Empresa de microcomputadores instalada em Manaus (AM) estaria envolvida em operação ilegal de evasão de divisas da qual participam bancos suíços.
Depois do episódio envolvendo a Mude,
outra companhia de TI se viu envolvida com acusações de crimes
financeiros. O diretor da empresa Amazon PC Indústria e Comércio de
Microcomputadores, Milton José Pereira Júnior, foi preso na manhã desta
terça-feira (06/11), pela Polícia Federal (PF) na sede da empresa, no
Distrito Industrial, zona Sul de Manaus.
Segundo informações do Portal Amazônia, o empresário e mais 19
pessoas foram presas no Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia
pela operação Kaspar 2 da Polícia Federal. O objetivo da operação é
desarticular esquema organizado por instituições financeiras suíças que
praticavam crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Foram apreendidos 6 milhões de reais e cerca de 600 mil dólares em
dinheiro. Também foram bloqueadas contas que tinham saldo de 7 milhões
de reais. As prisões são temporárias e têm prazo de cinco dias,
prorrogáveis por mais cinco.
Os envolvidos vão responder por gestão fraudulenta, evasão de
divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e
funcionamento de instituição financeira sem autorização do Banco
Central. As penas máximas somadas chegam a 40 anos de prisão.
Os clientes brasileiros, que eram empresas, usavam as contas para
enviar dinheiro sem origem, utilizando-se da intermediação de doleiros
na modalidade dólar-cabo, sem registro no Banco Central, através de
depósito em conta brasileira de doleiros que possuem contas no exterior
para transferência ao destino final.
A operação fraudulenta era usada para importar produtos da China e
dos Estados Unidos. De acordo com as descobertas da Polícia Federal, os
bancos UBS, Clariden e AIG teriam passado a enviar executivos ao Brasil
com a tarefa de visitar empresários.
Estes seriam orientados pelos estrangeiros a procurar a doleira. Ela
e seus subordinados, por sua vez, enviavam as fortunas dos empresários
brasileiros para contas numeradas na Suíça.
Entre as empresas acusadas de participar do esquema, além da Amazon
PC, estão Ornare, Le Postiche, Chaves Gold, Feller Engenharia,
Participe Empreendimentos Imobiliários, Zampese Máquinas, Aquarius
Consultoria Financeira, Egger & Egger Consultoria Empresarial, São
Paulo Express e Indústrias e Confecções Leal.
Procurada pela redação da ChannelWorld, a Amazon PC informou,
através de sua assessoria de imprensa, que Milton José Pereira Júnior
não tem envolvimento financeiro, societário ou trabalhista com a
companhia. Os sócios da fabricante seriam, segundo a assessoria, Carlos
Diniz e Ana Maria Rodrigues. Por isso, a empresa não vai se manifestar.