Mercado global deve crescer 74% em relação à base identificada em 2004
A oferta de televisão por protocolo de internet (IPTV) é uma realidade, mas a tecnologia deve enfrentar desafios para se consolidar na América Latina, por conta da competição com as operadoras de TV a cabo. A idéia foi defendida por Fernando Faria, analista sênior da Pyramid Research, durante o IPTV & 4Play, evento que ocorre no Rio de Janeiro até esta quinta-feira (16/08).
Fundamentado em pesquisas realizadas pela Pyramid, Faria estima que em 2012 o mercado global de IPTV conte com uma base de 100 milhões de assinantes, o que representa um crescimento de 74% com relação à base ativa identificada em 2004. Neste cenário, América Latina deve contribuir com apenas três milhões de assinantes, ou 3% do total.
De acordo com Faria, a utilização de serviços de IPTV na América Latina vai depender do modelo de negócio adotado pelas prestadoras do serviço, já que a tecnologia depende de dois principais fatores. “É preciso avaliar a penetração da banda larga e a penetração da TV por assinatura em cada país”, afirma o analista que coloca Hong Kong como um lugar propenso para a expansão do uso da tecnologia. “Eles tem um cenário favorável, pois possuem baixo volume de assinaturas de TV a cabo e boa adoção de internet banda larga.”
Para os países da América Latina, Faria enxerga alguns estímulos para investir na tecnologia, como a queda na receita de voz e a pressão da concorrência com as operadoras de TV a cabo, além de muito espaço a se explorar, pois não possuem bases amplas de usuários nem em TV por assinatura, nem em banda larga. Assim, o analista encontra duas possíveis estratégias de negócio. O primeiro é a adoção de pacotes com conteúdo premiun e custo premiun, como o que está sendo adotado em países como Hong Kong. “Para este modelo se perguntar se existe mercado para este modelo de negócio que justifique o investimento”, questiona.
O segundo modelo é o de oferta em larga escala, com investimentos em infra-estrutura e rede. “Eu faço um paralelo com o que viveu a telefonia celular há dez anos, que conseguiu uma expansão real através da massificação”, justifica Faria, que ainda explica que o mercado deve buscar por opções de subsídios à ferramentas básicas, como o set-up box, que ainda tem preços muito altos para a renda média da população latino americana.
Para ilustrar a evolução da tecnologia te 2012, Faria desenha uma linha do tempo:
2007/08 – Tecnologia desponta como opção das operadoras de telefonia fixa para aumentar fidelização e modelo de defesa contra a concorrência das operadoras de TV a cabo
2009/10 – Início da fase de geração de escala, precificação mais agressiva, em paralelo com desenvolvimento de redes ADSL+
2011/12 – Tradução e desenvolvimento de aplicabilidades