Trabalhando em escalas tão pequenas (milionésimos de milímetros), não há espaço para erros e as correções dos componentes são inviáveis
Um circuito integrado necessita séries de simulações lógicas e elétricas para garantir o funcionamento, num processo posterior, do que será depositado em camadas numa lâmina de silício. trabalhando em escalas tão pequenas (milionésimos de milímetros), não há espaço para erros e as correções dos componentes são inviáveis. Errou? nova versão, nova ?fornada? de silício, sendo que cada uma delas consumia dezenas de milhares de dólares.
Foi nesse ambiente que entendi a importância de projetos, requisitos, simulações, testes, desempenho. Sempre achei que a engenharia (em especial a de semicondutores) seria uma referência para desenvolvimento de software. O tempo passou, mas muitos dos problemas dos projetos de sistemas persistem ? os números falam por si.
Quando assumi a gestão de infraestrutura de TI, uma das primeiras coisas que fiz foi tentar levar para esse ambiente a experiência que carregava da microeletrônica. A coisa não deu muito certo, pelo menos na medida das minhas expectativas na época. Vários foram os motivos, mas o principal talvez tenha sido não ter preparado a equipe para atuar dessa nova maneira. Claro que a maturidade de processos e ferramentas, no caso da microeletrônica, também era primordial e muito mais bem resolvida.
Contudo, com o tempo, fomos estabelecendo papéis e envolvendo as pessoas nas devidas fases dos projetos. Mesmo assim, o controle nem sempre se mostrava eficiente. O coordenador de projeto também atuava em outras frentes. O que sentimos na prática é que isso não estava sendo produtivo delegar muitos papéis para as pessoas, embora parecesse atraente.
Na posição de gestor de tecnologia, percebi que a área de sistemas também passava por problemas semelhantes. Estabelecer um escritório de projetos de TI parecia resolver a questão, mas como implementálo? Fizemos treinamentos e conscientização da equipe e, aos poucos, elegemos os que mais se identificavam com o papel de coordenador. A vantagem desse processo, embora demorado, foi que o time se envolveu com a disciplina de gestão, validando e valorizando essa atividade.
Hoje temos menos de um quarto do número de coordenadores de projetos, se comparado ao que tínhamos há dois anos. Isso não significa que tenhamos menos trabalho ou que ele tenha ficado menos complexo. Pelo contrário, agora os coordenadores têm dedicação exclusiva a essa atividade, o que permite foco, concentração e maior troca de experiências. Para o restante da equipe também foi bom, pois as tarefas de coordenação, que acabavam por ser ?mais um trabalho? a demandar um tempo razoável nas rotinas profissionais, hoje são concentradas em atividades fim.