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Tecnologias antigas impulsionam novos negócios em TI

Ainda que tenham sido dadas como mortas pelo mercado de TI, tecnologias antigas e, em tese, extintas, ainda representam parte significativa de muita empresa rentável.

Publicado: 26/03/2026 às 05:41
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Tecnologias antigas impulsionam novos negócios em TI
Construção civil — Foto: Reprodução

A empresa fabricante foi comprada ou tecnologias emergentes chegaram com a promessa de roubar a cena. Entre tantos outros, movimentos desse tipo levaram muitos especialistas e usuários a sacramentar a morte de diversos produtos e serviços de tecnologia da informação (TI) nas últimas décadas. Mas nem só de novas tecnologias vive o setor. O fato de algumas marcas ou tecnologias, teoricamente, não mais estarem no mercado, na prática, muitas delas até hoje representam a espinha dorsal de muito negócio ativo e – mais interessante – rentável.

É o caso das máquinas Digital, cuja produção cessou aproximadamente três anos atrás – ou cerca de cinco anos após a então Compaq ter adquirido a companhia, em 1998. Ainda que muitos considerem esse mercado extinto, os serviços de manutenção de equipamentos Digital representam atualmente 60% do faturamento da brasileira Skill Computer. “Em 1997, respondia por toda a nossa receita”, afirma Marco Antônio Carvalho, sócio-diretor da empresa. “Hoje também revendemos produtos de armazenamento de dados e soluções de TI para organizações de médio e grande portes.”

Carvalho conta que a Skill foi fundada há quase 20 anos, quando a Digital ainda existia, exatamente para concorrer com a sua área de serviços e solucionar os problemas que ela própria não conseguia resolver. “Sabíamos [Carvalho e seu sócio] que pontos fracos da Digital. Faltavam peças e um acompanhamento junto a seus clientes. E nós conhecíamos essas necessidades tanto do ponto de vista de relacionamento quanto de negócio” afirma o diretor.

Outro ponto fraco da Digital na prestação de serviços era a sua inflexibilidade, de acordo com o executivo. Foi quando a Skill formatou serviços conforme as necessidades de cada cliente. “Entramos para um grupo mundial de ‘dealers’ de Digital, pelo qual trocávamos informações relevantes com outras 540 empresas do ramo”, revela. “A Digital desqualificava o serviço da Skill. Enquanto existiu, brigamos com ela”, lembra Carvalho, acrescentando que sua empresa encerrou o primeiro ano de operação já com dois clientes e, dali em diante ganhou a confiança de outros usuários. Além de que seus serviços custavam 30% menos do que os prestados pela fabricante.

Anos mais tarde, quando a Compaq comprou a Digital, Carvalho e seu sócio previram, equivocadamente, o pior: “Não teriam mais peixes a pescar”. A Compaq de fato disseminou a adoção do Alpha por anos em alguns segmentos, embora não tenha investido em seu desenvolvimento, mas, de acordo com o executivo da Skill, pecou pelo mau atendimento ao adotar o modelo de terceirização – a companhia nunca teve forças de vendas ou assistência próprias.

Como resultado, a Skill viu à sua frente um mercado crescido e, simultaneamente, carente de bons prestadores de serviços. “Quando comprou a Digital, a Compaq trouxe também seus técnicos, que montaram empresas independentes, prestadoras de serviços exclusivos. Mas perdeu em qualidade conforme passou a cobrar os prestadores como pessoa jurídica e não mais como funcionários”, analisa Carvalho.

O executivo estima a atual base instalada Digital no Brasil em pelo menos uns 2 mil equipamentos, sendo que a maior parte deles é mantido pela Skill Computer.

Entre os clientes da empresa estão a rede de locadoras Blockbuster, que mantém as operações de suas mais de 70 lojas no Estado de São Paulo em uma máquina Alpha, a Getec Engenharia e a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET). Esta tem todo o sistema de automação de semáforos ainda em máquinas Digital, responsáveis por mapear cada semáforo em sua área de concessão. Toda a base de “billing” de telefonia de empresas como Claro, Vivo e Embratel também é mantida em equipamentos Digital. Essas companhias – algumas direta, outras indiretamente – também são clientes Digital.

“Podem até achar que são obsoletas, mas não têm como se livrar dessas máquinas”, diz Carvalho. “Elas funcionam muito bem e trocá-las não envolve apenas o custo da máquina, mas de todo o sistema e seu processo de migração. Trata-se de um gasto sem justificativa.”

Também não é segredo para ninguém que, desde que a Baan foi comprada pela Invensys, em 2000, o sistema de gestão empresarial homônimo está fadado à extinção. É verdade que com a posterior aquisição da Invensys pela SSA, em junho de 2003, o produto ganhou uma sobrevida e até aprimoramentos, vistos na recém-lançada versão SSA LN do ERP. Apesar disso, a estratégia já era mesmo matar, aos poucos, o nome Baan.

Nem por isso, no entanto, empresas como a UniOne, que mantém uma divisão específica para a manutenção, suporte e até novas implantações do Baan, agora sob o nome SSA LN, viram seu negócio ir por água. Ao contrário, segundo Celso Isberner, diretor da companhia, recém-adquirida pelo grupo de investimentos NewMarket (leia quadro ao lado), não só manteve os clientes Baan, com alguns dos quais já trabalha há mais de 12 anos, como ainda ampliou essa base. “Atendemos hoje a cerca de 80% da base instalada de Baan no País”, afirma. São, de acordo com Isberner, 150 consultores focados naquela que a empresa chama de “prática Baan” e que concentra aproximadamente cem clientes.

