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BI exige profissional com experiência técnica e de negócios

O perfil necessário ao profissional encarregado das iniciativas de business intelligence (BI) demanda conhecimentos técnicos na mesma medida que capacidades de negócios.

Publicado: 27/03/2026 às 15:58
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8 minutos
BI exige profissional com experiência técnica e de negócios
Construção civil — Foto: Reprodução

Para profissionais de tecnologia interessados em progredir na carreira, uma rápida olhada nos anúncios de empregos pode despertar interesse pela próspera arena de business intelligence. Não admira que existam tantos postos novos no setor. Com o aumento da pressão da concorrência as empresas têm de tomar decisões mais inteligentes, que os sistemas de BI precisam suportar. E, com o crescimento de sistemas capacitados para a web, as ferramentas desse tipo deixaram de ter um custo proibitivo.

Mas atenção: segundo quem observa ou exerce a profissão, BI é uma das áreas mais desafiadoras de tecnologia, exigindo experiência em ciência da computação, conhecimento do negócio, perspicácia analítica, pensamento criativo e até um certo fascínio social. Também não é raro empresas procurarem indivíduos ainda não graduados em exatas, como engenharia, estatística ou economia, e desenvolvedores com conhecimento de tecnologia especializado, como experiência no NetWeaver da SAP.

A demanda por profissionais de BI parece ser tão grande quanto a expectativa das organizações que desejam contratá-los. “Na área de business intelligence, existem postos que nunca são preenchidos”, garante Cindi Howsons, presidente da empresa de consultoria Analytic Solutions Know-How. “É uma das funções mais difíceis de desempenhar, porque não basta se formar em ciência da computação e esperar ter sucesso.”

Leads de negócios
A habilidade mais importante, de acordo com Bill Hostmann, analista do Gartner, é entender os tipos de decisão que as empresas precisam tomar, as perguntas que tendem a fazer e os tipos de dados que vão responder a estas questões. “Não é só conhecer as ferramentas, é preciso entender os processos de negócio que a ferramenta suporta”, observa Jason Pashko, diretor sênior de banco de dados, re-investimento e análise da Harrah’s Entertainment, que usa BI pesadamente em toda a organização. “É saber o que alguém do marketing realmente deseja quando diz: ‘Quero elaborar uma lista porque neste fim de semana vamos dar um Corvette’.”

Uma boa base em negócio também ajuda os analistas de BI a descobrir a melhor maneira de apresentar os dados necessários. “O que diferencia um desenvolvedor ou analista de BI é saber qual informação deve ser apresentada e em que formato. Bombardear o cliente com informação demais é tão ruim quanto dar informação de menos”, ressalta Andy Wojewodka, diretor de sistemas de negócio e suporte a decisão da Del Monte Foods. O executivo tem background em TI e ganhou experiência em negócio e BI nos últimos sete anos colaborando e interagindo com colegas, participando de encontros de analistas da indústria e pesquisando por conta própria.

A criatividade é uma peça-chave da apresentação de dados de BI. “É uma arte”, enfatiza Wojewodka. “Você tem de apresentar os dados de uma maneira que seja facilmente entendida e digerível, que permita ao dono do negócio avaliar rapidamente a variação de desempenho de acordo com os principais indicadores.” A apresentação também deve fornecer análise subseqüente para que os usuários possam ter acesso fácil às causas-raiz.

Não que engenheiros de software e profissionais de SQL não sejam extremamente valiosos ao processo. Seu entendimento de ciência da computação é crucial para todos os três elementos de um sistema de BI: extrair, transformar e carregar dados; consolidar, padronizar e organizar dados, e consultar, analisar e reportar dados.

Grande talento em tecnologia também é essencial para criar uma infra-estrutura de BI, escolher as aplicações e ferramentas de análise certas, criar modelos de dados e queries, escolher uma abordagem de entrega, acessar sistemas e bancos relevantes para obter os dados necessários e garantir a qualidade dos mesmos, diz Hostmann.

Os profissionais de BI também precisam entender a fundo de metadados e técnicas de design estruturado, acrescenta David Foote, fundador da Foote Partners. Além disso, know-how em tecnologia ajuda a evitar a elaboração de queries e relatórios ruins. “Usuários avançados farão o que tiverem de fazer para obter a informação, e podem pôr um volume extremamente grande de cálculos em um relatório ou ter 30 definições diferentes para uma métrica específica”, observa Cindi. Por outro lado, profissionais de TI sabem criar cálculos padronizados e torná-los disponíveis centralmente.

