O ROI de software open source é um tema controverso. Vários estudos recentes, realizados por Yankee Group, JupiterResearch, Forrester Research e outras, enfocaram o ROI de atualizar uma instalação Windows versus mudar para Linux e concluíram que é menos dispendioso ficar com o Windows. Mas os relatórios não tocaram em um ponto crítico: mudar de […]
O ROI de software open source é um tema controverso. Vários estudos recentes, realizados por Yankee Group, JupiterResearch, Forrester Research e outras, enfocaram o ROI de atualizar uma instalação Windows versus mudar para Linux e concluíram que é menos dispendioso ficar com o Windows. Mas os relatórios não tocaram em um ponto crítico: mudar de Windows para Linux é o pior cenário de ROI. Afinal, a nova plataforma exige treinamento e talvez contratação de pessoal — propostas sempre caras — versus meramente pagar por licenças.
Uma pergunta mais importante é: open source pode gerar um ROI real em outra área? Sim. A Oregon State University (OSU), por exemplo, tem websites que os visitantes precisam pesquisar, o que a fez adquirir um appliance do Google por cerca de US$125.000 anuais. Dois anos depois, o departamento de TI da OSU, auxiliado pelo Open Source Lab, substituiu o appliance por um produto de pesquisa open source chamado Nutch (custo da licença: US$0). O Nutch não é tão fácil de usar quanto o software do Google e os custos de administração adicionais giram em torno de US$10.000 anuais. Porém, o retorno geral em cinco anos, mesmo levando-se em conta hardware e tempo de engenharia adicionais, produziu uma taxa interna de retorno de 2.300 por cento.
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Ao utilizar open source ao invés de uma alternativa comercial, a ABB estima uma economia de US$1,1 milhão somente em suas cinco primeiras fábricas.
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Como dizem em anúncios de perda de peso, estes resultados talvez não sejam típicos. Mas outras empresas também tiveram êxito. A ABB, por exemplo, é uma empresa industrial suíça de US$18 bilhões. Quando sua unidade Power Technologies Products (PTPR) precisou integrar novos recursos à sua infra-estrutura de software, o PTPR Software Factory Group construiu um “Framework de Integração” baseado em J2EE usando uma ferramenta open source popular chamada Jboss. Ao utilizar open source, a ABB estima uma economia de US$1,1 milhão somente em suas cinco primeiras fábricas, com economias posteriores advindo de implementações em outras 52 instalações da PTPR. É interessante observar que o Framework de Integração executa em Windows e usa o SQL Server como data store, aumentando a percepção de que mudar para open source é uma operação massiva de remover e substituir.
A chave para o sucesso é determinar quais projetos fazem sentido para open source. Para começar, trate cada produto individualmente. Organizações inteligentes consideram ambas as opções, comercial e open source, para os projetos e escolhem o produto certo para uma situação específica. Em seguida, avalie o uso do horizonte de tempo certo. Uma comparação direta entre um produto comercial e sua contrapartida open source talvez não ofereça um bom ROI de open source, porque o custo de treinar e mudar pode ultrapassar o custo de uma licença comercial. Mas, se você estender o horizonte de tempo para a duração realista da aplicação, talvez faça a balança pender para open source. Por fim, leve em conta a organização com um todo. Embora um projeto open source específico talvez não ofereça um ROI excelente, o custo-benefício de aplicações pioneiras, com freqüência, materializa-se em projetos posteriores capazes de adotar o pacote open source. Mesmo que você compre licenças corporativas para seus produtos comerciais para que o custo marginal de uma nova aplicação seja efetivamente zero, tenha em mente que algum dia, quando chegar a hora de renovar estas licenças, o custo marginal talvez seja muito mais alto.
Esta coluna não mencionou nenhum dos outros motivos para as organizações usarem open source: flexibilidade, redução de custos operacionais (tendo em vista não é necessário rastrear a aderência a licenças) e maior controle da pilha de software de uma organização (já que não há upgrades forçados ou anúncios de fim de vida de um produto). Porém, sendo o ROI tão tangível, é vital abordá-lo explicitamente. Tenha em mente que não existe uma resposta única; você precisa encontrar a opção certa para sua organização e sua aplicação.
Bernard Golden é CEO da consultoria open source Navica e autor de Succeeding with Open Source (Addison-Wesley, 2004) e de Open Source Best Practices, que está a caminho.