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A inteligência artificial e o jogo de gato e rato para prevenção a fraudes

Por André Azevedo Não é incomum que os avanços tecnológicos tragam com eles, além dos inúmeros benefícios, efeitos colaterais que não estavam previstos. Já em 1929, em seu texto “O mal-estar na civilização”, Sigmund Freud trazia um dos primeiros exercícios de reflexão a respeito da dicotomia que acompanha os progressos científicos e técnicos. Para exemplificar […]

Publicado: 05/03/2026 às 04:27
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5 minutos
Imagem de cibersegurança mostrando um escudo digital com 'AI' no centro, cercado por termos como Zero Trust, Cloud, IoT, Ransomware, Supply Chain, Identity, DevSecOps e Privacy, representando áreas críticas protegidas por inteligência artificial (cibersegurança, IA, openai, startup, inteligencia artificial, ia, ai, segurança da informação, ciberdefesa impacto ambiental, Imagem que representa a interseção entre inteligência artificial e cibersegurança. Uma mão aponta para um ícone de escudo digital com 'AI' no centro, rodeado por termos como Zero Trust, Cloud, IoT, Ransomware, Supply Chain, Identity, DevSecOps e Privacy, destacando conceitos chave de segurança da informação, estratégias)
Construção civil — Foto: Reprodução

Por André Azevedo

Não é incomum que os avanços tecnológicos tragam com eles, além dos inúmeros benefícios, efeitos colaterais que não estavam previstos. Já em 1929, em seu texto “O mal-estar na civilização”, Sigmund Freud trazia um dos primeiros exercícios de reflexão a respeito da dicotomia que acompanha os progressos científicos e técnicos. Para exemplificar essa dualidade, o autor se coloca no lugar de uma mãe que se alegra pela invenção do telefone, que a permitirá ouvir a voz do filho que está morando a milhares de quilômetros de distância. Logo em seguida, pondera que, se a humanidade não tivesse evoluído a ponto de adquirir a capacidade de construir ferrovias e abolir as distâncias, esse filho dificilmente teria deixado a cidade natal para morar em outro lugar e, consequentemente, sua mãe não precisaria de telefone para ouvir sua voz.

Podemos traçar um paralelo entre esse exemplo e a evolução dos sistemas de prevenção a fraudes. Se, por um lado, o desenvolvimento e democratização da tecnologia está permitindo às empresas tornarem suas operações cada vez mais seguras, por outro, esses avanços têm viabilizado o aumento na sofisticação das fraudes e golpes aplicados. Hoje os criminosos utilizam inteligência artificial para roubar dados, simular identidades e automatizar processos. Usam deepfake para gerar imagens, áudios e vídeos totalmente falsos, mas que aparentam ser reais. Foi-se o tempo em que os golpes eram grosseiros e fáceis de serem identificados. As inovações têm possibilitado aos falsários construírem peças fraudulentas com design de qualidade e alto nível de personalização, elementos que tornam a abordagem mais crível e convincente para a vítima, independente do canal utilizado.

Leia também: Conheça os vencedores do Prêmio Executivo de TI do Ano 2025

Um estudo elaborado pela Serasa Experian mostra que, no primeiro semestre do ano, o número de tentativas de fraude utilizando reconhecimento facial e documentos falsos cresceu 53% em relação ao primeiro semestre de 2024. Foram 2,7 milhões de ocorrências. Já o Relatório do Varejo 2025, da Adyen, mostra que, de janeiro de 2024 a março de 2025, as fraudes geraram, em média, um prejuízo de R$ 11,2 milhões aos varejistas brasileiros, crescimento de quase 35% em comparação ao levantamento do ano passado. A pesquisa traz dados específicos em relação à inteligência artificial: enquanto 23% dos consumidores acreditam que a IA pode ajudar malfeitores a desenvolverem fraudes mais sofisticadas, 48% dos donos de empresas já utilizam a inovação para prevenir fraudes e 41% deles relatam ter o objetivo de investir em um sistema de IA para aprimorar a segurança.

Frente a esse cenário, de utilizar a tecnologia para vencer a tecnologia, nos deparamos com uma disputa de gato e rato ou, para usar a referência do novo filme do Paul Thomas Anderson, vivemos uma batalha após a outra. Trabalhar com prevenção de fraudes é um jogo de todo dia começar de novo.

A boa notícia é que a inteligência artificial se tornou a maior aliada das empresas na luta contra os criminosos, reduzindo riscos e minimizando possíveis danos. Esse é um mercado bilionário, que não para de evoluir: segundo estudo da Peers Consulting + Technology, o setor de cibersegurança movimentou cerca de R$ 17 bilhões, somente no Brasil, em 2024. Para 2025, a projeção é que esse número cresça 9%. De acordo com a consultoria, empresas nacionais têm destinado para a área de cibersegurança de 4% a 7% dos seus orçamentos.

Através da análise documental automatizada, documentoscopia e reconhecimento facial, utilizando técnicas como OCR e machine learning, temos conseguido identificar – e preencher – lacunas de vulnerabilidade que possam comprometer a segurança das operações. Por meio dos algoritmos inteligentes, que verificam grandes volumes de dados em tempo real, detectamos comportamentos anormais de forma instantânea e, a partir dessa descoberta, analisamos os padrões suspeitos e criamos barreiras proativas contra ameaças.

Um aspecto relevante a ser destacado é a capacidade que a inteligência artificial possui de tornar mais completas as práticas que já existem. A documentoscopia, por exemplo, é uma ciência forense que se dedica à análise e validação de documentos.

Seja uma empresa que está começando a implementar soluções de prevenção a fraude ou empresa que já tem sistemas a décadas é importante ter KPIs claros e acompanhamento constante, a tecnologia trouxe uma dinâmica muito grande para o dia a dia. A fraude de ontem, já não é igual a de hoje, logo, os sistemas que preveniam, pode ser que já não sejam mais efetivos. Com isso é importante testar camadas para estar um passo a fraude, pois a fraude, pode ser 1 em 1 milhão, mas pode causar prejuízo milionário.

Em nossa experiência, entendemos que a IA não apenas fortalece a segurança das operações, mas também contribui para a construção de uma experiência mais fidedigna para empresas e clientes. Afinal, as fraudes podem impactar negativamente diversos aspectos do negócio, resultando em prejuízos financeiros significativos, mas também em danos como: má reputação da marca; riscos jurídicos e perda da confiança dos clientes e consumidores.

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