Entrevista com Dwayne Spradlin, presidente e CEO do marketplace que reúne empresas como Eli Lilly, Procter & Gamble e Exxon
Criada em 2001, a InnoCentive se destaca entre as empresas que tem na espinha dorsal a colaboração. É um marketplace que conecta corporações, cientistas e organizações em pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de encontrarem soluções inovadoras para desafios complexos envolvendo todos os setores da economia. Em entrevista exclusiva ao IT Web, Dwayne Spradlin, presidente e CEO, explica as diretrizes da companhia, bem como o processo colaborativo pode ser usado entre as organizações. Participam da InnoCentive empresas como Eli Lilly, Procter & Gamble, Exxon, entre outras.
Spradlin, antes de assumir o cargo de presidente e CEO da InnoCentive, foi presidente da Hoover’s – empresa voltada ao mercado de BI – e presidente e COO da Starcite – companhia especializada em planejamento de eventos e reuniões online. O executivo também trabalhou na Verticalnet e na PriceWaterhouseCoopers. Spradlin é formado em matemática aplicada e tem MBA pela Universidade de Chicago.
Dwayne Spradlin será o keynote de abertura do IT Conference 2008, que reúne profissionais de TI e telecom nos dias 5 e 6 de junho, no WTC Hotel, em São Paulo.
IT Web – Como nasceu a InnoCentive?
Dwayne Spradlin – Originalmente, a Innocentive foi criada a partir de um brainstorming sobre como os modelos de relacionamento poderiam criar rupturas nas práticas de negócios. Isto culminou em um processo de negócios patenteado por Aaron Schacht e Alph Bingham. Após esta patente, eles escreveram artigos e white papers, que trouxeram mais realidade ao conceito proposto. Assim, nasceu a InnoCentive.
IT Web – Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas pela InnoCentive, uma vez que o modelo sugerido era totalmente diferente do que se praticava na época?
Spradlin – Sem falar das dificuldades e dos desafios próprios de se lançar um negócio, nós passamos por um processo muito forte de convencimento do mercado de que aquilo realmente poderia funcionar. Os exemplos incluíram o movimento da comunidade de código aberto, suporte de TI online via chat e tudo aquilo que pode se encaixar na categoria “um desafio, muitas mentes”.
IT Web – Quantos trabalham na organização?
Spradlin – Temos 30 empregados e 140 mil pessoas registradas como “solucionadores” oriundos de 175 países.
IT Web – Como a InnoCentive trabalha?
Spradlin – O processo pode ser resumido assim: um cliente identifica as necessidades para um projeto ou para resolver um problema; daí, junto com ele formulamos quais serão os “desafios” a serem divulgados, enquanto preservamos o anonimato do cliente, a fim de buscar as repostas para as questões dele. Antes de postarmos na web o formulário com os desafios, é feita uma revisão legal, científica e comercial. A InnoCentive coloca online o problema e as regras para participar – incluindo a parte de auditoria, avaliação, validação e seleção final dos vencedores. Quando oportuno, a InnoCentive verifica a identidade de quem solucionou o problema a fim de estabelecer um contrato e acertar tópicos como a transferência de direitos. Como prêmio final, a InnoCentive realiza o pagamento.
IT Web – De quanto é o pagamento?
Spradlin – Os prêmios vão de US$ 5 mil a US$ 1 milhão. Muitos dos “solucionadores” nos dizem que, ao mesmo tempo que a recompensa financeira é um fator de decisão para trabalhar em um projeto específico, eles também são muito motivados pela chance de trabalhar com temas relevantes. A competição com cerca de 140 mil pessoas também incentiva os “solucionadores”. O desejo de “vencer” e ganhar fama os impulsiona.
IT Web – Em sua opinião, as companhias já perceberam a importância do processo colaborativo?
Spradlin – As companhias valorizaram, sim, a colaboração e elas têm feito isto há anos. Tradicionalmente, por meio de universidades, parceiros ou organizações de pesquisa. Cada vez mais, as organizações têm observado que a colaboração com indivíduos e grupos pequenos centrados em resolver suas dificuldades resultam em soluções mais diversificadas, em custo reduzido e menor tempo.
IT Web – As empresas estão preparadas para a colaboração?
Spradlin – Na maioria dos casos, não. Porém, existem situações nas quais pode fazer sentido para várias empresas do mesmo setor contribuírem umas com as outras em busca de um benefício comum. Isto se tornará cada vez mais comum, particularmente nos casos em que a necessidade de inovação não é um diferencial competitivo.
IT Web – A Web 2.0 possibilita às companhias serem mais colaborativas?
Spradlin – Certamente.
IT Web – De 2001 até agora, quais foram as mudanças que mais impactaram na forma como as companhias fazem negócio?
Spradlin – Nos últimos anos, muitos avanços tecnológicos e mudanças de paradigmas aconteceram. O desenvolvimento da web, a disseminação global do acesso à tecnologia, a evolução das redes sociais e a consolidação da mobilidade e do trabalho remoto e, finalmente, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional possibilitado pela internet foram alguns dos mais relevantes.
Acompanhe a partir de quinta-feira (5/6) a cobertura completa do IT Conference 2008.