Saiba como avaliar as duas tecnologias de acesso à internet em alta velocidade que disputam espaço entre os brasileiros.
Queda de conexão, baixa velocidade, serviço indisponível. O pior pesadelo de um usuário de banda larga, especialmente aquele que a utiliza com fins profissionais, é ter de reviver alguns dos desconfortos da época da internet discada, principalmente porque o preço que se paga pelo acesso rápido, mesmo tendo caído consideravelmente nos últimos anos, está longe de ser modesto. Qual é, afinal, a melhor tecnologia de acesso à internet em alta velocidade?
Entre os analistas do setor, o consenso é de que tudo depende de onde você está. De um lado, a conexão via cabo, oferecida pelas operadoras de TV por assinatura, ganha espaço e deve encerrar o ano com crescimento de 65% e 17% de adesão entre os brasileiros, contra os 14,7% que detinha em 2005, segundo a IDC Brasil. De outro, o mercado de ADSL, conexão telefônica, também encerra o ano com crescimento de 34% na base e ainda responderá por 78% dos 5,6 milhões de usuários de banda larga estimados pela consultoria.
O crescimento geral do mercado, que deve ser de 40% em relação a 2005, segundo a IDC, é puxado por uma queda nos preços proporcionalmente a um aumento na velocidade oferecida pelos pacotes.
Entre julho e setembro deste ano, conexões com mais de 1 Megabit por segundo (Mbps) quase dobraram sua participação, pulando de 7% para 12%. Já as conexões com velocidades entre 256 Kilobits por segundo (Kbps) e 512 Kbps continuam perdendo espaço – caíram de 51% para 45% do mercado.
O aumento na procura implicou também na queda de 12% nos preços das conexões acima de 1 Mbps. Em contrapartida, a queda na procura por acessos entre 128 Kbps e 256 Kbps resultou em aumento de 5% nos preços, graças à menor competitividade no setor. “O usuário foi atraído por uma oferta com preço menor e maior velocidade”, analisa Roberto Gutierrez, diretor de consultoria da IDC.
Os preços dos pacotes de acesso, contudo, apresentam grande discrepância conforme a região. “O preço de um mesmo pacote, da mesma operadora, em Manaus é cinco vezes maior que no Rio de Janeiro”, afirma Horacio Belfort, presidente da Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido (Abusar).
Competição no ar
Entre os fatores de peso na briga entre os serviços de banda larga está a limitação de cobertura das redes das operadoras de TV a cabo. “Na grande maioria das regiões, não há mais de uma opção de banda larga, quando há alguma. A cobertura da TV a cabo é restrita e dificilmente passará dos 25% do mercado”, defende Eduardo Tude, presidente do Teleco, entidade especializada em dados sobre o mercado de telecomunicações.
Uma das alternativas que podem dinamizar o mercado é a licitação da freqüência para implantação do WiMax, tecnologia que permitirá a oferta de serviços de banda larga sem fio para regiões onde hoje as redes tradicionais não chegam, ou mesmo oferecer fornecedores alternativos onde já há serviços disponíveis.
Depois de muita espera, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou a licitação das freqüências de WiMax para este ano, porém, em setembro, o Tribunal de Contas da União deixou as 100 empresas interessadas com suas propostas nas mãos, cancelando o processo.
O ponto mais polêmico do edital impedia as operadoras de telefonia fixa de participar do leilão em suas áreas de concessão. O argumento é simples: estimular a competição. Entretanto, a Associação Brasileira das Concessionárias do Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix) e o próprio ministro das Comunicações, Hélio Costa, se opõem a esta regra, o que levou a licitação a um limbo judicial, do qual, defende Tude, só deve sair em 2007.
“É difícil medir o quanto a licitação vai afetar o mercado de banda larga. O mercado ainda está em compasso de espera. Mas impacto vai haver, com certeza, porque a tendência é que ela amplie a cobertura de mercado”, opina Gutierrez, da IDC.
Outra tendência que promete aquecer o mercado de banda larga é a oferta de pacotes convergentes (voz, internet e conteúdo de TV) tanto pelas operadoras de TV a cabo quanto pelas teles.
A aquisição da Vivax, segunda maior operadora de cabo brasileira pela líder Net, que junto com a Embratel já oferece seu pacote de telefone + banda larga + TV a cabo, sinaliza neste sentido, assim como a compra da Way TV – que também provê o serviço de TV a cabo – pela Telemar.
“O triple play está afetando tanto o mercado que as operadoras começam a formatar ofertas de conteúdo para disputar o segmento”, observa Gutierrez. Neste cenário, teles e operadoras de TV por assinatura passam a disputar não mais o cliente de banda larga, telefonia ou TV, mas a última milha, o ponto de conexão com o cliente, o que pode gerar efeitos interessantes em termos de preços para o consumidor.
A hora da escolha
Enquanto o WiMax não vem e a convergência começa a tomar fôlego, é importante observar alguns pontos positivos e negativos das ofertas de banda larga disponíveis. Vale lembrar que além do cabo e do ADSL, que são foco desta reportagem, algumas regiões contam ainda com conexões por rádio e satélite, que podem atender melhor às necessidades dos usuários.
Entre os analistas, a percepção é que nenhuma das duas tecnologias é superior por si só. O nível de serviço pode variar conforme uma série de fatores: proximidade dos pontos de transmissão, qualidade dos equipamentos utilizados, número de usuários na rede, entre outros.
“Com relação à satisfação do cliente, não identificamos nenhuma tendência de percepção de qualidade”, afirma Gutierrez. “As tecnologias, mesmo concorrentes, acabam se equiparando. Se há problemas de serviço, a tendência é que eles sejam reduzidos com o tempo”, opina Tude. Mas alguns aspectos particulares podem pesar na decisão de cada usuário.
O ADSL traz como vantagem a maior abrangência – a rede telefônica está disponível em locais onde a TV ainda não chegou e dificilmente chegará. Por outro lado, o serviço exige que o usuário tenha uma linha telefônica e contrate os serviços de um provedor – por custo adicional a ser pesado. Além disso, por atuarem sozinhas em diversas regiões, as operadoras se dão ao luxo de relaxar no atendimento ao cliente, na opinião de Belfort, do Abusar. “As operadoras atendem pessimamente o usuário porque não têm concorrência”, critica.
Já a conexão por cabo não requer linha telefônica nem provedor, mas está restrita à área de cobertura das operadoras de cabo, que hoje atendem somente 2,7 milhões de lares brasileiros (segundo dados do Teleco), enquanto a telefonia fixa tem 50 milhões de acessos instalados.
A desvantagem em tamanho, no entanto, pode se reverter em benefício para o consumidor. Além das três grandes operadoras de cabo que oferecem banda larga (Net/Virtua, TVA/Ajato e Vivax), há outras operadoras de menor porte no mercado, que atendem regiões específicas. “Por serem menores, elas podem oferecer um atendimento de melhor qualidade ao seu cliente”, defende Belfort.
Independente do tipo de tecnologia escolhida, o presidente do Abusar finaliza com algumas dicas que valem para qualquer um, na hora de contratar serviços de banda larga: “Imprima o contrato e verifique se está de acordo com todas as cláusulas que podem não estar explícitas no site da empresa. E se o usuário for contratar promoções, deve documentar as condições oferecidas, pois às vezes elas saem do ar e fica difícil provar quais eram elas”.
Principais serviços ADSL: Velox (Telemar), Br Turbo (Brasil Telecom), Speedy (Telefônica) e Turbonet (GVT).
Principais serviços a cabo: Vírtua (Net), Ajato (TVA) e Mais TV .