Você está sendo ameaçado por um perseguidor cibernético? Conheça histórias de quem sofre com esse mal e a forma de enfrentá-los.
Quem participa da blogosfera conheceu a história de Kathy
Sierra. Uma blogger conhecida, ela
foi vítima de ameaças online (reportagem em inglês) que incluíam violência
sexual e assassinato. Quando a perseguição saltou para outros blogs afiliados, Sierra
ficou tão assustada que decidiu cancelar uma palestra e tirou férias do blog.
O caso de Sierra não é o único de perseguição online. Alguns
afirmam que é apenas o mais chamativo, a ponta do iceberg que nasceu com a Internet
no início da década de 1980. “Entre hoje e os dias da Usenet, o nível de
comportamento abusivo foi preocupantemente constante”, afirma Tim Bray, um blogger
veterano e diretor de tecnologias web da Sun.
Hoje, contudo, existem 70 milhões de blogs com 1,4 novos
sendo criados a cada segundo, segundo o Technorati. Existe mais gente
participando de discussões online e “quanto mais loucos estão lendo na
internet, mais selvagem toda a blogosfera pode se tornar”, afirma Richard
Silverstein, que defende uma aproximação pacífica no conflito entre Israel e
Palestinos em seu blog.
E ele sabe disso. Como Sierra, Silverstein é vítima de perseguição
online tanto com comentários hostis em seu blog, quanto grupos de discussão e
outros blogs criados para insultá-lo. “É parte do preço, se você quer ter um
blog como este, você vai lidar com pessoas revoltantes”, resume.
Mas quando os blogs anônimos criados para ameaçar começaram
a usar fotografias que ele viu como pornográficas, ele se sentiu pessoalmente
atacado. “Senti insegurança e sob ameaça”, diz. “Não disseram ‘vou te matar’,
mas alguns comentários me preocuparam. É horrível pensar nisso, mas é possível
que algum louco passe da ameaça para o real”.
Silverstein conseguiu que os blogueiros fossem identificados,
mas não foi capaz de exigir a remoção dos blogs, Mesmo com a correspondência
com o Blogger.com que cita a seção 230 do ato de decência na comunicação,
criado para proteger os provedores de serviços de internet do conteúdo que os
usuários criam. Em e-mail enviado para Silverstein, o Blogger.com disse que o
site “não remove material alegadamente difamatório ou malicioso do Blogger.com
ou BlogSpot.com”, de acordo com a seção 230, mas ele retirou as imagens que
eram protegidas por copyright.
De acordo com Derek Wood, vice-presidente de operações
clínicas da PsychTracker, um portal para pessoas com doenças mentais, a
perseguição digital vem em duas formas: trolls e perseguidores cibernéticos. É
importante entender esses tipos para o que se está enfrentando e o que pode ser
feito para responder a eles.
Como são classificados os perseguidores cibernéticos?
Trolls
Troll é alguém que posta com a intenção de insultar ou
provocar os outros, explica Wood. O objetivo é atrapalhar o fluxo normal da
discussão até que ela não possa ser recuperada. “Um grupo está destruído quando
de dois terços a três quartos das mensagens são resultados de comentários de Trolls”,
conta.
Diversos trolls são caracterizados por ter excesso de tempo
livre, provavelmente solitários e desesperados por atenção. “Eles vêem o seu
valor próprio relacionado com quanta reação ele pode provocar”, diz.
Existem os seguintes tipos de trolls para Wood
Troll Spammer: Repete
o mesmo post agressivo em diversos grupos de notícias.
Polemicóide: Membro
regular de um fórum que lança comentários que não tem relação com o tópico.
Incendiário: Faz
comentários incendiários.
Bater e Correr: Pára,
comenta uma ou duas vezes e segue em frente.
Trolls Psicóticos:
Têm necessidade psicológica de se sentir bem fazendo outros se sentir mal.
