Em evento do Computerworld/EUA em Grapevine, no Texas, um dos mais conhecidos impostores do mundo falou com exclusividade ao Computerworld. Leia os trechos mais interessantes.
A história de Frank Abagnale ficou registrada em um livro e depois virou o filme, dirigido por Steven Spielberg, Prenda-me se For Capaz (título original: Catch Me if You Can). Abagnale conseguiu, antes dos seus 19 anos, roubar milhões de dólares. Atualmente, ele trabalha como conselheiro de segurança. Seu principal cliente é o FBI.
Computerworld – Se você tivesse nascido nos anos 90 e não na década de 40, o que você acha que teria conseguido fazer?
Frank Abagnale – Hoje, com meu laptop, eu posso entrar no site da American Airlines, por exemplo, capturar seu logotipo, e falsificar um cheque de um 747 que ela costuma comprar com perfeição e em menos de 15 minutos. O acesso a informação está muito mais fácil. Há 40 anos, eu não saberia como a American Airlines assina seus cheques, onde ela deixa suas contas a pagar e receber, entre outras coisas. O acesso a informação está muito mais fácil.
Computerworld – Há alguma similaridade entre o que você fazia no passado e o que leva um hacker de 17 a fazer hoje?
Abagnale – Não. No meu caso, era uma questão de sobrevivência. Eu fugi de casa com 16 anos e fui parar em Nova York. Naquela época, muitos jovens íam atrás de drogas. Eu precisava arrumar emprego e comecei mentindo a minha idade. E acabei tendo de fugir de um crime após o outro. Virou um jogo.
Computerworld – Há algo que possamos fazer para tornar a ‘brincadeira’ de hacker e roubar dinheiro pela interne menos atraente?
Abagnale – Tem diversas razões para se entrar no mundo do crime. Hoje, uma delas, é que vivemos em uma sociedade anti-ética. Enquanto não mudarmos isto, o crime será cada vez mais fácil, rápido, global e difícil de ser rastreado. Em meus 32 anos de FBI só vi a facilidade para crimes aumentar. A questão da ética precisa ser reforçada, porque há mais tecnologia e a tecnologia aumenta a quantidade de acesso a informações.
Computerworld – Como outros países estão tratando desta questão de segurança?
Abagnale – Está melhorando no mundo todo. Mas ainda há países como China, Nigéria, Líbia e Rússia que ainda não começaram a cooperar.
Computerworld – Diga qual o fabricante de segurança que tem o seu respeito atualmente.
Abagnale – Não há sistema seguro. Se você acha que a sua empresa está totalmente segura, não tem idéia da capacidade de criatividade do ser humano.
Computerworld – Você diria que a maior ameaça em uma empresa está nas pessoas internas ou externas?
Abagnale – Internas, com muita influência externa.
Computerworld – Você dedicou seu livro ao agente Joseph Shea, do FBI, cuja missão era justamente te prender. Por que?
Abagnale – Nos tornamos amigos. Era uma amizade de 30 anos. Ele faleceu.
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Computerworld – Você se arrepende do que fez?
Abagnale – Claro. Gostaria de não ter começado a minha vida como comecei.