Impacto para desenvolvedoras de software será menor, mas para fornecedoras de infra-estrutura de hardware transição será complexa
O que vai mudar na indústria com o IPv6? Com a chegada do novo protocolo, serviços baseados em IP tendem a ganhar mais espaço na vida do usuário. Para muitos fornecedores, a transição é considerada uma oportunidade de novos negócios, com a troca de máquinas e atualizações de software nos clientes. Na prática, espera-se que um grande volume de equipamentos de rede possa migrar para novos ativos, compatíveis com a versão 6, e gerar uma onda de aquecimento na indústria de TI.
“O novo protocolo também abrirá espaço para as empresas de distribuição de conteúdo via web e de serviços de comunicação de voz e vídeo baseados em IP”, garante Vinicius da Silveira, gerente de produto da Leucotron, empresa mineira que desenvolve soluções de telecomunicações para corporações e mercado doméstico. “Já estamos agregando produtos baseados em IP à nossa plataforma.”
Para Marcelo Corradini, gerente de produtos de redes da Siemens Enterprise Communications, os impactos da mudança para os fornecedores de equipamentos serão significativos. “Há até quem compare o IPv6 com o bug do milênio. Mas, como não haverá data e hora definidas, a transição deve se dar de forma gradual”, reflete.
Já o impacto para as desenvolvedoras de software pode ser menor. Elas possuem esquemas de atualização montados para atender seus clientes, o que pode facilitar a transição. No caso das fornecedoras de infra-estrutura de hardware para redes, a questão parece mais complexa. “A capacidade de trabalho na camada IP está se aproximando da borda e os usuários terão de arcar com as despesas de troca de equipamentos.”
Segundo Corradini, várias companhias já incluem a capacidade do IPv6 em seus editais e RFPs (request for proposal). “O que indica que estão se preparando para a mudança e querem proteger seus investimentos”, aponta Corradini.
Para Tarcísio Ribeiro, vice-presidente da Tellabs para a América Latina, empresa do setor de redes de telecomunicações, os equipamentos precisarão de mais espaço de memória e as organizações, possivelmente, deverão comprar novos roteadores para suportar o aumento dos endereços, das transferências de pacotes de dados e das listas de controle de acesso (ACL).
No setor de provedores de serviços, é esperado um aumento da complexidade dos equipamentos de diagnóstico e de gerenciamento de redes. “Essas companhias deverão determinar como desenharão suas redes em termos de endereçamento de IP.”
Mas Ribeiro não acredita em mudanças drásticas na indústria com o desembarque do IPv6. “Fornecedores de equipamentos como a Tellabs continuarão entregando roteadores IP e os hardwares deverão gerenciar, eficientemente, tanto o IPv4 quanto o IPv6.”
Enquanto isso, companhias especializadas no desenvolvimento de soluções em IPv6 arregaçam as mangas para aproveitar melhor a fase de pré-estréia do protocolo. Nos Estados Unidos, a Command Information já laçou clientes na lista da Fortune 1000, como Verizon e HP, e ganhou apoio financeiro de fundos de investimento para se estabelecer nesse novo mercado.
Esta é a segunda reportagem da série especial sobre IPv6.