é só um problema de negócios. É um problema de soberania nacional”.