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Intel e AMD novamente: resultados de 2006

Essa semana foram divulgados os resultados das grandes empresas americanas cotadas nas bolsas de valores. No setor de tecnologia, IBM, Apple e Intel foram as mais importantes a apresentar seus números, a AMD divulgará no dia 23 de janeiro (próxima terça feira) e a expectativa não é das melhores. Citando apenas essas quatro, todas sinalizaram […]

Publicado: 12/05/2026 às 23:14
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Intel e AMD novamente: resultados de 2006
Construção civil — Foto: Reprodução

Essa semana foram divulgados os resultados das grandes empresas americanas cotadas nas bolsas de valores. No setor de tecnologia, IBM, Apple e Intel foram as mais importantes a apresentar seus números, a AMD divulgará no dia 23 de janeiro (próxima terça feira) e a expectativa não é das melhores. Citando apenas essas quatro, todas sinalizaram um cenário ruim, com projeção futura típica de um setor estagnado com crescimento abaixo do ideal. Não vamos entrar aqui em detalhes da IBM ou da Apple porque não é o foco dessa coluna, mas vamos entender rapidamente o que é um resultado “ruim” e o que é um resultado “bom” já que ambas apresentaram resultados positivos, até acima do esperado, mas abaixo do necessário para manter a competitividade no setor.

O mercado financeiro interpreta como um resultado “bom” algo que combine um bom lucro (de preferência melhor do que o esperado pelos analistas) com uma expectativa futura de lucros maiores, além de um faturamento maior que os anos anteriores, com tendência de alta, e uma presença forte no segmento. O inverso disso é um resultado “ruim”, e mesmo quando tudo aparentemente está “bom”, basta que apenas uma dessas características aponte para a direção oposta para que as ações sofram um baque, bem como as expectativas dos analistas. É bom lembrar que com ações valendo pouco, a empresa perde muita competitividade na hora de levantar capital em bancos (as ações servem de garantia) ou em adquirir novas empresas (muitas vezes baseadas em trocas de ações). O melhor cenário é uma empresa que opera com margens de lucros altas, em um setor em franca expansão, com produtos inovadores. É isso que o investidor quer.

Em 2005 a Intel não tinha um bom produto, estava iniciando um ciclo de perdas de mercado no setor de servidores mas tinha um bom lucro operacional, ou seja, uma boa margem de lucro. O lançamento do Core2Duo sinalizava um belo futuro mas havia o problema do que fazer com os velhos Pentiums encalhados. A AMD tinha um bom produto em quase todas as faixas de mercado, estava crescendo a participação no segmento de servidores e as expectativas para 2006 eram ótimas. Ambas as ações estavam cotadas em torno de 26 dólares em meados de outubro de 2005, e quando 2006 chegou o céu se abriu para a AMD, atingindo mais de 40 dólares em fevereiro quando a Intel minguava para 22, depois 19, para atingir o fundo do posso um pouco abaixo de 17 em junho. Nessa época, AMD estava também em queda, mas a 28 dólares, e a grande novidade no mercado financeiro era a “guerra de preços” entre a AMD e a Intel, em uma tentativa desesperada de manter o mercado e desovar o encalhe de produtos “antigos”. Para cada produto AMD, a Intel tinha um equivalente a um preço mais competitivo. O Celeron D chegou a ser vendido abaixo de 40 dólares, menos do que o mais barato dos K6-2 na época dos Pentium III. O resultado desta “guerra” é que ambas as empresas perderam, pois suas margens foram corroídas e os prazos de desenvolvimento de novos produtos se alongaram, o que é péssimo em um mercado com crescimento estagnado.

