Esse é mais um dilema da liderança moderna: de um lado, existe a busca constante por inovação, o push digital que engloba automação, IA, novas ferramentas e dados em tempo real. Na América Latina, por exemplo, há a expectativa de que 44% da força de trabalho nos próximos anos seja diretamente impactada pela inteligência artificial. […]
Esse é mais um dilema da liderança moderna: de um lado, existe a busca constante por inovação, o push digital que engloba automação, IA, novas ferramentas e dados em tempo real. Na América Latina, por exemplo, há a expectativa de que 44% da força de trabalho nos próximos anos seja diretamente impactada pela inteligência artificial. Isso mostra o quanto o digital já não é opcional – é urgente, está aí! Liderar na área de tecnologia – e na alta gestão corporativa em geral – tem me mostrado o quanto esse equilíbrio é desafiador.
Por outro lado, uma liderança que olha apenas para o digital corre o risco de perder aquilo que realmente sustenta equipes fortes: a conexão humana, por meio de vínculos de confiança e cuidado com o outro.
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E, como “cereja do bolo”, esse dilema se torna ainda mais complexo quando somamos a pluralidade geracional que vivemos hoje. É possível ver quatro gerações atuando em um mesmo time ou área, cada grupo com ritmos, valores e familiaridade tecnológica distintos. Enquanto gerações mais jovens respiram inovação e velocidade, profissionais mais experientes valorizam segurança, legado e clareza (sem tom de generalização aqui).
Essa combinação pode ser riquíssima, mas também fonte de ruído se não soubermos conduzir. Ou seja, se um líder for “só digital”, vai alienar seu time; se for “só humano”, pode ser atropelado pela realidade do mercado tech.
Percebo hoje como dilemas continuamente presentes no dia a dia:
As empresas são constantemente cobradas a inovar – transformação digital, process improvement, automação, data science. Porém, na prática, grande parte das organizações ainda enfrenta desafios relativos à maturidade digital no ambiente de trabalho.
Isso gera uma pressão interna para líderes “evoluírem” suas equipes tecnologicamente.
A diversidade etária pode trazer tensões de comunicação, hábitos de trabalho distintos e resistências variadas a mudanças tecnológicas – o chamado conflito intergeracional.
Em muitos casos, profissionais mais experientes podem interpretar o ritmo das inovações como pressa exagerada, enquanto gerações mais jovens tendem a demandar ambientes ágeis e digitais como padrão.
Quando a ênfase digital domina, existe o risco de se perder a conexão pessoal. Colaboradores deixam de se sentir vistos, ouvidos ou valorizados como indivíduos — e isso reduz comprometimento, engajamento e confiança.
Para equilibrar esses dilemas, tenho aprendido na prática a:
Entendendo como cada pessoa se relaciona com tecnologia e qual apoio necessita.
Usando diferentes formatos para anunciar mudanças – vídeo curto, guia prático, workshop – porque cada um aprende de um jeito. E é bom lembrar que comunicação efetiva não se mede pelo volume.
Para além de metas digitais, abrindo espaço para escuta, check-ins informais e conversas honestas.
Monitorando KPIs de inovação, mas também indicadores de engajamento, confiança e clima de equipe.
Esse equilíbrio entre ser digital e humano é mais um desafio central da liderança atual – e tão urgente quanto conduzir metas, projetos ou iniciativas de inovação. A pluralidade geracional amplia o desafio, mas também é uma fonte potente de criatividade, conhecimento e diversidade de visão.
Liderar hoje significa aceitar esse paradoxo: abraçar o digital para não ficar para trás, mas cultivar o humano para que ninguém se perca no caminho.
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