Imagine estar preparado para atender às demandas das áreas de negócios com mais agilidade e flexibilidade. Coloque como cenário um ambiente baseado em uma arquitetura de software modular, aonde todos os aplicativos são acessados por uma única interface web e os sistemas utilizam dados uns dos outros e “conversam” indiscriminadamente. Sharly Swissa, CIO da GVT, […]
Imagine estar preparado para atender às demandas das áreas de negócios com mais agilidade e flexibilidade. Coloque como cenário um ambiente baseado em uma arquitetura de software modular, aonde todos os aplicativos são acessados por uma única interface web e os sistemas utilizam dados uns dos outros e “conversam” indiscriminadamente. Sharly Swissa, CIO da GVT, imaginou tudo isto e, hoje, está muito próximo de tornar esse sonho realidade, por meio da adoção da arquitetura orientada a serviços (SOA).
Na verdade, imaginar vem sendo um dos mantras do executivo desde que ele assumiu a área de TI da operadora, em março do ano passado. Uma de suas primeiras iniciativas foi tirar 16 profissionais do dia-a-dia e colocá-los em uma unidade dedicada, exclusivamente, a pensar qual seria a evolução da área de tecnologia da GVT. “A TI tem de estar à frente, abrindo possibilidades e não cortando as asas dos usuários”, avalia. Sendo assim, o grupo tinha também a missão de prever como será o mercado brasileiro de telecomunicações nos próximos anos.
Após seis meses de brainstorm, a equipe chegou à conclusão de que o setor de telecom ainda vai mudar muito e, cada vez mais, as operadoras vão precisar ser ágeis e eficientes na entrega de serviços. Para a área de TI, isto significará, em suma, ter de arrumar a casa. “Colocar esse pessoal para pensar o futuro foi o melhor investimento que fiz. Saber que todas as suas iniciativas estão ligadas a uma visão de longo prazo ajuda muito”, garante Swissa.
Ao mesmo tempo em que tentava antecipar o rumo das telecomunicações, o CIO começou a questionar a eficiência do modelo de uso de software praticado pela GVT – assim como pela maior parte das empresas. Incomodava o executivo o fato de a atualização dos sistemas, em média, a cada dois anos, gerar custos e riscos muito altos, além de ocasionar o congelamento dos projetos.
As previsões apontadas para o futuro do departamento de TI e de todo o segmento de telecom, somadas à vontade de passar a usar os aplicativos de uma nova maneira, levaram à decisão de apostar em SOA. “Percebemos que ganharíamos muito mais se escolhêssemos um modelo novo que aproveitasse toda a tecnologia em que tínhamos investido no passado”, explica.
O caminho não vem sendo fácil. “O maior desafio do projeto é o pioneirismo”, revela o diretor, explicando que a iniciativa da GVT é uma das primeiras do Brasil com tal porte e complexidade. “Mas estamos dispostos a pagar o preço, porque acreditamos nos enormes benefícios que teremos.” Para colocar o projeto em prática, a companhia foi buscar em Israel uma parceira com expertise suficiente – a integradora eWave –, além de realizar muitos cursos de SOA e treinamentos para dominar as soluções da BEA Systems, principal fornecedora das ferramentas usadas no projeto.
SOA no microscópio
Swissa explica que, na prática, adotar arquitetura orientada a serviços consiste em resumir cada aplicativo ao seu core, transformando todo o resto em estruturas únicas para todo o ambiente. Ou seja, no novo modelo, não há mais uma interface, um banco de dados e um sistema de integração para cada software.
Na web, em uma só tela, os usuários acessam todos os programas de forma transparente. “Além de mais flexível e mais amigável, a interface única dá muito mais inteligência ao usuário”, detalha o CIO. Os aplicativos, por sua vez, utilizam qualquer informação, independente de onde ela tenha sido gerada. “Graças ao mapeamento lógico dos dados, é como se todos estivessem em uma só base. Isso ajuda a reduzir a inconsistência.”
O grande desafio – e, ao mesmo tempo, o diferencial – é a integração, especialmente o tratamento de exceções. A premissa é que não existe projeto perfeito. “Isto significa que sempre teremos de conviver com situações que o sistema não foi pensado para tratar.” Para a arquitetura funcionar, é necessário que a conversa entre as aplicações não seja baseada em códigos estáticos (que têm de ser alterados a cada exceção), mas em regras dinâmicas que permitam a adaptação do sistema a qualquer situação. E, nos casos nos quais não é possível automatizar, permitir que o próprio usuário interfira no processo.
De acordo com o CIO, esta visão horizontal dos processos internos depende da utilização de conceitos e ferramentas de BPM (business process management), BRM (business rules management) e BAM (business activit management), que, na sua opinião, são as bases de um projeto de SOA – além do service bus e do WLI (work logic integration). “No ambiente tradicional, cada sistema cuida dele mesmo e o EAI [enterprise aplication integration] é responsável pela integração entre eles. Mas ninguém está controlando o processo fim-a-fim, não há a visão do helicóptero”, compara.
Os resultados da empreitada devem começar a ser vistos pela operadora nos próximos meses. No fim de agosto, entrou em teste o primeiro grupo de processos operando no novo modelo – as vendas aos clientes corporativos. A expectativa de Swissa é que seja um bom exemplo, especialmente pelo alto grau de complexidade, com muitas exceções e muito trabalho manual.
O plano é que, até o final de 2007, todos os processos estejam baseados na arquitetura orientada a serviços. “Acredito que passaremos a entregar projetos na metade do tempo que fazemos hoje”, prevê o executivo, contando que atualmente as idéias das áreas de negócios são realizadas em cerca de 90 dias. Outros benefícios previstos são redução de custos e maior precisão nas operações. “Não podemos esquecer que por trás de cada solicitação há um cliente esperando por um serviço. Por isso, a SOA deve também aumentar a satisfação dos usuários finais.”