Clientes e analistas aplaudem iniciativa da Dell de vender máquinas com Linux, mas decisão pode ser melhor para a imagem do que para as finanças neste momento.
A Dell recebeu aplausos dos consumidores nesta terça-feira (01/05), ao anunciar que irá vender PCs com a distribuição de Linux Ubuntu, mas, se a experiência dos rivais servir de exemplo, ela irá enfrentar desafios para traduzir a estratégia em sucesso financeiro.
Os competidores da Dell, incluindo a Hewlett-Packard (HP) e Lenovo, já vendem microcomputadores com Linux em algumas máquinas customizadas. Mas a demanda do varejo para máquinas com sistemas abertos ainda é uma fração muito pequena do Windows, segundo os fabricantes.
A HP ainda não percebeu forte demanda para um PC com Linux pré-instalado na América do Norte, segundo Tiffany Smith, porta-voz da HP para sistemas pessoais.
A companhia usa atualmente Windows Vista como padrão nos seus desktops e notebooks vendidos ao varejo americano. Os consumidores residenciais podem instalar sistemas operacionais alternativos, uma vez que a maior parte dos sistemas comerciais vendidos pela HP são certificados para rodar com Linux, segundo a porta-voz.
Assim que tiver suficiente demanda por parte dos consumidores, a HP vai começar a instalar Linux também como sistema operacional padrão. Mas até o momento, a companhia tem visto procura apenas em nichos específicos do mercado, como alguns PCs entry-level em países em desenvolvimento e como opção a algumas corporações americanas nas suas compras de desktops, notebooks e estações de trabalho.
Da mesma forma, a Lenovo oferece modelos certificados para rodar Linux, para o caso dos consumidores desejarem instalá-lo.
Mas a empresa que adquiriu a divisão de PCs da IBM somente vende máquinas já instaladas com Linux em poucos dos seus produtos, como uma estação de trabalho móvel lançada em agosto para aplicações como CAD/CAM, na área de arquiteura.
“A Lenovo tem visto alguma demanda para notebooks com Linux”, afirmou Ray Gorman, um porta-voz da companhia asiática. “O que muda é a popularidade de cada distribuidor. Temos visto o desejo do mercado variar entre Red Hat, Novell Suse, TurboLinux e algumas versões mais recentes, como Ubuntu”, disse.
Mesmo que a Dell ganhe apenas uma pequena fatia de suas novas vendas, no entanto, a companhia poderá ganhar boas perspectivas de futuro com o movimento, segundo analistas de mercado.
“Eles provavelmente não venderão bilhões dessas máquinas. Não será 50% de sua receita, provavelmente será algo como 2%”, diz Jack Gold, analista principal da J.Gold Associates.
“Mas eles ganharão notoriedade no mercado, o que é algo que definitivamente a companhia precisa nesse momento. E ainda demonstrarão que ouvem o mercado, o que também é bom para o momento difícil que a Dell vem enfrentando”, ponderou o analista.
Nos últimos trimestres, a Dell perdeu posições de mercado para a HP e caiu para a segunda posição nas vendas mundiais de PCs. Além disso, ela enfrenta uma investigação, por parte da SEC, órgão que fiscaliza o mercado americano de capitais, por supostos problemas contábeis em seus balanços.
Na semana passada, um memorando interno da companhia aos seus funcionários, que vazou para a imprensa, deixou claro que, entre os planos de Michael Dell para a recuperação da empresa estão desde uma mudança no modelo de vendas diretas, corte de custos e algumas aquisições estratégicas.