Ainda existem, entretanto, barreiras na legislação trabalhista que impedem empresas de aproveitarem produtividade trazida pela mobilidade, na opinião da companhia.
Os notebooks corporativos não ficam mais restritos aos altos executivos ou às equipes de vendas. Segundo Reinaldo Affonso, da área de desenvolvimento de negócios da Intel Brasil, esses eram os alvos no início da adoção dos portáteis, mas hoje “já se percebe que a produtividade que o recurso agrega é viável” para compensar o custo mais alto em relação ao desktop.
O entrave que ainda existe, entretanto, na sua avaliação, é a legislação trabalhista, que inibe iniciativas para deixar o funcionário completamente remoto. “Mas estamos vendo esse cenário mudar, já existem acordos entre as empresas e os sindicatos para isso”, disse ele, em debate sobre mobilidade corporativa na Semana da Mobilidade Intel.
Segundo Sérgio Cascante, do grupo IT@Intel (que compartilha experiências da área de TI da empresa de chips com outras corporações), em 1997, quando a companhia começou a adotar a mobilidade internamente, chegou ao cálculo de que a diferença de preço entre o desktop e o notebook seria paga com 11 a 13 minutos a mais de produtividade. A mudança, entretanto, poderia gerar muito mais que isso em ganhos de produtividade – cerca de duas horas por funcionário.
Em 2000, a companhia tinha 62% dos seus empregados dentro do escritório, mas em 2005 esse número já tinha caído para algo entre 35% e 40%. Hoje, oito de cada 10 funcionários – do total de 97,5 mil empregados da Intel hoje – trabalham com notebook.
De acordo com Cascante, a mudança envolveu treinamento para disseminar a cultura da mobilidade e os cuidados necessários para essa adoção, além de padronização de sistemas e processos e adoção de PCs com maior tempo de vida útil.
Segundo Marcio Nunes, diretor de produtos e marketing da Certisign, a mobilidade corporativa “muda a forma como a empresa administra e gerencia as informações”, mas existe a questão da segurança como desafio.
Carlos Mont’Alverne, gerente de engenharia da Cisco, concorda com a ressalva e afirma que essa adoção envolve a criação de uma política de segurança específica por parte das empresas. “Isso passa por verificar a máquinas antes que ela seja conectada à rede” além de orientar o funcionário sobre proteção física e cuidados ao conectar dispositivos de desconhecidos nas portas USB do equipamento.
Durante o debate esta manhã, os executivos ressaltaram que, ainda que a questão da segurança seja uma preocupação, a mobilidade nas corporações garante ganhos de tempo, redução de custos com deslocamentos e viagens e satisfação do funcionário, que ganha flexibilidade nos horários, além de gerar menos trânsito – e conseqUentemente menor poluição – nas grandes cidades.