Perseguidores
Cibernéticos
Os perseguidores cibernéticos são caracterizados por usar
malícia, premeditação, repetição, buscar causar tensão nas vítimas, obsessão, busca
por vingança, ameaças que tentam fazer as vítimas ficarem com medo de sua
segurança física e vida, ignorar pedidos para que parem.
Existem os seguintes tipos de perseguidores cibernéticos
para Wood
Inimigo intimo: É
o tipo mais comum de perseguidor, normalmente um homem com histórico de abuso
emocional em seus relacionamentos.
Perseguidores
Desiludidos: O agressor cria um relacionamento com a vítima em sua mente, com
ou sem contato com ela. Esse tipo possui doenças mentais como esquizofrenia, desordem
bipolar ou erotomania (acreditar que a vítima nutre uma paixão pelo agressor).
Perseguidor Vingativo:
O agressor está irritado com algum insulto ou ferimento real ou imaginário. Alguns
desses são psicopatas sem consciência ou remorso. Eles podem ter desilusões
paranóicas, muitas vezes se sentindo as vítimas e que a perseguição não passa
de vingança.
O que fazer
Em diversos casos, as vitimas sentem que têm pouca munição –
legal, tecnológica ou tática – para acabar com o abuso. Mas existem ações que
podem ser feitas para bloggers evitarem esse tipo de perseguição ou, no mínimo,
manter apenas no mundo digital.
1. Conheça as táticas
do trolls
A primeira regra para lidar com trolls está em evitar ser
enganados por eles. Não confie em nada que você recebe ou lê sem verificar as
fontes. Também ignore posts ou e-mails individuais que são suspeitos e que
evocam uma resposta usando simpatia ou elogio.
2. Não alimente os
trolls (DFTT)
Esse é um dos acrônimos mais importantes dos blogs: DFTT
(não alimente os trolls, em inglês). Como os perseguidores reais, os trolls se
alimentam das suas reações. “Sob nenhuma circunstância você deve responder
defensivamente ou com raiva. Sem reação, eles se cansam e vão embora”, afirma
Tim Bray, da Sun.
Mesmo se a estratégia de ignorar não fazê-lo parar, pelo
menos não vai aumentar a sua fome, defende Wood. “Quanto mais responder, mais a
pessoa ensina ao perseguidor sobre elas mesmas ou divulga informações que não
deveria”, diz.
3. Mantenha a sua
privacidade
Não publique nenhuma informação pessoal, como endereço ou
número de telefone. Se for necessário, use o telefone do trabalho. Há blogueiros
profissionais que não publicam fotos de seus filhos em blogs ou sites de
imagens.
4. Bloquear e banir
Caso você esteja vivenciando abuso em blog com moderação, é
possível falar com o administrador, que pode banir o troll. Prepare-se para incluir
um histórico dos posts do troll, incluindo o cabeçalho da mensagem.
Alguns serviços de blog oferecem tecnologias que permitem
bloquear participantes ofensivos. Usando o WordPress, Silverstein pode moderar
os comentários de qualquer um que não contribuiu para o site anteriormente, o
que ajuda a eliminar o tipo “bater e correr”. “Isso permite tirar 90% do abuso
que recebo”, garante. Outro plug-in permite banir certos endereços de IP.
5. Mantenha um
registro
Copie tudo o que você recebe do perseguidor. Se ele tentar
contato por telefone em vez de e-mail, anote a freqüência das ligações e o que
foi dito. É preciso de uma prova que diga ele me ligou três vezes hoje, a
ultima às 21h15, por exemplo.
Acima de tudo, quando você tem uma presença online, você
precisa se preparar para a possibilidade de se tornar um alvo, afirma Wood. “Assim
como no mundo real, você precisa entender que é melhor não entrar em becos
escuros à noite e, se você quiser mesmo assim, tenha alguma proteção e saiba o
que fazer por lá”.
Silverstein conclui: “você é muito vulnerável como blogueiro.
Você está na corda bamba, qualquer um pode dar um tiro”.