ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250

Incertezas na fusão da Brasil Telecom e Oi

Existe temor de que o governo reestatize o setor de telecomunicações

Publicado: 09/04/2026 às 15:14
Leitura
5 minutos
Incertezas na fusão da Brasil Telecom e Oi
Construção civil — Foto: Reprodução

De acordo com estudo da Accenture, os custos operacionais das duas operadoras juntas poderiam cair em até US$ 2 bilhões por ano com, por exemplo, as sinergias na compra de equipamentos e no compartilhamento de infra-estrutura de call center e redes. A nova operadora teria ainda receita anual de cerca de US$ 12 bilhões de dólares, com capacidade de aumentar o faturamento em 20% até 2010.

O presidente da Oi, Eduardo Falco, avalia que os ganhos de produtividade resultarão em redução de tarifas para os consumidores, além de outros benefícios. “O País ganharia um segundo backbone nacional [hoje só a Embratel tem esta estrutura] e mais uma operadora de telefonia celular com penetração nacional”, avalia.

Além do backbone que atenderia à telefonia de longa distância e telefonia móvel, Iacy Saraiva, analista da Frost & Sullivan, destaca a transmissão de dados e serviços corporativos como uma oportunidade para a nova empresa. O sucesso dependeria de investimentos pesados para expansão da cobertura em São Paulo, onde nenhuma das duas operadoras atua diretamente. “Isto poderia acontecer com o 3G e com o WiMAX”, avalia.

Duas questões precisam ser resolvidas. Do lado do governo, é preciso fazer alterações no Plano Geral de Outorgas (PGO) de 1998, que determina áreas de atuação específicas para cada concessionária dentro do território nacional – a Oi em 16 estados do Norte, Nordeste e Sudeste, a Região I; a Brasil Telecom no Sul, Centro-oeste e Acre, a Região II; e a Telefônica em São Paulo, Região III. Já do lado das empresas, é preciso terminar as reorganizações societárias que facilitariam o andamento do processo. Todos os lados têm se movimentado.

Os fundos, principais acionistas da Brasil Telecom, conseguiram encerrar disputas judiciais e imbróglios societários que vinham se arrastando nos últimos dois anos ao comprar por US$ 515 milhões a participação da Telecom Italia no negócio e ao conseguir que o Citigroup abrisse mão do acordo de “PUT” que obrigaria o pagamento de cerca de R$ 1 bilhão pela participação na operadora.

Por sua vez, a Oi, em seus processos de recompra de ações (o primeiro realizado em julho e o segundo, remarcado por duas vezes com previsão para acontecer em 25 de setembro) estaria se preparando para dar a seus controladores mais poder para negociar uma possível fusão.

Na esfera governamental, a fusão entre Brasil Telecom e Oi tem sido defendida pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, como a possibilidade de se criar um grande player nacional no mercado de telecomunicações, capaz até de disputar mercado fora do Brasil. “Ela vai poder entrar na Venezuela, Colômbia, Peru. O Brasil não pode ficar com todo o sistema de telecomunicações nas mãos de companhias internacionais”, afirmou Costa à Agência Brasil.

Segundo o ministro, a fusão será discutida em um grupo de trabalho com representantes dos Ministérios das Comunicações, Desenvolvimento, Relações Exteriores, Casa Civil e da Anatel, que não tem previsão para ser criado. Diego Bubillo, analista de telecom da Signals Consulting, avalia que a alteração pode ser difícil de ser feita. “Vai ser bom de publicidade [a idéia de criar um operador nacional], mas pode ser desgastante politicamente e o governo sabe disto”, comenta. “Por trás vão haver reclamações da Telefônica e da Telmex”, completa. Para as duas empresas, avalia Iacy, da Frost & Sullivan, a mudança do mercado representa muito mais uma ameaça do que uma oportunidade. “Ficariam para elas apenas empresas espelho ou de nicho como alternativa de aquisição”, diz.

O temor que existe é que, ao permitir a fusão, o governo reestatize o setor de telecomunicações ao trazer de volta a figura da Golden Share, participação acionária detida pelo Estado que, apesar de minoritária, confere a ele poderes especiais nas decisões dos rumos da empresa. Isto abriria espaço para ingerências e uso político da empresa. O ministro Hélio Costa refuta a idéia citando a participação de 25% que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem na Oi. “Como é que eu vou estatizar, se sou eu [governo] que terei de ceder espaço?”, salienta Costa.

Olhando pelo prisma da competitividade, mas sem defender a operação, Ricardo Knoepfelmacher, presidente da Brasil Telecom argumenta que a consolidação é uma realidade inescapável. “A América Latina já está virando um tratado de Tordesilhas entre México e Espanha. A criação de uma empresa nacional é uma alternativa”, diz. De acordo com Costa, o debate que está sendo proposto é para deixar claro que “se existe pressão de fusão, o governo não será obstáculo”. A bola, afirma o Ministro, está com as empresas.

Esta é a sétima matéria de uma série de nove que o IT Web publica até 25 de outubro. O especial integra a reportagem de capa da edição 191 de InformationWeek Brasil.

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas