Para executivo da operadora, enquanto o negócio tradicional de celular é mais fechado e controlado, o negócio de WiMax terá a dinâmica aberta da internet.
Agora que o WiMax foi certificado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) como uma tecnologia de terceira geração, a Sprint Nextel decidiu mudar o tom sobre seus planos de lançar uma rede WiMax comercialmente em abril do próximo ano.
No ano passado, quando a Sprint falava em tecnologias de “quarta geração”, ela fez várias afirmações sobre coisas que as redes de 4G poderiam fazer que as redes 3G não conseguiriam. O WiMax era a sua opção de 4G.
Na palestra que realizou nesta quinta-feira (25/10), durante o CTIA Wireless, em São Francisco (EUA), um executivo da área de WiMax da Sprint mostrou um discurso diferente.
“Eu acho que gastamos tempo demais discutindo o número das gerações”, disse Atish Gude, vice-presidente sênior de operações de banda larga móvel da Sprint. Na semana passada, o setor de radiocomunicação da UIT certificou o WiMax como uma tecnologia 3G, o que garante um selo de aprovação exigido das operadoras por órgãos reguladores de governos de diversos países.
Na medida em que a tecnologia seja mais e mais adotada, isso pode significar menores preços de equipamentos, o que contribui para a saúde financeira das operadoras.
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Isso não quer dizer que a operadora americana não queira mais se diferenciar pelo WiMax. Em sua apresentação, Gude salientou a ampla largura de banda que o serviço será capaz de usar, o que ele garantiu que irá reduzir os delays nos downloads dos usuários. “No mundo real, um número muito grande de pessoas quer usar a rede ao mesmo tempo”, disse ele.
Mais importante que isso, no entanto, é o modelo de negócios das duas redes, afirmou Gude, ao afirmar que, enquanto o negócio tradicional de celular é mais fechado e controlado, o negócio de WiMax terá a dinâmica aberta da internet.
A companhia tem se mostrado aberta a parcerias para o desenvolvimento de aplicações, assim como para dispositivos de conexão, disse ele. O mais conhecido desses acordos, anunciado em julho, foi a associação com o Google para desenvolver uma variedade de serviços baseados na internet.
A Sprint espera que uma ampla gama de aparelhos, incluindo câmeras fotográficas, media players e eletrônicos de uso interno em automóveis possam ser conectados pela rede WiMax. Em vez de utilizar sua cadeia de lojas, esses dispositivos serão vendidos em redes de varejo como lojas de eletrônicos.
Os primeiros aparelhos que chegarão ao mercado no próximo ano serão cartões sem fio para notebooks. Gude informou que eles estarão à venda em lojas de informática e de eletrônicos.
A operadora americana não vai abandonar seu atual negócio de telefonia móvel, que deve alcançar 100 milhões de usuários nos Estados Unidos até o final de 2008, com a entrada do serviço WiMax, mas dá mostras de que poderá passar a olhar para ele de uma forma diferente.”Somos hoje uma indústria de distribuição de conteúdo”, disse Gude.