Essa semana, com o relatório da Intel, vê-se que o lucro foi melhor do que o esperado, o faturamento foi melhor do que o esperado, que tecnicamente a empresa está em vantagem e tem custos operacionais menores que a AMD, uma planta industrial mais avançada e um volume de produção maior. Apesar disso, comparando com 2005 o faturamento foi menor e o lucro operacional caiu 39%. O relatório aponta para uma projeção de crescimento moderado em 2007, já que o setor não está crescendo, e uma recuperação da fatia de mercado perdida em 2006 para AMD. Trocando em miúdos, a Intel deve voltar a ocupar a posição de liderança de 2005, com aproximadamente a mesma fatia de mercado, mas lucrando menos, faturando menos apesar de estar vendendo mais produtos do que nunca, em unidades vendidas. É o tipo de relatório que, segundo os analistas, é “bom” mas é “ruim”. Desde a sua divulgação, as ações da Intel caíram mais de 10% arrastando todo o setor de tecnologia com ela.

A AMD não ainda apresentou seu relatório, o fará na semana que vem, mas as expectativas são negras. As ações recentemente apresentaram uma queda acentuada devido à antecipação de quão ruins serão os resultados. Estão valendo hoje menos de 18 dólares e a empresa como um todo vale no mercado menos hoje do que valia em 2005, apesar de ter incorporado a ATI em seu patrimônio. Os analistas prevêem um ano de 2007 muito ruim, lucratividade em baixa (ou até negativa), queda nas vendas e altos custos organizacionais, em função da reestruturação da ATI e dos investimentos em novas fábricas. Em um mercado que cresce pouco, onde não se inova há bastante tempo, estar com margens comprometidas não é um bom negócio. O que o futuro espera para esse setor?

Muito se especula sobre o “boom” de vendas decorrentes do lançamento do Windows Vista, mas vários analistas apontam que isso não deve acontecer e que o crescimento de unidades vendidas deve permanecer na média dos anos anteriores. Embora se venda mais computadores hoje do que em 2005, o custo médio dos componentes caiu mais do que o crescimento do setor então todos estão de alguma forma perdendo dinheiro. É preciso vender muito mais para ficar igual ao que era. Difícil, não é?

A Apple é inovadora. Suas ações dobraram de preço desde outubro de 2005 e mesmo quando sua loja iTunes passa a vender 60% menos do que vendia, o iPod continua sendo um sucesso, seus computadores vendem mais e o surpreendente iPhone, que nem está sendo vendido ainda, deixa os investidores muito animados. Apesar disso, suas ações também caíram 10% na última semana devido ao resultado apresentado e ao cenário negro que as demais empresas do setor estão apontando para 2007. Inovação é bom, sem dúvida, mas é preciso fazer acontecer e o iPhone está se mostrando um produto complexo de vender no mundo inteiro, ao contrário do iPod.

Os analistas são unânimes ao afirmar que a Intel hoje tem excesso de produção, a empresa está preparada para um crescimento de mercado que pode não vir, e a alternativa é vender a preços baixos comprometendo as margens. A AMD ainda sofre com falta de produção, e pode estar pronta a atender o mercado quando seus produtos já não forem tão interessantes. O que fazer então?

É preciso urgentemente vender mais computadores, ou transformar coisas comuns como simples TVs em computadores, vender processadores para consoles de games, SmartPhones com processadores de PC, enfim, dar um jeito do consumidor consumir mais processadores. Não vejo isso acontecendo em 2007, mas curiosamente li um comentário sugerindo que para a AMD talvez seja mais interessante um rápido acordo de preços com a Intel, melhorando as margens de ambos desde já, do que arrastar uma ação anti-truste por vários anos e que pode não dar em nada. Basta reduzir o ritmo da queda de preços que ambas as empresas se beneficiam, bem como seus investidores. Quem diria que uma ação anti-monopólio poderia terminar em uma formação de cartel. Vamos aguardar o tempo passar.

Um rápido e último comentário: Foi noticiado que a AMD quase comprou a NVIDIA em 2005, mas as negociações não avançaram e a opção foi pela ATI. Quem diria que um ano depois a NVIDIA, fornecedora do iPhone da Apple e que tomou uma enorme fatia de mercado da ATI depois da fusão, iria valer hoje mais do que a AMD e a ATI juntas…

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