Processos contra a Intel, saída de executivo e quatro trimestres negativos estão atrapalhando a fusão da AMD com a ATI depois de um ano do negócio fechado.
Depois que a aquisição da ATI pela AMD por US$ 5,4 bilhões, anunciada em julho do ano passado, foi classificada como uma arma
potencial na tentativa da Advanced Micro Devices de competir pelo domínio do
mercado de processadores x86, ainda paira uma dúvida: depois de quatro trimestres de resultados financeiros negativos e de processos mundiais contra a Intel, como
caminha a fusão?
Os processos contra a Intel e as perdas financeiras vêem em
um período crítico, quando o time executivo da AMD precisa ajuda não só na
integração da ATI, mas em fazer os funcionários da ATI entenderem a cultura da AMD,
afirma Jon Peddie, presidente da Jon Peddie Research.
O processo movido pela AMD alega comportamento monopolista
da Intel nos Estados Unidos e no Japão, além de ter reclamações registradas na
Comissão Européia, na Comissão de Comércio da Coréia e na do Japão.
Esse tipo de distração tornou-se problemática para a empresa
quando a AMD começou a perder executivos-chave. Entre eles, David Orton, antigo
presidente e CEO da ATI, que deixou o cargo de vice-presidente da AMD em julho
após apenas 10 meses.
A AMD não tem nenhum problema interno, garante o analista Peddie,
e Orton deixou a empresa por sua decisão própria. “Um tanto de redundância
sempre vai acontecer nas organizações. Não é surpresa ver pessoas saindo”, destaca
Peddie. Contudo, afirma, especulações com a saída podem atrapalhar ainda mais a
AMD durante a integração.
A AMD também pagou mais 76 milhões de dólares relacionados
com a aquisição, ou US$ 0,14 por ação, no terceiro trimestre de
2007 que terminou do dia 27 de setembro. Isso reforçou as perdas no período
para 396 milhões de dólares.
Apesar dos problemas, a AMD está juntando as suas forças
para garantir que a fusão com a ATI aconteça suavemente.
“A fusão permitiu que a AMD juntasse seus planos com a ATI, que
já eram próximos mesmo antes da aquisição”, diz Peddie. As duas empresas querem
combinar a CPU com o processador gráfico e a fusão os coloca em posição para
tanto.
Uma fusão bem sucedida poderia ajudar a AMD a atingir
lucratividade em um curto espaço de tempo e se posicionar para o sucesso no
futuro, escreveu Doug Freedman, analista da American Technology Research, em
relatório. “Acreditamos que a ATI está virando a página, que é fundamental para
a busca da AMD por lucratividade”, completou.
Ainda que a compra da ATI não gerou benefício imediato, ela
pode ajudar a AMD em longo prazo, especialmente com o lançamento do projeto “Fusion”,
acredita Peddie. “Fusion” é o nome do projeto da AMD de processadores de nova
geração que espera-se que combinem gráficos de alto desempenho e processamento
de CPU na mesma peça.
Mesmo tendo sido anunciado na ocasião da fusão, defende
Peddie, a AMD ainda não está pronta para falar sobre o Fusion, mas há rumores
que o projeto vai reduzir não só os custos do PC como também reduzindo o
consumo de energia.
A AMD anunciou também a plataforma “Spider”, que vai incluir
os chips Phenom e processadores gráficos de alto desempenho para gerar a “ultimate
visual experience” em computação, disse Dirk Meyer, presidente e COO da AMD, em
teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre.
Com toda atenção voltada no Phenom e no Spider, o
envolvimento da ATI em outros negócios fica de lado, declarou Phil Hester, vice-presidente
e CTO da AMD. A unidade ATI da AMD ainda é um grande fornecedor de placas gráficas
para eletrônicos de consumo, set-top boxes e videogames, disse Hester, já que
são da ATI as GPUs do Xbox 360 e do Wii.
“GPUs vão continuar a ser um bom negócio para nós”, disse Hester.
O segmento gráfico da AMD cresceu 29% para fechar com 252 milhões de dólares, motivado
pelo bom desempenho da família ATI Radeon HD 2000.
No entanto, a participação de mercado da ATI no setor de
placas gráficas por problemas de fabricação e péssima estratégia de lançamento
de produtos, aponta Peddie. Competidores como Nvidia e Silicon Integrated
Systems aproveitaram o momento e ganharam mercado.
“A participação de mercado pode voltar para a ATI se ela
apenas colocar produtos comparáveis com a Nvidia em curto prazo”, escreveu Doug
Freedman em
relatório. Freedman destacou que a placa ATI RV670 já é
compatível com os produtos atuais da Nvidia.
Mas a AMD ainda tem trabalho a ser feito para garantir o
sucesso da fusão. A maior ameaça continua sendo a Intel, que continua dominando
o setor.
“A AMD precisa reconstruir o valor de sua marca para
entusiasmar o mercado, só assim ela vai conseguir adoção mais generalizada e
reconhecimento dos consumidores”, concluiu Freedman no relatório.