CEOs de empresas como Vodafone e Alcatel-Lucent discutem desafios da indústria de mobilidade em tempos de crise
O mercado de soluções de banda larga móvel deve receber investimentos globais de US$ 72 bilhões ainda neste ano, de acordo com Robert G. Conway, CEO e membro do conselho diretivo da GSMA. Em palestra de abertura oficial do Mobile World Congress 2010
em Barcelona, que ocorre até o dia 18/2 na gigantesca feira da capital catalã, o executivo ressaltou a importância de criar valor agregado para as aplicações móveis, assim como de oferecer soluções seguras, que garantam a privacidade do cliente final. “E a tecnologia LTE vai impulsionar o avanço do mercado. Já a partir deste ano veremos um grande número de operadoras migrando seus ambientes”, assegurou.
Conway destacou, ainda, que o número de smartphones também deve aumentar em 1,82 bilhão até 2013, comparado aos 1,78 bilhão de unidades previstas para o mercado de computadores, no mesmo ano. “Há cada vez mais usuários que acessam à internet pelo celular, porcentual que hoje está em 29%”, comentou. Com relação aos sites mais acessados desde os aparelhos móveis, o CEO apontou o Facebook e sites do Google.
Outro CEO presente no evento de inauguração foi Vittorio Colao, da Vodafone. Ele enfatizou a vitalidade do segmento de comunicações móveis, que manteve um certo ritmo de crescimento mesmo nas condições adversas da crise econômica mundial. “O grande desafio agora é: como a indústria pode manter-se competitiva?”, questinou para uma platéia lotada.
Colao assegurou que, na Europa, o setor de telecom ainda nao é visto como fator que pode ajudar a redesenhar a sociedade. “E essa visão tem de mudar, já que o segmento pode gerar muitos empregos, principalmente para os mais jovens, além de apoiar a educação dos que não têm acesso à escola”, profetizou.
O executivo destacou que o tráfico de redes cresceu 93%, nos últimos 12 meses, com a proliferação dos smartphones, que atingiram um crescimento de 39% e passaram a ser usados por 25% mais de setores verticais. Entre as áreas com mais potencial de negócios para esse tipo de produto, ele apontou as de logística, energia e petróleo. “Com a expansão do uso deste tipo de dispositivo móvel, começa a nascer na Europa um conceito de smart cities [cidades inteligentes]”, observou.
Ainda na opinião de Colao, fatores como plataformas abertas, investimentos em competitividade e aumento dos lucros são essenciais para garantir a saúde do mercado. “Precisamos lutar contra o monopólio de algumas empresas e investir na evolução de toda a comunidade”, disse. Além disto, outro conselho do especialista é que companhias precisam estar atentas a mercados que ainda não estão saturados, como é o caso do setor de buscas, hoje dominado pelo Google e Yahoo.
Ben Verwaayen, CEO da Alcatel-Lucent, concorda com Colao, no sentido de que hoje o principal desafio é transformar os modelos de negócios atuais, tendo em vista a evolução de toda a cadeia. “Somos como a indústria do petróleo: nosso sucesso está relacionado com o sucesso das verticais em que atuamos”, ponderou o executivo, adicionando que o mais importante são os serviços oferecidos e não somente a velocidade da rede.
Já Mike Lazaridis, presidente e Co-CEO da RIM, chamou a atenção para o fato de que, em 2013, a demanda vai superar a capacidade das redes, exigindo altos investimentos das companhias para manter a harmonia do ecossistema.
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