“Ainda vendemos com base nas instalações Baan. O produto é funcionalmente excelente, tem um preço competitivo e a SSA já garante o seu upgrade para suprir a defasagem tecnológica do produto”, defende Isberner. A questão é que a SSA foi comprada no início do último mês de maio pela Infor, que ainda não indicou o rumo que pretende dar à linha SSA LN. A venda deve ser concluída até o final do terceiro trimestre deste ano e, como a empresa não possui operações no Brasil, deve continuar representada pela subsidiária brasileira da hoje SSA. Os usuários de Baan provavelmente terão de passar mais alguns meses “no escuro”.

A prática Baan representa por volta de 35% dos negócios (estimados em 13,94 milhões de dólares) da UniOne. “É a primeira unidade em termos de rendimento”, assegura o executivo. Além da divisão Baan/SSA, a UniOne possui áreas de atendimento a Oracle, Hyperion e uma outra divisão chamada Professional Services, cujo principal foco está na alocação e outsourcing de mão de obra.

Isberner vê a iniciativa da SSA em investir na atualização do Baan como uma luz no fim do túnel para os seus usuários, já que até pouco tempo atrás, a migração para soluções de outros fabricantes parecia ser a única saída para manter um sistema de gestão em dia. “O Baan ficou parado na versão três por cerca de três anos. Hoje, a maioria dos clientes considera a migração para o SSA LN”, afirma o diretor da UniOne.

 

“A implantação bem feita de um ERP implica muitas turbulências, estresse e desgaste dos profissionais da empresa”, diz Isberner. “Elas agora estão reconhecendo que o “upgrade” para o SSA LN é muito melhor do que passar por outro processo de implantação”, completa.

Criada entre o fim da década de 50 e início dos anos 60, a linguagem de programação Cobol é outra tecnologia que engorda o grupo daquelas que, apesar de antigas, continuam rendendo bons negócios a empresas atualmente no mercado de TI.

Na DTS Latin America, por exemplo, 80% do faturamento da área de software provêm de vendas e serviços ligados ao desenvolvimento de Cobol e, especialmente, sua migração para outras plataformas, linguagens ou arquiteturas. São negócios envolvendo os produtos da MicroFocus, especializada em ferramentas desse tipo.

No melhor estilo “em time que está ganhando não se mexe”, 80% das grandes indústrias em todo o mundo preservam os investimentos de TI feitos em Cobol, de acordo com Leandro Bosco Martins, diretor de tecnologias da DTS Latin America. “Grande parte das soluções desenvolvidas em Cobol surgiram na época em que só existia o mainframe e demandaram investimentos muito altos. Por isso, elas ainda mantêm padrões meio arcaicos de interface com o usuário, sem gráficos, por exemplo”, explica. “Ao mesmo tempo, porém, é uma linguagem muito segura”, afirma Martins.

Segundo o diretor, o que as empresas que utilizam Cobol têm feito é integrar seu sistema legado às novas linguagens, como XML (Extensible Markup Language), Java, .NET e “web services”, entre outras. Em boa parte dos casos, essa migração visa, de acordo com Martins, facilitar a interação das soluções com seus usuários. “Aplicações que não fazem parte do ‘core’ dessas empresas, como sistemas de recursos humanos (RH), também vêm sendo tiradas dos mainframes”, destaca o executivo.

A preservação de investimentos em equipamentos Digital, ERP Baan e soluções desenvolvidas em Cobol são apenas alguns exemplos que reafirmam a visão de que as organizações hoje já não gastam com novas tecnologias por simples modismo, mas apenas quando lhes é provado que a mudança vale o investimento. Até que lhes seja provado o contrário, ou que o suporte a essas tecnologias desapareça, a tendência é que continuemos vendo máquinas Digital em grandes empresas, bem como o Baan ajudando a gerir negócios e o Cobol em mainframes, que, à propósito, também costumam ser considerados equipamentos cuja vida tem os dias contados.

Longe de um empecilho para bons negócios

O fato de a UniOne manter uma divisão que, pelo menos em tese, tende a acabar não impediu a empresa de continuar crescendo e, ainda, ser comprada pela norte-americana NewMarket.

A existência de uma prática Baan na UniOne não foi obstáculo para o crescimento da empresa como um todo, nem para a realização de bons negócios. Prova disso é que a consultoria brasileira foi comprada pela Newmarket Technology, empresa de investimentos norte-americana especializada em serviços de TI, no início de junho, com o objetivo de explorar a base da companhia no País de forma a ampliar os negócios na América Latina. “Eles querem que façamos a expansão da cultura de negócios adotada no Brasil para o restante da região”, conta Celso Isberner, diretor da UniOne.

Embora as cifras envolvidas no negócio não tenham sido reveladas, tudo leva a crer que tanto Isberner, como seus outros três sócios na UniOne – Alexandre Couto, Flávio Firmino e Márcio Pissardo – estão, como diz o popular ditado, “com o burro na sombra”. É que, além do dinheiro recebido por suas fatias na empresa comprada, o contrato de venda da consultoria assegura a permanência dos executivos em cargos de diretoria na companhia que, no Brasil, continua usando o nome UniOne.

A meta da NewMarket é que faturar 25 milhões de dólares na América Latina em 2006. Desses, de acordo com o executivo, 17 milhões devem ser gerados pelas operações da UniOne, que atualmente possui escritórios no Brasil e Chile. Em 2005, a empresa nacional divulgou crescimento de 27% sobre o ano anterior, com receita de quase 14 milhões de dólares.

“A compra pela NewMarket nos deu mais solidez financeira”, avalia Isberner. “Como o crescimento da companhia é baseado também em novas aquisições, cabe a UniOne o papel de prospectar potenciais empresas para investir.” A consultoria deve iniciar em breve uma operação conjunta com a NewMarket Venezuela, que também poderá passar a usar a marca brasileira.

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