Empresas com demandas de BI extremamente sofisticadas, como a Del Monte e a Harrah’s, também querem contratar candidatos com treinamento em matemática e estatística – conhecimentos essenciais para análise preditiva e otimização, diz Wojewodka.

Talentos sociais  
Os profissionais de BI também precisam ter habilidades de comunicação melhores do que a maioria daqueles que trabalha com computador. Afinal, eles se relacionam não só com usuários corporativos, mas também com muitas outras pessoas, como administradores de dados e especialistas, para garantir a qualidade dos dados. “Queremos pessoas que sejam analíticas, técnicas e quantitativas, mas também tenham senso de negócio e muita personalidade”, afirma Pashko, da Harrah’s. “Nossa atividade é orientada para serviço e a personalidade conta, assim como o serviço ao cliente e as habilidades interpessoais.”

A interação com o usuário é uma parte importante das tarefas. À medida que os usuários corporativos descobrem o poder do data mining e de outras funções de BI, tendem a querer ainda mais capacidades. Além disso, freqüentemente os profissionais de business intelligence são responsáveis por treinar usuários nas ferramentas e ajudá-los a utilizá-las com eficácia.

“O gap maior, no momento, é que as empresas compram estas ferramentas e depois ninguém sabe usá-las”, admite Hostmann, do Gartner. “Os analistas de BI precisam trabalhar com usuários, do CEO ao gerente de produtos, e explicar-lhes por que eles estão obtendo um determinado resultado ou como conseguir a resposta para uma pergunta que eles têm.”

Na Del Monte, a função principal dos analistas de BI e líderes de projeto é aprender processos de negócio e disciplinas específicas tanto quanto os donos do negócio e ser parceiros confiáveis dos departamentos da linha de frente, explica Wojewodka. “Eles não podem simplesmente aceitar ordens, têm de ser uma espécie de conselheiros, apresentando opções para que os usuários pensem ‘fora da caixa’.” Cindi acrescenta que “eles têm de entender o negócio quase tanto quanto o próprio usuário”.

É por isso que tantas pessoas da área de negócio entram neste campo. Na Valero Energy, por exemplo, Kirk Hewitt, diretor de sistemas financeiros e de relatório, com 20 anos de experiência na indústria de petróleo antes de entrar na área de BI, definiu a si próprio como um usuário avançado no departamento de contabilidade.

Seis anos atrás, Hewitt aceitou um cargo em TI que envolvia consolidar as muitas aquisições da refinadora em um único sistema de gestão da SAP. O principal data warehouse da Valero é baseado em software da empresa alemã, alguns dados estão em um DW Oracle e a empresa utiliza apenas uma ferramenta de BI, a WebFocus, da Information Builders. “A chave é entender os processos de negócio que ocorrem na compania e traduzir isso no desenho de um sistema”, diz. “Esta é a prioridade, entender o que os usuários querem ver e descobrir como colocar em uma plataforma que lhes permita obter os dados e, quem sabe, utilizar eles mesmos a ferramenta BI.”

O grupo de Hewitt elabora queries e relatórios padronizados e possibilita que alguns usuários criem suas próprias pesquisas. Os grupos de marketing e vendas no atacado, por exemplo, gostam de ver dados de maneiras diferentes e por isso ganham mais flexibilidade.

No lado de finanças e relatório, porém, “produzimos os relatórios para eles para que não tenham a menor chance de entrar uma fórmula errada”, exemplifica Hewitt. E, para garantir a integridade máxima dos resultados, TI coleta dados indispensáveis de outras fontes e os coloca no DW SAP. “Utilizamos a fonte da verdade”, resume.

O executivo vê uma demanda crescente por profissionais de BI com experiência em NetWeaver e capacidade de criar portais Web para apresentar relatórios de gestão – às vezes demora meses para encontrar bons candidatos com expertise nestas áreas. Além de pessoas com estas habilidades especializadas, Hewitt procura desenvolvedores que trabalhem bem em equipe e sejam muito voltados para design. “Depois que você conhece design de processo de negócio, este conhecimento tem de se refletir no sistema de business intelligence”, orienta.

Em geral, desenvolvedores não interagem diretamente com usuários corporativos. Isso cabe aos gerentes de projeto e aos que executam funções de negócios. “É quase impossível encontrar na mesma pessoa todas as habilidades necessárias.”
 
Outros concordam que, dado o número de habilidades exigido e a natureza do próprio trabalho, BI é um verdadeiro esforço de grupo. Na Harrah’s, por exemplo, “é algo que acontece quando marketing, finanças e TI trabalham estreitamente ligados”, define Pashko.
“Business intelligence nunca pode ser governada inteiramente pelo negócio ou por TI”, concorda Cindi.

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