O Itaipu Parquetec, um dos maiores ecossistemas de inovação do Brasil voltados à transição energética, chega à COP30, em Belém (PA), com uma agenda que materializa o futuro da sustentabilidade brasileira. O parque criado em 2003, que integra universidades, startups e centros de pesquisa, apresentará iniciativas que unem energia limpa, mobilidade de baixo carbono e […]
O Itaipu Parquetec, um dos maiores ecossistemas de inovação do Brasil voltados à transição energética, chega à COP30, em Belém (PA), com uma agenda que materializa o futuro da sustentabilidade brasileira. O parque criado em 2003, que integra universidades, startups e centros de pesquisa, apresentará iniciativas que unem energia limpa, mobilidade de baixo carbono e economia circular, deixando um legado tecnológico e ambiental para a cidade-sede da conferência.
Entre os destaques estão o BotoH₂, o primeiro barco movido a hidrogênio verde da América Latina, e a coordenação da Gestão de Resíduos Sólidos (GRS) da COP, que incluirá o uso de reciclômetros inteligentes para rastrear e exibir em tempo real os volumes de materiais recicláveis coletados durante o evento.
“O Itaipu Parquetec foi criado para ser um laboratório vivo de inovação, em que ciência, empreendedorismo e sustentabilidade se encontram. Projetos como o BotoH₂ e o Reciclômetro simbolizam nossa visão de futuro: soluções tecnológicas escaláveis, com impacto real nas cidades e no meio ambiente”, afirma Irineu Colombo, diretor-superintendente do Itaipu Parquetec.
O parque reúne hoje mais de 8 mil pessoas, entre pesquisadores, empreendedores e estudantes, distribuídas entre três universidades – UNILA, UNIOESTE e UAB -, startups, empresas e institutos tecnológicos como o ITAI e o CIBiogás. Somente em 2024, o ecossistema desenvolveu 23 projetos, movimentando cerca de R$ 171 milhões em investimentos e oportunidades econômicas, além de captar R$ 18,52 milhões via editais de fomento em 37 novas iniciativas.
BotoH₂ e a mobilidade fluvial limpa
Desenvolvido ao longo de 16 meses, o BotoH₂ é uma embarcação experimental equipada com propulsão a hidrogênio e sistema fotovoltaico complementar. O projeto é resultado de uma parceria entre o Itaipu Parquetec e a Itaipu Binacional, com foco em validar tecnologias sustentáveis para a mobilidade aquática.
A embarcação conta com seis cilindros de hidrogênio, células a combustível e um banco de baterias para suporte e partida, além de um sistema eletrônico de controle e monitoramento em tempo real. Todo o conjunto permite uma operação eficiente, silenciosa e de baixíssima emissão.
O barco será doado à cidade de Belém, onde permanecerá sob acompanhamento da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), vinculada à Universidade do Pará. Sua missão será apoiar atividades de coleta de resíduos sólidos e ações educacionais em sustentabilidade junto às comunidades ribeirinhas.
“O BotoH₂ é o primeiro barco movido a energia limpa feito na América Latina e um marco na estratégia nacional de descarbonização. É um legado concreto da COP30 e um passo rumo à mobilidade fluvial verde”, destaca Colombo.
O projeto está diretamente conectado à Estratégia Nacional de Hidrogênio Verde, ao demonstrar a viabilidade técnica e econômica de embarcações sustentáveis para pesquisa e transporte. O Itaipu Parquetec também participa de um segundo projeto, o ExplorerH1, desenvolvido em parceria com o Grupo Náutica, a JAQ Hidrogênio e a GWM, que visa construir uma embarcação híbrida de grande porte para pesquisa científica.
O ExplorerH1 contará com propulsão dual fuel (hidrogênio e combustível fóssil), garantindo redução de até 50% nas emissões de carbono, com potencial para atingir 80% em fases futuras, conforme avanço da infraestrutura de abastecimento. “Esses projetos consolidam o protagonismo do Brasil no uso do hidrogênio verde para aplicações reais e de alto impacto”, reforça Colombo.
Na frente de gestão ambiental, o Itaipu Parquetec também coordenará toda a Gestão de Resíduos Sólidos da COP30, com o programa Coleta Mais, desenvolvido em parceria com a Itaipu Binacional.
O sistema será apoiado pelo Reciclômetro, ferramenta digital que exibe em telões espalhados por Belém o volume de resíduos reciclados diariamente. A pesagem é realizada nas Unidades de Valorização de Reciclagem (UVRs), operadas por cooperativas de catadores com balanças homologadas e sistemas digitais de registro.
“O Reciclômetro é o coração da transparência: ele mostra o impacto ambiental e garante a remuneração justa dos catadores. Nossa meta é que esse sistema permaneça como legado, modernizando a coleta seletiva de Belém após o evento”, explica Colombo.
A COP também contará com totens interativos e uma maquete lúdica que apresenta o fluxo completo da reciclagem, reforçando a educação ambiental e a valorização das cooperativas.
De Foz do Iguaçu para o mundo
Criado em 2003 e vizinho à Usina Binacional de Itaipu, o Itaipu Parquetec consolidou-se como um dos principais centros de inovação aplicada à sustentabilidade do país. Seu modelo de integração, que une academia, governo, startups e grandes empresas, acelera a transferência tecnológica e atrai investimentos em energia limpa, eficiência e bioeconomia.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!